"Se você quiser
emplacar uma notícia sobre a Alemanha na primeira página do jornal – diz um
repórter cinicamente – seria bom que a história tivesse um desses três itens:
salsicha, cerveja ou nazismo”. Acabei de ler a frase do correspondente de um
renomado jornal americano e vencedor do prêmio Pulitzer (pequeno detalhe) e
pensei em como, inevitavelmente, nossos textos são carregados dos mais diversos
estereótipos. Como gosto bastante de escrever sobre hábitos germânicos que julgo
peculiar (dê uma espiadela na seção Deutsche Sache), pelo menos aos olhos de
uma latina- americana, fiquei pensando em como descrever os costumes sem carregar
o relato de clichês, embora eles sejam, muitas vezes, até engraçados.

Todo esse preâmbulo pra falar de um costume
alemão, que, sim, será narrado por um paulistana sedentária. Uma coisa bastante
popular por essas bandas é o chamado Wanderung!
Trata-se de uma longa caminhada pela natureza, que pode ser belíssima conforme
as estações do ano. Durante o outono é como perambular por um quadro
impressionista, com folhas esvoaçantes vermelhas, laranjas e amarelas,
destoando sob um céu bastante azulado. Por isso há sempre relatos das longas
caminhadas feitas por Goethe em Etersberg ou do Einstein em companhia do
coleguinha dinamarquês, o Bohr, para
se deixarem inspirar pelo ar fresco. A citação dos figurões germânicos é só
para mostrar que o hábito da caminhada está enraizada há anos na cultura local.
Eu nunca entendi bem o conceito até participar de uma efetivamente.