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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Let it go!


Uma vez, um homem se perdeu em meio as pedras do litoral da Jureia. Caminhava, olhava o mar, saltava de rocha em rocha e não achava o caminho de volta para casa - seja lá qual fosse seu conceito de casa. Fazer uma trilha sem água, comida, mapa ou uma mochila nas costas deixa a narrativa um pouco inverossímil, mas isso é, exatamente, o que torna o personagem, de certo modo, tão especial. Ele tinha um espírito aventureiro, pelo menos quando era jovem. Ao envelhecer, talvez possamos chamar a mesma atitude de desprendimento. Demorou alguns dias para que ele achasse a trilha de volta. Olhava o céu desconfiado, nutria um ressentimento pelos urubus, voando alto sobre sua cabeça pesada, como se os pássaros só estivessem por ali, esperando ele padecer. Ao voltar para casa, cansado e castigado pela natureza, contou seu método para prosseguir sem deixar o mar levá-lo: pensava na imagem da filha.