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terça-feira, 10 de setembro de 2019

Costa Alentejana em Portugal: Falésias dramáticas e praias selvagens


A costa do Alentejo é dona de algumas das mais belas praias de Portugal. Esse trecho do litoral lusitano se estende por cerca de 100 km desde a Península de Troia até o litoral do Algarve, no sul do país, e exibe uma sucessão de praias marcadas por falésias rochosas dramáticas, dunas, mar azul e pouco movimento de turistas se comparado a outros litorais europeus mais badalados. Estradas litorâneas contornam à beira-mar pelo alto das falésias, exibindo altos mirantes e facilitando os deslocamentos entre uma cidade e outra.

sábado, 31 de agosto de 2019

Alentejo-Portugal: Orgia Gastronômica

O Alentejo é famoso por sua boa gastronomia. Por um lado, as influências do litoral dão á mesa deliciosos pratos de peixes e mariscos. Por outro, o interior traz os elementos da terra como os enchidos e os pratos de caça. Coentros, oréganos, hortelã, alecrim e manjericão dão um baile de aromas e sabores. Não deixe de experimentar a sopa de cação com coentro, servida no restaurante Fialho ou o bacalhau com espinafre no Café Alentejo, ambos em Évora. 

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Alentejo-Portugal: Monsaraz e Mértola


Monsaraz: E o céu estrelado 

Após subir uma estrada cercada de oliveiras, você chega à Porta da Vila. É a entrada para Monsaraz, uma aldeia no alto de uma montanha onde o tempo parece ter sido aprisionado no interior de suas muralhas. O charmes histórico está em qualquer direção que se olhe. Das torres do castelo, avistam-se as planícies e as águas azuis-turquesas da barragem da Alqueva, um dos maiores lagos artificiais da Europa. Dá para passar horas ali com o olhar fixado. Casinhas brancas, lojinhas de vinhos, suvenires e mantas artesanais se espalham pelas ruas de pedra. Um passeio pela praia fluvial também é uma boa opção para quem não se contentar em ficar só olhando. 

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Portugal-Alentejo: Estremoz e Elvas


Estremoz – Aguce os sentidos

Depois de percorrer os caminhos de Évora é hora de sair rumo aos arredores para conhecer as paisagens e cidades do Alentejo. A melhor opção é alugar um carro para rodar pelas estradas que contornam os campos de oliveiras e levam rapidinho a uma infinidade de aldeias de casas brancas cercadas por muralhas medievais, geralmente erguidas no alto de colinas e com um castelo no cocuruto. Uma delas é Estremoz, também conhecida como Cidade Branca por causa da presença do mármore em sua arquitetura. Entrar em Estremoz só se faz à moda antiga, ou seja, passando pela ponte de madeira que leva para o interior da muralha. Da Torre das Três Coroas, resquícios de um velho castelo, há uma vista fenomenal dos vinhedos nos arredores. A pacata cidade revela-se facilmente em uma caminhada leve e relaxante.

sábado, 10 de agosto de 2019

Alentejo: Portugal como antigamente


Deixe a pressa em casa quando viajar pelas charmosas cidades históricas da maior província de Portugal, pois essa região de paisagens serenas e boa gastronomia é para ser degustada com a maior serenidade possível.

Vinícolas, vilarejos medievais amuralhados, paisagens tranquilas... O Alentejo, à primeira vista, é um oceano de calmaria. Entre os portugueses, é um destino para descansar e curtir a vida bucólica dos campos. Então, deixe a pressa em Lisboa quando cruzar a ponte sobre o Rio Tejo rumo à maior província do país, que tem acesso rápido desde a capital portuguesa, basta uma hora e meia de carro rasgando estradas planas e cenários tão belos a ponto de amolecer a razão. De uma vila a outra, percorre-se caminhos com aromas de alfazema, vinhedos e plantações de oliveiras. Mas, apesar do sossego aparente, há muito o que se descobrir por essas bandas: castelos, vila fortificadas e o melhor de tudo: a mais rica gastronomia portuguesa. Nas palavras do escritor Miguel Torga: “Mais do que fruir a direta emoção de um lúdico passeio, quem percorre o Alentejo tem de meditar. E ir explicando aos olhos a significação profunda do que se vê.

Onde Comer e Dormir no Alentejo

Onde Ficar 


Vila Galé Évora. A rede de 30 hotéis está presente de norte a sul de Portugal e também no Brasil. Só em Évora são 185 quartos, equipados com TV, ar-condicionado e máquina de café. O espaço conta com excelente área de serviços, spa e piscina. O café da manhã é bem variado, com omeletes fresquinhos. Diárias a partir de 100€.  


quarta-feira, 10 de abril de 2019

Nova Zelândia: Em busca dos Kiwis na Ilha Sul

Uma overdose de natureza, trilhas, geleiras e esportes radicais no pedaço mais selvagem do país do kiwi

Não é muito fácil ver um kiwi. Não a fruta, mas o pássaro kiwi, que é o símbolo nacional da Nova Zelândia. O bicho tem aspecto engraçado, parece uma bolota peluda com um bico fino e alongado. Ele não voa, é muito arisco e só gosta de sair à noite. Apesar da timidez, o kiwi não tem nada de bobo, pelo menos, sabe escolher muito bem um lugar para morar. Habita os parques nacionais da Ilha Sul da Nova Zelândia, a região mais bela e selvagem do país, onde a natureza foi criativa ao desenhar picos nevados, praias, geleiras gigantes e fiordes (estes últimos só para dar um toque norueguês à paisagem neozelandesa). Para mim, o kiwi é, sobretudo, um privilegiado.

sábado, 19 de maio de 2018

Royal London: Londres da Realeza


Londres está alvoroçada com as novidades da realeza. O anúncio do noivado do Príncipe Harry com a atriz norte-americana Meghan Markle abriu um novo capítulo na história da mais antiga família real do planeta. Os típicos tabloides não falam em outra coisa senão do casamento marcado para 19 de maio no castelo de Windsor. Mas se você não foi convidado para a festança não tem problema. Grande parte dos castelos e palácios ingleses é aberta à visitação. E nem é preciso ser princesa ou duque para caminhar pelos mesmos corredores pelos quais passaram os grandes monarcas britânicos. Nesta reportagem, a correspondente da Viaje Mais ensina os caminhos que o levarão ao lado mais tradicional da Londres da Realeza. 

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

De Berlim a Hamburgo: o lado mais irreverente da Alemanha

Somente 90 minutos a bordo de um trem rápido separam as duas maiores capitais do país, que disputam o título de cidade mais “cool” em território germânico. E é bom avisar de antemão. Mesmo ao final desse gigante post, será difícil tomar algum partido. Berlim ainda carrega o peso histórico da divisão da Alemanha, acompanhada do título “pobre, mas eternamente sexy”. Já Hamburgo figura entre as mais ricas da nação, dona de um dos portos comerciais mais importantes da Europa e um coloridíssimo red light district. O que ambas têm em comum, cada uma do seu jeito, é o dinamismo e a criatividade cosmopolita. Nos arredores desses dois centros multiculturais, municípios menores oferecem escapadelas com uma faceta mais idílica e tradicional. Potsdam com seu patrimônio prussiano e as cidades da liga hanseática ao norte, a exemplo de Lübeck,  completam o roteiro.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Colombia, Cartagena e Caribe

“Colômbia, terra querida” 

Descubra o belo e emblemático litoral caribenho no país do realismo mágico 


Só a alegria contagiante dos Colombianos, a musicalidade, os aromas e sabores da cozinha típica já seriam razões suficientes para aterrissar nessas praias banhadas pelo mar do Caribe. Mas esse litoral tem ainda um charme tão próprio que ficção e realidade se confundem de modo surreal, fazendo jus ao termo mais usado para descrever esta sensação – o realismo mágico. Difícil de explicar para quem ainda não experimentou brincar com o fogo do seu fascínio.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Sul da Alemanha: Munique e Bavária

Alemanha, festeira e romântica! 

Aproveite a vida boa em Munique, terra da cerveja, e viaje por um roteiro com castelos e as paisagens mais incríveis da região da Baviera. 

(Texto originalmente publicado na Revista Viaje Mais! Junho, 2017)

A região da Baviera é uma das mais especiais da Alemanha, principalmente para nó, brasileiros, pois lá estão todos os grandes ícones que conhecemos sobre o país. A começar pelos gigantescos canecões de chope de um litro, que requer braço de halterofilista para erguer (ou seria halterocopista?).
A Baviera é a terra da cerveja e da Oktoberfest, a original. Sabe aquelas bandinhas nas quais os sujeitos vestem bermudas com suspensórios, e as mulheres, vestidos campestres de babadinhos brancos? São de lá. Munique, a capital, é a casa da BMW e do FC Bayern, o maior time de futebol do país, cujo estádio recebeu 4 milhões de visitantes no último ano. Sim, o futebol é uma paixão nacional lá também. Então, pode ir chegando e não faça cerimônia. A região é a mais festiva do país e gosta de receber. Viajar para Baviera é encontrar a Alemanha que você tanto sonha conhecer.

Castelo Neuschwanstei, em Füssen

Munique – A cidade mais altro-astral e festeira da Alemanha 

Showroom da BMW, Munique 
A capital da Baviera é uma cidade alegre e tem a cara de seus muitos biergartens, ou "jardins dacerveja”, traduzindo ao pé da letra, onde se vive o astral da Oktoberfest o ano inteiro. As pessoas são mais expansivas e menos o formais se comparadas aos alemães de outras partes do país, e a cidade é festeira e bem humorada. Para entrar no clima peça logo uma cerveja a caneca de um litro (a Maß) e uma típica salsicha branca (a Weisswurt). Será melhor ainda se o lugar escolhido para o brinde (aplique um sonoro “prost!”, “saúde!” traduzindo para o português) for em uma das cervejarias mais tradicionais e antiquíssimas da cidade, como a Augustiner (de 1328), a Spaten (1397), Paulaner (1634) ou a Hofbräu (1589), onde todo mundo fala alto e se abraça feito bons bêbados. Em Munique, bebe-se cerveja acima da média nacional.   
A famosa cervejaria Hofbräu, de 1589

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Espanha: Santiago de Compostela e litoral da Galícia

A religiosa Santiago de Compostela e o litoral da Galícia 

Por Regina Cazzamatta (texto publicado originalmente na Revista Viaje Mais! Novembro 2016)

Dizem na Espanha que Deus, após terminar a criação do mundo, apoiou as mãos abertas, para descansar, sobre o norte do país. Assim teria formado, com seus cinco dedos, as cinco “rías” da Galícia, os braços do mar que avançam território adentro, rasgando as montanhas. A lenda tem uma explicação: a Galícia vive cercada de fé e misticismo desde os tempos mais remotos. E é assim até hoje. Sua capital, Santiago de Compostela, clímax do célebre Caminho de Santiago, é o terceiro ponto de peregrinação cristã mais importante do mundo, depois de Jerusalém e do Vaticano.
Essa região do norte da Espanha, às portas do Atlântico, é uma terra bucólica, de morros suaves e cidades pequenas (a capital tem apenas 100 mil habitantes), onde brota uma cultura própria, que não tem nada a ver com os estereótipos espanhóis do flamenco e de touradas. Começa pelo idioma distinto, o galego, e segue pela religiosidade. O turismo é um traço importante, mas não se resume aos andarilhos peregrinos carregados de fé e devoção a San Tiago. Turistas bem mais céticos também vão à galícia, em busca do prazer de caminhar em belas cidades históricas, como a própria Compostela; dos divinos pratos de frutos do mar; e dos passeios ao litoral de águas cristalinas, de charmosos vilarejos de pescadores e grandes belezas naturais. 
litoral das ilhas cíes 
Sendo assim, não será preciso caminhar centenas de quilômetros para chegar a Santiago de Compostela, ainda que seja impossível não se contagiar com a emoção de se deparar com a catedral de Santiago, a alma da urbe. O templo é colossal, sempre cheio de fiéis de todas as partes do mundo, que fazem fila na entrada para tocar a coluna do Pótico da Glória e repetir as mesmas palavras: “Senhor, eu creio!”. Faz parte do ritual peregrino. Os devotos também se juntam na cripta para ver o baú de prata com os supostos restos mortais do apóstolo Tiago. 
Santiago clicada do topo da catedral
A história católica dá conta de que Tiago veio bater na Galícia em 38 d.C. em sua missão evangelizadora. Seis anos depois, já de volta a Jerusalém, foi assassinado. Dois discípulos recolheram o corpo de Tiago e colocaram-no em uma urna, que foi levada de volta à Espanha para ser enterrada. Oito séculos se passaram até que o santíssimo esqueleto fosse enfim encontrado por um eremita galega chamado Pelayo.
Peregrinos chegando a Santiago de Compostela
É claro que Pelayo não tropeçou distraidamente na tumba do apóstolo. O episódio ganhou tons bem mais dramáticos. No ano de 813, o eremita viu uma chuva de estrelas cair sobre um campo e, guiado por essas luzes, foi até o local e desenterrou a ossada. Obviamente, há dúvidas se os restos mortais na cripta da igreja são mesmo de Tiago. Mas isso é uma questão de fé, e fé, como se sabe, é o que não falta em Santiago de Compostela.
Do lado de fora da catedral, o burburinho rola com intensidade nas quatro praças que a circundam: Quintana, Imaculada, Prataria e Obradoiro. Essa última ganha mais vida com a chegada de peregrinos exaustos após longas e árduas jornadas. A atmosfera de vitória e trocas de energias positivas dominam o ambiente, com cantorias e lágrimas. Ao lado da praça, está o antiquíssimo Hotel dos Reis Católicos. Recheado de pátios e fontes memoráveis, o abrigo foi criado em 1499 como um hospital para socorrer peregrinos. Paradoxalmente, transformou-se hoje em uma hospedaria chiquezinha. 
Interior do Hotel dos Reis Católicos 
Ruas de Santiago durante a madrugada
No centro histórico de Compostela, por suas ruas estreitas, proibidas para carros, é bem fácil encontrar as famosas taperias espanholas. A capital galega abriga cerca de 1.100 restaurantes e bares, um para cada 100 habitantes. A especialidade quase sempre é a “mariscada”, uma orgia de frutos do mar. O pecado é não provar. Navalhas, percebes, berberechos... são alguns dos estranhos mariscos locais que são degustados com muito azeite e uma taça de vinho albariño. Ou, se melhor apetecer, uma cerva local, a estrela da Galícia. Nenhum frutos do mar, porém, é tão tradicional quanto as vieiras, a macia carne da concha que virou o singelo ícone da cidade, e está pendurada nas mochilas dos peregrinos. Em outros países, como na Alemanha, a vieira é conhecida como “concha de Santiago”. O problema é o preço salgadinho (uma unidade pode custar até €12). 
Vieriras ou conchas de Santiago
 O mercado de Abastos em Santiago é uma boa opção para degustar todas essas delícias e outras cositas más, como queijo tetilla (tetinha, em português), batizado assim por conta do seu formato de seio. Como 40% do leito produzido na Espanha provém da Galícia, dá para imaginar a qualidade dos queijos da região. Ou então o “pulpo á feira”, um polvo cozido que derrete na boca, temperado com páprica. E, na hora de adoçar a vida, nada e mais clássica do que a Torta Santiago – de amêndoas e salpicada com açúcar de confeiteiro –, acompanhada dos licores locais. 
Queijos tetillas vendidos no mercado de Abastos


A Costa Galega

Marco zero do caminho de Santiago, na costa Finisterre
O Caminho de Santiago não acaba em Compostela, segue até Finisterre, no ponto mais ocidental da costa  espanhola, a 90 km de distância. Os peregrinos encaram três dias para concluir esse trecho final da caminhada. Mas dá para ir até lá em pouco mais de uma hora de caro, ou mesmo em passeios bate-e-volta que saem da capital galega e levam a diversos pontos do recortado litoral que vai de Carnota a La Coruña. Finisterre é o pedaço mais famoso, onde está a rocha do marco zero do Caminho de Santiago. Próximo a ele fica o farol do Cabo Finisterre, de 1853. Nesse ponto, no alto da falésia, peregrinos que concluíram a jornada queimam suas roupas e amarram seus calçados surrados no penhasco. É um ato para simbolizar renivação e renascimento. 
Botas deixadas por peregrinos ao fim do percurso
Entre algumas excursões ao Cabo Finisterre estão paradas em pontos interessantes, como a ponte Maceira, no pequeno município homônimo. Toda de pedra, com arcos em estilo romano, a ponte foi construída na Idade Média para ajudar a travessia dos peregrinos. Outra belezura do trajeto é a cachoeira do Rio Ezaro, que deságua no mar em grande estilo com uma encantadora queda d´água. 
Desague do Rio Ezaro
Os passeios que partem de Santiago de Compostela também levam a La Coruña, onde o principal ímã turístico é a Torre de Hércules, o farol mais antigo em funcionamento do mundo, erguido há dois mil anos pelos romanos. Até hoje auxilia os navegantes que enfrentam o mar bravio e os nevoeiros comuns naquelas latitudes atlânticas. 
Torre de Hercules em la Coruña
Na pequena cidade de Muxía, o santuário da Virgem da Barca, uma fascinante igreja à beira-mar, merece estar no seu roteiro. Segundo a fábula, Santiago rezava no local, quando viu chegar um barco. Nele vinha Nossa Senhora, que o consolou e o motivou a continuar seu trabalho de evangelização. Muitos crentes vão até lá e passam por baixo de uma enorme pedra curvada, que simboliza o barco de Nossa Senhora, com o intuito de curar dor nas costas. 
Santuário da Virgem da Barca, em Muxía
De todos os vilarejos costeiros, o mais charmoso é Combarro, uma vilinha de pescadores, com uma ruela estreitinha à beira-mar, abarrotada de restaurantes e lojinhas com produtos locais. Barraquinhas de licores, panelas de barro, vinhos albariños e bruxinhas (curiosamente chamadas de “meigas”, para espantar os maus espíritos) são vendidos ali na minúscula orla. É daqui também que saem animadíssimas excursões de catamarãs (www.crucerospelegrinn.com) para uma voltinha na ilha do Tambo. O auge dos passeios é a degustação de mexilhões ao vapor com uma garrafa de vinho branco geladinha. Música, petisquinhos frescos, bebida trincando e a tripulação toda dançando. 
Orla de Combarros, litoral da Galícia 

Combarros from Regina Cazzamatta on Vimeo.

A grande joia da costa galega são as ilhas Cíes, um pequeno arquipélago transformado em parque nacional marítimo, a 14 km da costa da cidade de Vigo, que por sua vez está a 100 km de Santiago de Compostela. São apenas três ilhotas, pequenas em tamanho mas grandes em beleza. Duas delas são interligada por uma longa faixa de areia, a Paria de Rodas, que o The Guardian classificou, em 2007, como “a melhor do mundo”. É de fato muito bonita, mas convenhamos, os ingleses não entendem muito de praia. Além dela, são mais oito arquipélago, todas com areia branca e mar cristalino que poderiam mesmo compor um pequeno Jardim do Éden se as águas não fossem geladérrimas!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Roteiro Vale do Reno

Vale do Reno – A Alemanha dos contos de fadas

Uma das paisagens mais encantadoras da Alemanha está nos 65 km que vão de Mainz a Koblenz, nas margens do Rio Reno, um roteiro recheado de vilarejos medievais, castelos e vinícolas. 

Por Regina Cazzamatta (Revista Viaje Mais, Outubro 2016)


O Rio Reno nasce nos Alpes suíços, passa pela fronteira com a França, atravessa a Áustria e morre em Roterdã, na Holanda. Talvez não exista nenhum outro rio no mundo tão bem localizado assim. Mas é na Alemanha que o Reno revela seu cenário mais inspirador, onde corre tortuoso em meio a montanhas repletas de parreiras, tendo às margens numerosos vilarejos medievais, castelos e casinhas típicas alemãs, daquelas com floreiras nas janelas. Um pedaço dessa região, conhecida como Vale do Reno, é especialmente cinematográfica: os 65 km que vão de Mainz a Koblenz, rota considerada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

O Reno é o rio com maior quantidade de castelos ao longo de suas águas. Tanto que o trecho entre Mainz e Koblenz é conhecido como Rota dos Castelos. São cerca de 40 deles, ora erguidos no alto de montanhas, ora nas margens do rio. Os primeiros foram construídos nos tempos do Império Romano. Na Idade Média, as muralhas de pedras frias e insalubres desses castelos passaram a abrigar postos alfandegários com o objetivo de cobrar impostos dos comerciantes que navegavam pelo rio. Nesse cenário digno de filme de capa e espada, brotam também um sem-número de lendas e histórias de contos de fada. A mais famosa dá conta de Loreley, uma linda donzela de cabelos loiros que encantava os navegantes com um canto mágico. A beleza da mulher e a perfeição de sua voz hipnotizavam os capitães a tal ponto que se descuidavam do controle das embarcações e naufragavam. 
Além da belíssima e cheia de mistérios, a Rota dos Castelos é perfeita do ponto de vista da locomoção e da praticidade, já que fica bem próxima a Frankfurt, aonde chegam voos diretos e diários do Brasil. Da estação ferroviária de Frankfurt, anexa ao aeroporto, partem trens que levam apenas meia hora para chegar até Mainz. Ou seja, você embarca em São Paulo ou no Rio de Janeiro e, em pouco mais de doze horas, já dá de cara com as paisagens e lendas do Reno. 
O percurso ao longo do rio também é descomplicado. Pode ser feito de carro, trem ou barco, já que há rodovias e uma ferrovia que margeia o rio. A forma mais tradicional é viajar nos barcos da companhia Köln-Düsseldorfer (www.k-d.de), que funcionam como transporte público, parando de cidade em cidade. Operam no sistema hop on/ hop off, no qual o passageiro pode descer onde quiser e, no mesmo dia, reembarcar com o mesmo tíquete. Os barcos têm ótima infraestrutura: três andares, deque para admirar a vista e restaurantes que oferecem até carta de vinhos. O bilhete custa 21 euros ao dia. 
Como as paradas dos barcos ficam sempre próximas às estações de trem, geralmente, a poucos minutos de caminhada, também é possível fazer a viagem mesclando o meio de transporte, o que é bem legal. Os trens oferecem a vantagem da economia e da rapidez para pular de uma cidade para outra. É bom reservar, pelo menos, três dias inteiros para fazer o trajeto com calma. Se tiver mais tempo, pode ainda esticar o roteiro até Colônia (veja abaixo), o que dá um total de 120 km. Uma semana é o suficiente para voltar com a sensação de que conheceu razoavelmente bem toda a região. A questão é escolher apenas onde se hospedar, já que são dezenas de cidades pelo caminho, a grande maioria minúsculos vilarejos. Se você gosta de um pouco mais de agito, considere lugares maiores como Mainz, Rüdesheim, Koblenz e, no caso do roteiro completão, Colônia.  

Mainz

Para quem chega a partir de Frankfurt o caminho natural é iniciar o roteiro por Mainz, capital do estado da Renânia-Palatinado, com cerca de 190 mil habitantes. No centro histórico da cidade, há um incontável número de igrejas e para encontrá-las basta olhar para os lados, quase toda esquina tem uma. A mais monumental é a de Santo Estevão, construída em pedras de arenito avermelhado, toda pomposa à beira do rio. Em seu interior, há vitrais assinados pelo pintor russo Marc Chagall. 
Também chama atenção a Catedral “Dom”, que pode ser avistada de quase todos os pontos de Mainz e é comparada à basílica de São Pedro, em Roma. A semelhança não é mera coincidência. A ideia do arcebispo Willigis quando a construiu, em 1909, era torná-la parecida ao templo católico romano. No interior, há uma sala com exposição de peças sacras preciosas, joias que foram usadas por arcebispos da região e esculturas do século 12.
O filho mais ilustre de Mainz é Johannes Gutenberg, o inventor da tipografia e da imprensa. A cidade dedicou a ele um museu, o Museu de Gutenberg, cuja peça suprassumo exposta é a primeira bíblia impressa do mundo, de 1455. Para os apaixonados por livros, a mostra é fascinante. Há escritos chineses do ano 600, manuscritos originais de Matinho Lutero, o pai da reforma protestante na Alemanha, além de máquinas de tipografia pré-Gutenberg usadas para impressão em países orientais.
 Depois de tantos passeios culturais, é gostoso ver o movimento na Marktplatz, a praça central do centro histórico, antes de tomar o rumo da rua Augustiner, para ver vitrines nas lojas instaladas em belos casarões enxaimel de cinco andares. Para o pit stop, siga à taberna Eisgrub-Bräu para brindar sua chegada com um canecão de cerveja "helles" (clara) ou com o bierturm, a torre de chope, de três litros. 

O Vinho Branco do Reno 

O entono dos vilarejos e castelos no Vale do Reno é tomado de parreirais. A tradição da viticultura na região é antiga, foi trazida pelos romanos há cerca de dois mil anos. Atualmente, há cerca de 165 vinícolas nos 120 km entre Mainz e Colônia, sendo que 50 delas são abertas a visitação turística. Boa parte da produção é de Riesling, o “rei” dos vinhos brancos, de sabor leve e frutado. A Alemanha é a maior produtora mundial desse tipo de vinho, que ali tem selo de denominação de origem: O Rheinriesling, ou Riesling do Reno. Outro vinho branco famoso por essas bandas é o Müller-Thürgau, originário do cruzamento genético das uvas Riesling e Gutedel, que resultou em um vinho equilibrado, com tons de noz moscada.   
Se quiser conhecer um vinícola considere a Weinkeller Schwaab, que fica na montanha Marienberg, à beira do rio Mosela, nas proximidades de Koblenz. Ou então a Weingut Bastian, uma vinícola com 300 anos de tradição, na pequena vila de Bacharach. Ambas oferecem tours pelas cavas e parreiras, além de almoços harmonizados com vinhos da casa. 

Bingen

Mainz é uma ótima dose de cultura e história, mas é apenas o aperitivo da viagem, pois é na próxima parada, em Bingen, onde começa e área considerada Patrimônio Cultural da Humanidade. A cidade, na confluência dos rios Reno e Nahe, tem um agradável calçadão à beira da água, com gramados floridos, biergartens (cervejarias com mesas ao ar livre) e um museu, o Strom, que conta a história da vida de Hildegarda de Bingen (1098-1179), uma mulher cheia de talentos que, em plena Idade Média, lutou pelos direitos das mulheres. Era uma abadessa beneditina e também escritora, poeta, compositora, botânica e curandeira. Hildegarda escreveu diversos livros, de teologia à botânica. Um dos mais famosos é o catálogo de plantas e ervas medicinais, escrito em 1158. Suas descobertas sobre o lúpulo ajudaram a invenção da cerveja. 
Ainda nas margens de Bingen, avista-se a Torre dos Ratos (Mäüseturm), em uma pequena ilha no meio do rio. Apesar de ser uma torre de observação, a construção transformou-se num ícone do Reno. Inicialmente, ela foi erguida pelo arcebispo de Mainz, Hatto II (968-970), para recolher impostos alfandegários dos mercadores. Conta-se, em mais uma das lendas deste vale encantado, que os súditos do bispo, revoltados com a avareza e a admiração opressiva do clérigo, o jogaram da torre para ser devorado vivo pelos ratos. Fato ou ficção, o que se sabe com certeza é que a torre ainda serviria como farol de sinalização para os navegadores do Reno até 1975.

Rüdesheim

De Bingen, avista-se no topo da montanha, do outro lado do rio, um monumento chamado Niederwald, marco da vitória alemã na Guerra Franco-Prussiana em 1871. Os franceses reivindicaram o Reno como fronteira oriental do país, mas de nada adiantou. Vale a pena ir até lá, pois a vista desde o monumento, a 225 metros acima do rio, é uma das mais belas do Reno. Para isso, basta cruzar o rio até Rüdesheim, de onde parte um teleférico de 1.400 metros de extensão, que passa sobre os vinhedos da encosta, até o monumento. 
Rüdesheim é uma das mais belas cidades do roteiro e a mais visitada também. É famosa pela Drosselgasse, uma viela estreita, exclusiva para pedestres, cheias de cafés e restaurantes que vivem lotados. Não faltam também lojas de suvenir e produtos típicos alemães, como relógios-cuco e bonecos quebra-nozes. É o Reno na sua versão mais turística.
Há três castelos para visitar na cidade: Boosenburg, Vorderburg e Brömserburg. Esse último, erguido em 1044, não fica na montanha, mas na beira do rio, e lá funciona um interessante museu de vinho, com exposição de parafernálias usadas para produzir e beber vinho desde os tempos dos romanos.

Bacharach e Oberwesel 

Apenas 15 km seguindo o rio está Bacharach, um vilarejo medieval muito charmoso, escondido atrás de uma muralha do século 14, com casas em estilo enxaimel ao longo de sua rua principal, a Oberstrasse. Os bares estão todos ali. Basta escolher um, pedir uma taça de vinho Riesling, típico da região e entrar no clima. Para admirar a cidade de outros ângulos, faça o passeio por cima da muralha, dando a volta em todo o cetro histórico. 
Um muro medieval também contorna o núcleo antigo da vizinha Oberwesel, que todo mês de abril promove o concurso da Bruxa do Vinho, no qual uma linda moça é escolhida para representar a bruxa, que segundo a lenda, protege os vinhedos. A vencedora desse concurso com 70 anos de tradição tem sua foto exposta no centro de cultura da cidade, onde funciona um curioso museu que conta a história da região, incluindo o episódio em que o Reno congelou no inverno de 1963. 

Em Oberwesel, você poderá viver um dia de rei. Para isso, basta hospedar-se no Castelo Schönburg, que foi transformado em um luxuoso hotel em 1957. Apesar de enorme por fora, são apenas 24 quartos. E que quartos... A decoração faz qualquer um se sentir na era medieval. 
Foi nesse castelo que surgiu a lenda das “Sete Virgens”, que fala sobre sete lindas irmãs que lá moravam. Ricos cavaleiros vinham constantemente à nobre residência pedir a mão das moças ao pai delas, o conde de Schönburg. Mas, as exigentes donzelas sempre encontravam algum defeito nos pretendentes: gordos demais, baixos demais, feios demais... Para pôr um fim no mi-mi-mi das jovens, o pai convidou diversos cavaleiros de uma só vez para que as filhas, enfim, escolhessem um marido. Quando os convidados chegaram, as adolescentes evaporaram como um passe de mágica. De cima do burgo, o pai desolado viu as garotas fugindo de barco pelo rio e as amaldiçoou: “queria que todas vocês se transformassem em rochas”. O barco virou e as setes virgens afundaram nas águas do Reno. No verão, quando o nível das águas está mais baixo, avistam-se sete rochas no meio do rio: são as “Sete Virgens”. 

St. Goarhausen

Quando uma escarpa rochosa chamar sua atenção é sinal de que você está chegando à pedra de Loreley, a mítica donzela loira que enfeitiçava os capitães dos barcos com seu canto hipnotizante, a ponto de fazê-los colidir e naufragar. Na margem do rio, há uma estátua da voluptuosa Loreley. Vale dizer que nesse ponto o rio estreita-se bastante, tem apenas 113 metros de largura, fato que certamente propiciava maus bocados às embarcações no passado. 
Logo após a rocha de Loreley está a encantadora St. Goar, que poucos visitantes deixam de ir conhecer. A cidade abriga as ruínas do Castelo de Rheinfels, de 1245, que foi um dos mais poderosos do Reno, repleto de túneis e galerias subterrâneas. Do centro da cidade, leva-se 20 minutos caminhando até ele, por um belo caminho rodeado de parreiras. Depois da visita, não deixe de bebericar algo no café do burgo, com vista para o vale do rio. 
No fim da noite, St. Goar rende um passeio pelas estreitas e pitorescas ruas do centro antigo. É o melhor jeito de continuar com o clima carpe diem antes de encarar uma degustação de vinhos em um dos produtores locais. Para acompanhar o vinho, prove a Flammkuchen, uma massa bem fininha, preparada assada com creme de leite, cebolas e bacon. 

Koblenz

Aqui está o clímax da jornada: a charmosa cidade de Koblenz, fundada por romanos há cerca de dois mil anos, no encontro das águas do Reno com o rio Mosela. A grande atração é o teleférico que leva à fortaleza Ehrenbreitstein no cocuruto de um morro, a 118 metros acima do rio. Lá de cima, assiste-se, de camarote, ao vaivém dos transeuntes em Koblenz e ao tráfego de barcos em ambos os rios. 
A fortificação está voltada para o ocidente, de onde chagavam os inimigos. No caso, eram os franceses que invadiram a cidade em 1797, durante as guerras napoleônicas. Somente em 1815, com o Congresso de Viena, a fortificação foi devolvida ao governo da Prússia e o Kaiser Guilherme III levou a sério o desafio de torná-la a mais poderosa fortaleza já existente, terminando-a em 1832. Atrás das muralhas, há um hostel, dois restaurantes e o museu Landesmuseum, com uma exibição sobre a economia da região.
Exposições, aliás, não faltam na cidade, mas elas disputam atenção com as movimentadas margens do Reno e do Mosela, recheadas com cafés, restaurantes e jardins magníficos, muitas vezes repletos de flores púrpuras de lavandas, conforme a época do ano. Para aqueles que quiserem trocar a natureza pelas artes, o Museu Ludwig oferece quatro andares de arte contemporânea franco-alemã. A exibição está localizada em uma casa do século 12, da antiga ordem dos cavaleiros teutônicos, em frente a um grande gramado, onde os moradores se espalham para aproveitar a tarde. 
No centro da cidade, um pouco distante dos encantos bucólicos do Reno, está o Fórum Confluentes, espaço moderníssimo de 1.700 metros quadrados onde arte e cultura se encontram no mesmo local. Nesse prédio de seis andares há restaurantes, o Museu do Vale Médio do Reno, a Biblioteca da cidade e a exposição megainterativa Romanticum, em que os visitantes fazem uma simulação de viagem pelo Reno em um barco a vapor.
É no centro de Koblenz, o lado urbano e moderno da cidade, que deixamos o  mundo bucólico dos castelos e lendas do Reno para trás. Mas pode estar certo de que a lembrança dos vilarejos medievais não se apagará tão facilmente da sua memória, assim como não se apagará jamais o sabor suave do vinho branco ou a imagem do rio seguindo seu curso em meio a montanhas e parreiras. Você pode ir embora e dar adeus ao Reno, mas ele, o Reno, nunca mas irá abandoná-lo. Vai acompanha-lo para sempre. 

Para ir mais Longe: De Koblenz a Colônia