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sexta-feira, 23 de abril de 2021

Londres, see you soon.

Foram exatos quatro anos. Quarenta e oito meses em que reclamei do preço do aluguel, da quantidade de turistas baldeando na estação Green Park, do sotaque indecifrável de East London (Cockney), do cheiro de fritura do Fish & Chips. Virei piada entre os amigos. Eles reviravam os olhos e repetiam – “sim, peixe é grelhadinho só com um fiozinho de bom azeite”. Concordavam para não contrariar! Tentaram me apresentar o Spaghetti Hoops! Italianos, por favor, pulem as próximas duas linhas. Foi uma das coisas mais bizarras que já vi no Reino Unido. Anéis de massa com molho vermelho, ultra processado e enlatado. Come-se sobre um toast para curar a ressaca. Felizmente, consegui me refugiar nas tortas (Pie & Mash) e dizer que há algo para se apreciar na culinária britânica. São boas mesmo.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Flaneurs de Instagram: diário de quarentena

Quando saí da Alemanha há duas semanas, as ruelas da pequena Erfurt, capital do Estado da Turíngia, já estavam fantasmagóricas. O aeroporto de Nuremberg operava de modo improvisado, com parte da infraestrutura interditada. Ao chegar em Londres, encontrei algo excepcionalmente distante do cenário narrado em O Homem da Multidão. Allan Poe também deve estar lá com José Saramago no céu dos escritores, observando de camarote celestino essa mutação do espaço urbano moderno.

sexta-feira, 29 de março de 2019

Bollocks to Brexit


Mais irritante que o „Mind the Gap” em Londres só esse slogan “Keep Calm and Carry On”. Enquanto os franceses queimam carros em protesto contra o planeta, os ingleses são aconselhados a manterem a calma e seguirem em frente. Sério? É muita contenção. O mundo caindo, o Titanic afundando, a casa pegando fogo, o demônio da Tasmânia varrendo a cidade, mas a bela cabeça fria (educadíssima) sempre permanece no devido lugar – “I beg your pardon”, “would you excuse me”? WTF? A vontade é de atirar a xícara de chá fervendo contra a parede, pisar nos scones e sair gritando “ma che porca miséria”! Sério, nem o Buda conseguiria não revirar os olhos assistindo uma discussão no parlamento britânico. Morro de curiosidade para saber se esses políticos têm o mesmo sangue frio quando se trata da vida pessoal deles. Com exceção da May que não deve ter uma.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Londres, mudanças e um baú de inutilidades sentimentais

É difícil fazer a vida caber em uma mochila. Ainda mais quando se envelhece. Ao sair de casa há dez anos, enchi duas malas e segui viagem. Na verdade, deixei com muito zelo tudo que estimava na casa da minha mãe. Levei coisas que poderiam ser deixadas pelo caminho, sem importância. Com o passar dos anos, era até interessante visitar o Brasil e reencontrar objetos que eu mal lembrava da existência no meu dia a dia. Deixei-os guardado porque um dia foram importantes. CDs dos meus dezesseis anos, agendas da adolescência cheias de sonhos e intrigas, vestidos longos de festas antigas, textos da faculdade, livros, retratos do primeiro mochilão, bichos de pelúcia, presentes antigos.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Londres (sempre) imprevisível

Ao longo dos anos já me mudei algumas (várias) vezes. Morei por mais de dois anos em três países, passei por nove cidades e pelo menos dez casas. Não me considero extremamente apegada às coisas. Não muito pelo menos. A vida é meio imprevisível, já aprendi e parei de tentar controlá-la ao extremo. Tento planejar, programar, só pra ter a graça de tudo sair diferente do projeto inicial e eu poder exclamar: mas que cazzo! 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Brick Lane`s Street Art

Porque por aqui não há resquícios do engomadinho do Dória! East London continua coloridíssima, cheia de street art (nos entornos da Brick Lane), com sua porção de restaurantes indianos, cheiro de curry, boutiques vintages, cafés, lojas de música e livrarias. E, sim, muito grafite!

sábado, 19 de maio de 2018

Royal London: Londres da Realeza


Londres está alvoroçada com as novidades da realeza. O anúncio do noivado do Príncipe Harry com a atriz norte-americana Meghan Markle abriu um novo capítulo na história da mais antiga família real do planeta. Os típicos tabloides não falam em outra coisa senão do casamento marcado para 19 de maio no castelo de Windsor. Mas se você não foi convidado para a festança não tem problema. Grande parte dos castelos e palácios ingleses é aberta à visitação. E nem é preciso ser princesa ou duque para caminhar pelos mesmos corredores pelos quais passaram os grandes monarcas britânicos. Nesta reportagem, a correspondente da Viaje Mais ensina os caminhos que o levarão ao lado mais tradicional da Londres da Realeza. 

terça-feira, 24 de abril de 2018

Maratona de Londres: esquisitices e motivações

Sempre tive curiosidade em saber o que incentiva as pessoas a correrem 40km em pleno domingão. Água, bananas e Haribo? Se fosse prosecco eu até pensava. Flerto com coisas estranhas por um bom tempo, estudo-as como se fossem uma presa, até acabar me acostumando e me convencendo com a ideia. Foi assim nos tempos de Alemanha. Quem em sã consciência faz férias de bicicleta e sai pedalando 90km com a mala acoplada na magricela? Eu! Mas só depois de cinco anos gritando aos quatro cantos do planeta como os alemães tinham costumes estranhos. O resultado da presepada, com bicicleta quebrada e câimbras noturnas já relatei aqui. Mesmo com alguns contratempos, recuei e assumi – esses alemães sabem mesmo curtir a vida. Por isso que gosto tanto de metamorfose ambulante. 

segunda-feira, 2 de abril de 2018

PUBs: uma instituição cultural britânica


Não há nada mais inglês que os PUBs. Acho que nem a própria rainha. Imagine um local onde você frequenta para ler o jornal, escrever, tomar uma (duas, três, dez) pints, jogar um quizz, encontrar os amigos, bater um rango, assistir esportes na TV, tomar um chá quentinho, ouvir bandas ao vivo ou até mesmo tirar um sarro da rainha. Poderia ser a sala da sua casa, não? Um PUB não é lá muito diferente, ainda mais esses de bairro. Sofás com almofadas, carpetes, prateleira de livros antigos, lareira e todo mundo conversando um com os outros. A coisa é tão séria que várias estações de metrô receberam nomes de Pubs históricos. Sem contar os estabelecimentos descritos nas obras de Dickens.

Melhores Pubs de Londres

Best Pubs in London



quarta-feira, 14 de março de 2018

Cinco razões para amar o metrô de Londres


Juro que não há nenhuma ironia nesse título. O tube londrino pode ser sim intragável. Pergunte para qualquer sujeito que se aventure pela Central Line em horário de pico, especialmente durante o verão. Além de exageradamente movimentado (são 1,37 bilhões de passageiros ao ano), meio milhão de ratos habitam os túneis do Underground – modo como o metrô é conhecido aqui na Inglaterra, pelo menos desde 1908. Uma voz docemente irritante de taquara rachada nos acompanha repetindo freneticamente “Mind the Gap” (cuidado com o vão entre o trem e a plataforma) como um disco riscado. Como se não bastasse, ainda é um antro de poluição. Segundo um estudo de 2002, o ar dos túneis é 73 vezes mais “sujismundo” que o da cidade em si. Um mísero rolezinho de 20 minutos pela Northern Line equivale, por exemplo, a um cigarro. Aliás, fumar no metrô foi uma prática permitida até 1987, quando um incêndio na estação King’s Cross causou a morte de 31 pessoas. O álcool, leia-se a birita subterrânea – foi abolido em 2008! E sim, apesar de sujo, poluído, lotado e irritante é a melhor forma de conhecer Londres. Veja porque:

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

London Skyline


Londres é bem famosa pelo seu visual cinzento, com ares de viúva chorosa, mau-humorada, sempre de preto e dona de humores instáveis e neblinosos. Mas, exageros à parte, a capital tem surpreendido nos últimos dias com seus entardeceres multicoloridos. Passo o dia brigando com a tese e lá pelas 17h-18h, quando vou apreciar minha xícarazinha de expresso, começa o cair da noite em diferentes tons.