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sexta-feira, 17 de junho de 2016

Alemanha Central: Weimar

Que p... é essa? 


Tem uma seção nesse blog dedicada só as peculiaridades alemãs (Deutsche Sachen) ou como uma amiga minha diria, xaropadas. Mesmo morando há oito anos por aqui, de tempos em tempos ainda exclamo “mas que cazzo é isso”? Eis que hoje, voltando da biblioteca (quando estou com preguiça de escrever a tese, vou até lá recolher uns artigos), dou de cara e orelhas com esse cercadinho de jardim, onde pessoas batucam qualquer coisa e se denominam o Jardim do Woodstock. Ah?

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Imprensa alemã eufórica


Foto do die Zeit: Brasil contra Alemanha: um jogo para a eternidade 

          Ontem eu mais parecia um pintinho indefeso, amarelinho, minguado e molhado em meio à eufórica torcida alemã. Hoje, acordei com a sensação de querer ser um avestruz, colocar o pescoção na terra e retirá-lo de lá só quando o trauma da goleada passar. Tá bom, sem dramas. Não gosto e não entendo de futebol mesmo.  Beckenbauer, Schweinsteiger, não são todos nomes inventados para treinar a pronúncia alemã?

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Caminhada na Alemanha: o tal de Wanderung




"Se você quiser emplacar uma notícia sobre a Alemanha na primeira página do jornal – diz um repórter cinicamente – seria bom que a história tivesse um desses três itens: salsicha, cerveja ou nazismo”. Acabei de ler a frase do correspondente de um renomado jornal americano e vencedor do prêmio Pulitzer (pequeno detalhe) e pensei em como, inevitavelmente, nossos textos são carregados dos mais diversos estereótipos. Como gosto bastante de escrever sobre hábitos germânicos que julgo peculiar (dê uma espiadela na seção Deutsche Sache), pelo menos aos olhos de uma latina- americana, fiquei pensando em como descrever os costumes sem carregar o relato de clichês, embora eles sejam, muitas vezes, até engraçados.


Todo esse preâmbulo pra falar de um costume alemão, que, sim, será narrado por um paulistana sedentária. Uma coisa bastante popular por essas bandas é o chamado Wanderung! Trata-se de uma longa caminhada pela natureza, que pode ser belíssima conforme as estações do ano. Durante o outono é como perambular por um quadro impressionista, com folhas esvoaçantes vermelhas, laranjas e amarelas, destoando sob um céu bastante azulado. Por isso há sempre relatos das longas caminhadas feitas por Goethe em Etersberg ou do Einstein em companhia do coleguinha dinamarquês, o Bohr,  para se deixarem inspirar pelo ar fresco. A citação dos figurões germânicos é só para mostrar que o hábito da caminhada está enraizada há anos na cultura local. Eu nunca entendi bem o conceito até participar de uma efetivamente.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Spacekid Headcup Weimar


Todo feriado do dia 01 de maio tem passeata de neo-nazista marcada. Tem também os protestos da esquerda para tentar impedir a extrema direita. Aí eles se encontram... Em Berlim, a coisa costumava ficar pesada. Embora esse ambiente não seja lá muito propício para estrangeiros, não dá para morar por aqui e não ir bisbilhotar o que se passa, certo? Uma vez na capital fiquei ao lado do cara com banquinho da Reuters e outro da DPA. Gente neutra. Quando eles saíram correndo, sai atrás. Entrei na estação Alexanderplatz e, em seguida, a polícia bloqueou todas as entradas. Não sei mais o que houve do lado de fora. Peguei o S-Bahn pra bem longe da muvuca, sem pronunciar uma palavra, por via das dúvidas. Semana passada já recebi os email do grupo da universidade que organizava as contra-passeatas em Erfurt, mas não me animei muito não.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Uma brasileira em Schmalkalden


Schmal quem? Sim, Schmalkalden, uma cidadezinha de 15 mil habitantes a duas horas de Weimar, se tivermos sorte com as conexões de trem. Antigamente chamava-se Schmales Kaltes Wasser, algo próximo a estreitas águas frias. Mas com o passar do tempo virou o palavrão aí do título. O vilarejo, considerado assim pelo menos para a perspectiva de uma paulistana, é bastante interessante. Além do castelo medieval e da igreja, estão por lá a fábrica da Vita Cola, a versão da Coca-Cola da antiga Alemanha Oriental, e a produção dos chocolates Viba- Nougat. Não sei bem como se diz Nougat em português, mas tecnicamente não se trata bem de chocolates, segundo minha amiga e anfitriã. Não importa, é uma espécie de bombom feito de avelã torrado e cacau. Aprendi todos os detalhes na visita ao local de produção (foto acima).  

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O “Sie”, o “Du” e uma tremenda confusão


                   É verdade que a língua alemã tem seus desafios. Mas entre todos os imbróglios gramaticais, nada mais caótico que o uso dos pronomes de tratamento Sie (senhor) e o Du (você ou tu). Sabe-se lá quantos anos um estrangeiro precisa viver a cultura local para se acostumar com esses nuances do diálogo cotidiano. A grosso modo é simples. Usamos o Sie para falar com pessoas desconhecidas ou em situações mais formais como na universidade. Simples nada. Não dá para chamar um punk, em Berlim, de cabelo verde e calça rasgada de senhor. Mas a capital é uma exceção.

sábado, 26 de janeiro de 2013

O método, a Alemanha e uma relação de amor e ódio


Antes de embarcar de mala e cuia rumo à terras germânicas, o professor Kucinski, que dava aula na pós-graduação da PUC de jornalismo econômico, me perguntou que raios eu faria na Alemanha, afinal os brasileiros costumam estranhar bastante a vida por lá (ou por aqui). De fato, mesmo após 4 anos, continuo levantando as sobrancelhas, em tom de indagação, para muita coisa que observo. Mas, apesar das diferenças culturais, podemos dizer que fizemos alguns amigos. Engraçado é que praticamente a maioria deles tiveram alguma experiência no exterior. Estudaram, trabalharam, lecionaram em Londres, EUA, Brasil, África, Canadá e por aí vai. A observação serve até mesmo para professores que entram na lista dos favoritos. Não que a gente indague: „você já morou fora da Alemanha? Então pode ser meu amigo”. Essas coisas nós descobrimos com o passar do tempo, conforme a troca de experiências acabam sendo mais frequentes.  

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A polícia, um cachorro e a magrela

Um camburão azul e branco chega em velocidade um pouco acima da média, vira bruscamente a esquerda, sobe na guia da calçada e breca abruptamente. A porta se abre, dois policiais pulam do veículo e começam a correr. A cena se passa na minha frente, parada em frente à faixa de pedestre. Em alguns segundos, imaginei a catástrofe. Meu passaporte estava em casa. Olhei ao meu redor, faz tempo que não ouço mais falar em seqüestro relâmpago, assalto à banco ou arrastão. Esfreguei os olhos com as duas mãos. Abri-os novamente para ter certeza que aquilo não era uma alucinação. Calma! Não presenciei mais nenhuma tragédia ou aviões explodindo no céu. Só para relembrar a mazela.

sábado, 9 de junho de 2012

Saudade Vira-Lata

Sabe aquela cachorrada barulhenta que embala a sinfonia canina bem depois da meia noite? Ou aqueles cães de personalidade menos extravagante, mas donos de mãos (ops, patas) leves que rasgam o lixo em busca de restos das iguarias dos irmãos burgueses e de raça? Eles não existem na Alemanha. Bom, achei que não existissem, mas acabei de achar uma exceção pelas ruas de Dresden (o que motivou este post). A malandragem canina foi banida das ruas. Não há nem um pequeno rastro do perfil meio pulguento, mas livre e aventureiro. Nada daquele cão bastardo, com rabo de cocker e orelhas de poodle. Por aqui, quem tem um bichinho de estimação tem que pagar imposto. Eles recebem vacina e até um chip de identificação (!) para que não possam se rebelar e fugir para bem longe daquelas roupinhas de gosto duvidoso, banho, tosa e fitinhas. Sob a tutela de seus donos, também não se misturam por aí com outros filhotes de raça suspeita.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Conflito cultural? Será?



B.S é uma americana que até o fim da high school morou com os pais em um estado praticamente na fronteira com o Canadá. Nas férias, ela acampava na região dos Grandes Lagos e curtia a natureza cantando com o grupo de escoteiros músicas do Cat Stevens. Lá mesmo, em sua terra natal, ela conheceu um garoto alemão, um intercambista da sua escola. Começaram a namorar. Um ano se passou e pelo que tudo indicava o romance dos jovens não seria lá muito promissor. Ele voltou para casa, ela ainda tinha mais um ano de colégio para terminar. Mas esse não foi o curto desfecho de dois garotos sem grana, separados por um oceano inteiro. Ela arrumou um emprego no Joey´s Pizza e trabalhou até mesmo nos finais de semana. Juntou 12 mil dólares em um ano e desembarcou de “mala e cuia” na Alemanha. E os planos que seus pais tinham determinado para ela, cursar a faculdade na mesma instituição em que a mãe trabalhava por um descontão? Esse não era bem o desejo dela.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Simulacro chinês

Muitas vezes a vida nos prega uma peça. Outras, a arte é que nos prega uma peça. Tanto faz. Mas aqui vai um grande conselho: desconfie dos restaurantes chineses, principalmente daqueles mais estilosinhos, sem cheiro de gordura. Nada contra a tais espeluncas, na verdade, tudo a favor. Mas chega de tantas observações. Vou começar a contar logo, antes que alguns, principalmente os que odeiam comida chinesa, desistam de ler.

domingo, 9 de outubro de 2011

A vida do outro (por Rodrigo P. Macedo)


     O prédio foi construído em 1910. Diz o ditado popular que paredes tem ouvidos. Mas seria muito mais interessante se elas tivessem olhos e bocas. Quantas histórias elas não teriam para nos contar. Quantas reuniões políticas esse amontoado de tijolos não presenciou no período entre guerras nesta pequena cidade da Turíngia? Será que algum dos apartamentos serviu de palco para comemorações dos acontecimentos que ocorreram no Teatro da cidade, há algumas centenas de metros de distância e que cunharam a expressão “República Weimar” nos livros de história? Ou será que essas paredes chorariam ao se lembrar das manchas de sangue, derramadas por algum morador judeu, obrigado a trocar o aconchego do lar por um barraco do campo de concentração de Buchenwald?

terça-feira, 19 de abril de 2011

O lado obscuro de Weimar

     Goethe buscava inspiração para seus textos na bela região de Ettersberg durante longas caminhadas pelas matas bucólicas.  Somente a dez quilômetros ao norte de Weimar, o planalto oferece uma bela vista da cidade, sede da Primeira República alemã, além de muita natureza.  Mas não é por causa do consagrado escritor ou da paisagem deslumbrante que 600.000 pessoas visitam o local todos os anos. Ali, escondido entre a floresta, foi construído em 1937 o maior campo de concentração em solo alemão. Para não chamá-lo de Ettersburg, pois a região era fatalmente associada com os textos de Goethe, mudaram o nome do local para Buchenwald. 

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Forschung über Grenzen hinaus



Verschiedene brasilianische Doktoranden und Forscher überwanden ihre eigenen Grenzen um in Deutschland zu recherchieren



Verschiedene brasilianische Doktoranden und Forscher überwanden ihre eigenen Grenzen um in Deutschland zu recherchieren

Vor fast vier Jahren hat die brasilianische Psychologin Renata Stellmann ihre Heimat, Familie und Freunde verlassen, um in Deutschland tätig zu sein. Sie träumte davon ihre Doktorarbeit in Deutschland zu schreiben und Forschung zu betreiben. Nach einem schwierigen Weg, das bedeutet deutsch zu lernen, über ein interessantes Projekt nachzudenken und einen Betreuer zu finden, hat sie alles erfolgreich geschafft. Seither untersucht sie kulturelle Unterschiede in Liebesbeziehungen zwischen Deutschen und Brasilianern am Lateinamerika Institut an der Frei Universität Berlin.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Alemanha X Espanha

Foi triste ver o desapontamento das pessoas ontem em Berlim. Apesar do autocontrole alemão, muitos não conseguiram esconder a decepção e lágrimas nos olhos. Na Ku´damm a comunidade espanhola festejava, embalada pelo som das afinadas vuvuzelas. Engraçado como a copa do mundo aflora o espírito nacionalista. No jornal da meia noite, uma catalã enrolada na bandeira espanhola dizia – “nós seremos campeões do mundo”. Coisa de maluco mesmo. Embora seja bom ver as divergências superadas, ou esquecidas, nem que seja brevemente.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Carnaval das Culturas


Berlim é uma cidade com pretensões "Multi-Kulti" como eles mesmos dizem por aqui. Dos 3,5 milhões de habitantes, cerca de 500 mil são imigrantes de pelo menos 170 nacionalidades diferentes. É realmente uma salada para ninguém botar defeito. Nem é preciso justificar porque o Carnaval das Culturas, que este ano comemora a décima quinta edição, tem super a ver com o clima da capital. Durante quatro dias, nos arredores de Neuköhln e Kreuzberg, há desfiles de carros alegóricos, barracas de comidas internacionais, shows e apresentações paralelas. Durante a celebração, crianças correm com camisetas do Brasil, outras usam o terceiro olho indiano ou se fantasiam com vestidos espanhóis. É como se os berlinenses levantassem uma bandeira branca e toda a cidade fizesse uma pausa para os problemas relacionados à imigração. Não se fala em integração da comunidade turca, problemas econômicos com a Grécia ou até mesmo do tráfico de garotas do leste europeu. No ano passado (nossa primeira experiência), a comemoração recebeu 1,5 milhão de visitantes e 5.500 ativistas.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Imbróglio de Nacionalidades


Neste último sábado, fomos  convidados por um casal alemão  (muito gente boa) para uma rodada de fondue, às 19h. Éramos em três brasileiros, dois mexicanos, dois espanhóis, três alemães e um húngaro. O problema é que, antes do encontro, o grupo de latinos resolveu dar uma passadinha na festa do vinho no vilarejo de “Werder, an Havel” (logo mais escrevo um post sobre a celebração) . A vila é bem próxima de Potsdam, onde supostamente deveríamos aparecer por volta  das 19h.  A combinação foi um pouco desastrada. Leia-se: vinho de morango, framboesa, maça e derivações (se é que podemos chamar isso de vinho); feriado do dia primeiro de maio (passeatas e tropas de choque por toda esquina) e um grupo alegre de amigos tentando entrar nos poucos trens disponíveis e lotados na estação da vila, talvez um pouco menor que Pirapora.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Infância na DDR


Desde que cheguei aqui já ouvi diversos relatos de como era a vida na antiga DDR, desde coisas boas até privações e necessidades. Não sei como os coitados dos alemães não se cansam de responder essas nossas perguntas: é verdade que faltavam bananas? Em que você gastou o seu Begrüßungsgeld (dinheiro que os cidadãos da Alemanha Oriental receberam na porção ocidental em 89)?, você se lembra da queda do muro? Como o ocidente chegou para você? Era melhor ou pior? As dúvidas são inúmeras e as respostas sempre diferentes.  Mas pacientemente todos eles sempre nos relatam alguma coisa interessante.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Barbaridades Germânicas


Não conheço nenhum cidadão que já tenha declarado não gostar de viajar. Pois é, há um ano deixamos o Brasil animadíssimos, afinal de contas tem coisa melhor do que conhecer novas pessoas, lugares, comidas e aprender uma nova língua? Passados tantos meses e superadas todos as dificuldades iniciais já conseguimos rir das peculiaridades que enfrentamos ao chegar. Temos que admitir que iniciar uma vida, regularizar toda a documentação em um país ultra organizado, de temperaturas geladas e de palavras gigantes é bastante complexo. Primeiro de dezembro, -10 graus (ainda ia piorar) e nosso despertador tocou às 6h da manhã. Às vezes eu acho que só poderia mesmo estar maluca, cair da cama nesse frio a essa hora para começar meus primeiros passos na língua de Brecht. Morávamos no sinistro prédio na Eisenbahnstrasse (a rua dos trilhos do trem), uma caminhada de 40 minutos até o Instituto de Línguas na Universidade de Leipzig (famoso InterDaf).