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segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Chegadas e partidas

Hoje é uma data para ressuscitar esse blog sobre estranhices, esquisitices, contradições e peculiaridades da vida. Faz anos que não escrevo, nesse vai-e-vem entre países, conferências, pesquisa e artigos. Essa tarde, percebi que meus últimos posts foram escritos durante a quarentena, quando ainda fantasiava poder sair, viajar, colocar uma mochila nas costas. Um terapeuta perguntaria, “você realmente quer o que deseja”? Nunca saberemos. Minha versão de 2021 queria voar e explorar o mundo. Em 2024, gostaria de conseguir passar pelo menos dez dias numa mesma cidade. Esse ano me levou para o Japão, EUA, Austrália, Nova Zelandia, Portugal, Eslovênia, terminará na Irlanda e, por fim, no Brasil. As idas entre Alemanha e Dinamarca eu já desconsidero. Vida é movimento, ciclos. Tenho medo de parar. Medo ou quem sabe culpa. Hoje, nessa mesma data, 10 de novembro, perdi um primo em um acidente de carro, aos 22 anos. Depois dele, ainda vieram muitas outras perdas, menos traumáticas, mas nem por isso menos doloridas. Assim, sinto-me em dívida com os que se foram. Preciso viver por eles, por mim, ver, conhecer e experimentar o que eles já não podem mais. Como desperdiçar a vida que me foi poupada? Jamais. 

Eu tinha uma aposta com esse meu primo. A gente fazia piada. Quem fosse ‘premiado’ (na verdade, dizíamos “quem se lascasse primeiro”) teria que pagar uma paella com sangria para o outro. Esse “se dar mal” era a visão de dois adolescentes ou jovens adultos sobre virar pai ou mãe. Riamos e tínhamos convicção de que ganharíamos um do outro. Infelizmente venci a aposta. Ganhei por “W.O” porque ele “walked away” desse mundo miserável. Os primos mais novos assumiram a aposta na tentativa de dar continuidade as besteiras que trazem leveza a vida. 

Acredito que essa perda tenha mudado muito a família. Trouxe a percepção de que a vida é efêmera, curta, inesperada. Meu primo viajou para uma pescaria tranquila, pacata e sem retorno. Qualquer sonho, ideia, projeto que tínhamos – mesmo que se vistos como não muito normativos – nunca foram boicotados. Ninguém nos empurrou qualquer cartilha chata como terminar faculdade, casar, trabalhar em banco com carteira assinada, pagar aposentadoria ou frequentar igreja aos domingos. Todos nós saímos do país por anos, sem pais, mães ou avós fazerem drama ou chantagem emocional. Muito pelo contrário. Anos se passaram. Cada um superou esse baque a sua maneira. Vida segue, vida é movimento. 

Fui pescar na Noruega pela primeira vez e descobri como pode ser legal. Fiz as pazes com a atividade que até então me parecia traiçoeira. Ressignifiquei. E eis que nesse ciclo de movimentos inusitados de 2024, mais de vinte anos depois da minha primeira vitória por W.O, o irmão caçula do meu primo foi premiado e descobriu que seria pai. Não vou contar aqui a epopeia do querido casal até eles decidirem anunciar a gravidez para não expor a intimidade alheia. O processo rendeu boas risadas. E bons vinhos também. Fato é, o pequeno deveria se chamar MacGyver. Como nascerá na Irlanda, acho que os pais acharam queima filme. A razão da minha paella na faixa, com sangria, vinho e sobremesa, vai se chamar Gregório. Carinhosamente já apelidado de Greg. A aposta foi paga em Algarve, Portugal, última vez que vi o casal curtindo a vida antes de embalarem nos cantos gregorianos da madrugada. A data prevista para a chegada desse mais novo integrante seria 09 de novembro. 

Fiquei empolgadíssima. Teria um sobrinho que nasceria na data da queda do muro de Berlim. Fim da Guerra Fria. Fim da Cortina de Ferro. Sempre penso como teria morado tantos anos da minha vida na Alemanha oriental, feito mestrado, doutorado, pós-doutorado se não fosse o 09 de novembro. Liberdade. Fiquei com isso em mente. 09 de novembro de 2024. Voei de Copenhagen para Berlim. Foi uma semana puxada pra mim profissionalmente. Muitas incertezas. Uma semana conturbada também em termos geopolíticos. Aquele clima de liberdade há 35 anos estava bem diferente. Trump ganhou as eleições nos Estados Unidos. A coalizão do governo alemão se desfez quando o chanceler social democrata Scholz  (SPD) despediu Lindner, o ministro liberal das finanças (FDP). Comprei o Berliner Zeitung  que reportava sobre as comemorações do muro e a revista der Spiegel para ler sobre a crise no Bundesregierung. A guerra na Ucrânia continua e a disputa Hamas e Israel ainda assombra o Oriente Médio. Que mundo para se chegar. 

09 de novembro. Gregório já estava sendo espremido mundo afora. Mas ele não chegou dia 09. Após 40 horas de parto, Gred veio ao mundo no dia 10 de novembro, na mesma data em que seu tio deixou esse mundo. Pra mim é tão difícil escrever ‘tio’ porque hoje, quase aos 42 anos, quando vejo as fotos daquele meu primo mais velho pouco antes do acidente, enxergo uma criança. Greg também nos trouxe liberdade. Veio chutando à marretadas esse muro de tristezas que rondava a família. Já nasceu nos mostrando como sustentar as contradições dessa vida. Penso nos avós (meus tios) e no pai (meu primo) que perderam um filho e um irmão na mesmíssima data que ganharam filho e neto. Vida louca, mundo louco. Bem vindo Gregório! Que sua vida seja intensa, bonita e cheia de peculiares contradições. Viva como se não houvesse amanhã! 


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A Cathach Books


Todo mundo tem uma livraria pra chamar de sua. Mesmo para aqueles que não tem planos de adquirir nenhum livro, é um passeio agradável. Caminhar entre as prateleiras, ver os novos lançamentos, destaques, best-sellers na vitrine e até tomar um café folheando uma revista ou outra. Em São Paulo, a Livraria Cultura é uma das favoritas. Sempre que estou na cidade, quero matar a saudade. Além de ter ou conseguir praticamente todos os títulos, os vendedores estão super por dentro das áreas em questão. Lá nunca ocorreria, o que já me aconteceu na Saraiva. Queria comprar "A Interpretação dos Sonhos" para dar de presente e me mandaram em direção à seção de “Esotéricos”. Então tá, né? A da Vila é bem aconchegante, mas meio longinho pra mim.
Em Berlim, achei a Dussmann na Friedrichstraße. É um paraíso cheio de livros, CDs, vídeos, artigos de papelaria, guichês vendendo ingressos para shows e uma multidão de gente, dependendo do horário. A Thalia, em Weimar, é um pouco mais provinciana, mas quebra um galho. Todos esses exemplos são livrarias bacanas, cool, freqüentadas pelos estudantes de cada cidade, mas ainda têm um status normal. Andando pelos arredores da Grafton Street em Dublin, descobri a Cathach Books, uma livraria bem pequena, de fachada bordô, que passa quase desapercebida. Dá pra ficar horas lá, mesmo sabendo que não se comprará nem um mísero livrinho!  O lugar é um antro de clássicos da literatura irlandesa, com foco no século 20.
Mas bacana mesmo é existir a possibilidade de trazer para casa as primeiras edições dos livros ou versões para colecionadores. Um Dubliners (1914), do ano de 1917, custa 65 euros. Ta bom, é até pagável, mas, no fim das contas, o mesmo texto está disponível por 10 euros em versões de livros de bolso ou até de graça na internet! Um pouco mais salgada é a versão do Ulysses (1922), que ganhou ilustrações do artista francês Henri Matisse em 1935. A raridade não sai por menos de 375 euros. O problema de pagar esta quantia é o peso na consciência de desistir de ler. Afinal, tempo e coragem são precisos para encarar aquelas construções textuais de pontuação esquisitíssima. Brincadeiras à parte, só pra colecionador mesmo, já que a dificuldade não estará só na leitura, mas também no ato de carregá-lo. Esta versão parece um livro de fotografia grande e pesado! Poemas do Samule Becket, de 1961, uma edição restrita de cem exemplares, também pode ser adquirida pela bagatela de 1.250 euros. Jà as primeiras edições do Drácula (1897) chegam até 12 mil euros. Devem vir com alhos entre as páginas pra espantar os vampiros da época. 

Para quem não resistir e quiser trazer como souvenir ou livro de cabeceira há uma versão para colecionadores por 75 euros (esta aí em cima). Apesar de impressa em 2012 pela Constable (mil exemplares), o layout é parecido com o primeiro de 1897: capa-dura amarela e título vermelho em relevo. Há também uma cópia do contrato entre Bram Stocker e a editora, assinado por ele. 
Quem quiser pode procurar a raridade preferida no site deles: http://www.rarebooks.ie/search.htm

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Irlanda, Dublin: um roteiro pela capital irlandesa


 Dublin – Diversão em meio a cervejas e livros
(Texto originalmente publicado na revista Viaje Mais! Fev. 2013)

Terra da Guinness e de escritores da estirpe de James Joyce e Oscar Wilde, a capital irlandesa é um convite à cultura e à boemia, elevadas à máxima potência durante o St. Patrick´s Festival.

Por Regina Cazzamatta

Você pode nunca ter pensado em viajar para a capital irlandesa, Dublin. Mas se já tiver cantado e dançado à exaustão ao som do U2, ido a um pub para tomar uma pint de Guinness e lido os clássicos como O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, ou mesmo Drácula, de Bram Stocker, então já está íntimo de algumas especialidades da inebriante cidade: musica, literatura e cerveja da melhor qualidade.
É muita tradição cultural e etílica, associada a uma trajetória de quase dois mil anos desde sua fundação, que legou Dublin a uma série de construções dos mais variados períodos. Mas se tudo isso não fez seu coração palpitar a ponto de convencê-lo a colocar os pés lá, talvez a celebração do St. Patrick´s Festival o faça mudar de ideia.
Realizada todos os anos em março – normalmente entre os dias 14 e 18, como será em 2013 – a festa tem seu ponto alto no dia 17, feriado nacional em homenagem à possível data de morte de St. Patrick (ou São Patrício em português), padroeiro da Irlanda e grande símbolo nacional. O evento tem desfiles de artistas, dançarinos e grupos de músicos que sai da Praça Parnell, na O`Connell Street. Segue  margeando pontos turísticos, como a Trinity College, universidade fundada em 1592 e dona de uma biblioteca de obras raras, e o Castelo de Dublin, cartão-postal local.
No percurso de 2,5 KUM, embalado pelo som da gaita de frole irlandesa, pelo menos 500 mil pessoas, entre moradores e visitantes, assistem ao corso ou o acompanham. Boa parte usa chapelões e roupas verdes (muitas são uma alusão aos leprechauns, duendes de barbas e cabelos vermelhos que fazem parte da lenda do país). E estar em Dublin na época do St. Patricks Festival tem outra vantagem:  março é um dos meses mais secos do ano, já que na capital irlandesa o clima é bastante inconsistente (chove tanto quanto em Londres).
Festejar em meio à muvuca faz parte do espírito do St. Patrick´s Day, mas para curtir o evento sem tanta agitação o ideal é procurar os pub mais afastados, fora do centro. Esses bares são uma instituição tão enraizada e respeitada que, só em Dublin (com uma população de 500 mil habitantes) há cerca de mil deles. Revestidos por carpetes, móveis de madeira, grandes sofás e lareiras e normalmente rústicos, os pubs têm como toque de modernidade a presença de muitas TVs.
Assim, enquanto as pints (copo de 568 ml), sobretudo de Guinness, se esvaziam nas mesas, alguns assistem à disputa de esportes típicos de lá, como o hurling, jogado com taco de madeira é uma espécie de mistura de futebol americano e hóquei sobre grama, e o futebol gaélico, em que vale até pegar a bola com a mão.
Mas antes que se possa levar a caneca de cerveja à boca, o atendente do pub ou um freguês irlandês qualquer pode exclamar “ainda não”, já que a Guinness precisa de um tempinho para estar totalmente assentada e apresentar seu real sabor. E é aí que se percebe que há um ritual para a degustação de uma legítima stout, gênero a que pertence a famosa cerveja. Ela tem gosto forte, pois o malte é tostado – daí a coloração escura – e o teor alcoólico fica entre 7% e 8%, quase o dobro de uma cerveja pilsen brasileira.
Possivelmente em nenhum outro lugar do mundo uma marca de cerveja (caso da Guinness, produzida desde 1759) representa tanto a identidade nacional – para citar uma mera comparação, o desenho de uma harpa está tanto no brasão de armas da Irlanda como no rótulo da bebida.
Quem quer saber mais sobre esse ícone irlandês pode visitar a Guinness Storehouse, construída em 1904 e na ativa até hoje – diariamente sai e lá cerveja para abastecer 3 milhões de pints, nos mercados nacional e internacional. Alem da fábrica, o complexo tem uma área dedicada aos visitantes. Nela, é contada a história da bebida, e é detalhada uma série de momentos da produação e armazenamento.Durante o tour, pode-se ver rótulos, propagandas e outros matérias que mostram a “cara” da Guinness ao longo dos anos. Também se aprende que, ao contrario do que é dito popularmente, a água usada para fazer a cerveja não vem do Rio Leffey, que corta Dublin, mas da Montanha Wicklow, nos arredores da capital.
Um dos espaços mais concorridos é a Guinness Academy, no qual turistas aprendem a tirar uma pint perfeita. Quem não fizer o “treinamento” pode usar o ingresso para provar a bebida no Bar Gravity, o pub mais alto da cidade, a 44 metros de altura e com uma bela vista de Dublin. Lá, os barmans, além de tirarem bebida nos rígidos padrões de qualidade, ainda fazem aparecer o trevo da sorte, outro símbolo do país, junto à espuma.

Entra e Sai de Pubs
                     Para seguir bebendo Guinness e outras cervejas irlandesas, o endereço mais conhecido é o bairro do Temple Bar, repleto de bares, cafés, restaurantes, lojas vintage, livrarias, sebos e galerias repaginadas nos anos de 1990. Também é popular o mercado de comida do bairro, que, realizado aos sábados, oferece uma vasta opção de iguarias prontas para ser saboreadas.


Boêmia por natureza, o que lhe rendeu o apelido de Temple Barf (barf é vômito em inglês), a região concentra os pubs mais famosos da capital. É o caso da construção vermelha que nomeia o bairro, certamente um dos locais mais fotografados e estampados em cartões postais. Por isso, não espere encontrar preços modestos por lá. Ao lado, o Oliver St. John Gogarty pode até não ser muito freqüentado pelos nativos, pois não é originalmente rústico nem antigo (mas é bem planejado para parecer como tal). 


Ainda assim, o movimento da casa é grande graças às apresentações de boa musica irlandesa (a partir das 14h). Das 23h às 23h30, há shows de dança típica, quando a musica é interrompida para que um casal sapateie no tablado de madeira. O pequeno espetáculo mostra a arte como ela é praticada nas cidades do interior e escolas do país antes de passar pelos filtros da Broadway. Está longe de ser uma produção do grupo Riverdance, que tornou a dança irlandesa um fenômeno mundial, mas vale a pena.

Cerveja e Literatura
                Ainda no Temple Bar, a Porter House Brewing Company, decorada com rótulos e garrafas de diversos estilos e anos, produz uma série de cervejas. Além de saborear os tipos ale (mais avermelhada), Porter (um pouco mais fraca que a stoutI) e outros gêneros, é possível levá-las para casa. Outra boa pedida é o tradicional e pitoresco pub Stag´s Head, na região da Merrion Square, freqüentado por estudantes da Trinity College. A casa de 1770 foi repaginada em 1895 (e permanece do mesmo jeito desde então). Beber ali ganha um clima especial quando se imagina estar na mesma poltrona ou sofá usados um dia por James Joyce (1882-1941), grande expoente da literatura irlandesa e autor de clássicos como Ulisses e Dublinenses.
                      Mas não foi só o Stag´s Head que, com uma “ajuda” de Joyce, ficou famoso: diversos pontos de Dublin ganharam atenção especial daqueles que leram os relatos do escritor ou que pelo menos sabem que ele retratou Dublin muito bem. Nas palavras de Joyce, se a cidade fosse banida do mapa, seria possível reconstruí-la por meio de Ulisses. Assim, o Temple Bar, o Castelo de Dublin, a Grafton Street e vários outros lugares não estão apenas registrados na grande obra literária, mas de fato existem e encantam quem passeia  pela chuvosa cidade. Prova disso são as celebrações no dia 16 de junho, o Bloom´s Day (uma referencia a Leopold Bloom, protagonista de Ulisses), espécie de St. Patrick´s Day para os aficionados por literatura em geral.
Dublin, classificada pela Unesco como a cidade da literatura, também é o berço de uma lista invejável de escritores contemplados com prêmios Nobel – George Bernard Shaw, William Butler Yeats, Samuel Beckett e Seamus Heaney-, sem contar com Bram Stocker, criador da mais famosa história de vampiro, e o polêmico Oscar Wilde. As casas dos dois últimos ainda existem: ficam na Kildare Street 36 e na Merion Square North 1, respectivamente (são indicadas com placas). A região da Merrion Square conta ainda com belas construções da era georgiana  museus, a exemplo dos de Arqueologia, de História Natural e da National Gallery. Mas é mesmo a estátua de Oscar Wilde, uma escultura colorida bem em frente à casa do autor, retratando-o com uma leve cara de deboche, tão típica de seus personagens, que recebe mais atenção dos turistas.

Biblioteca Jedi
                Em uma cidade que respira literatura, uma visita obrigatória é a biblioteca da antiga Trinity College, a universidade de maior prestígio do país, que guarda o Livro de Kells. Todos os anos, 500 mil pessoas encaram uma senhora fila para ver o manuscrito do ano 800 produzido por monges celtas do Mosteiro St. Colmcille, na Escócia. A obra contem os quatro Evangelhos do Novo Testamento escritos em latim e ilustrados artisticamente à mão, relíquia que, na Idade Media, passou por um jogo de rouba e esconde até ser entregue aos cuidados da universidade de 1661.

                Outra atração de peso é a Long Room, sala de 65 metros de comprimento onde estão os 200 mil livros mais antigos da Trinity College. Mesmo quem nunca pisou nessa área pode ter a sensação de já tê-la visto. “O cineasta George Lucas fez uma foto da biblioteca e a usou em Star Wars”, explica um dos guardas da sala. A partir daí, o espço é lembrado como a biblioteca dos Jedis (personagens da saga Guerra nas EstrelasI).  Na biblioteca há ainda uma das poucas cópias da proclamação de independência da Irlanda, de 1916, lida pelo escritoe e ativista político Patrick Pearse no começo do levante. O movimento foi reprimido por tropas britânicas, adiando por décadas a separação entre o que hoje são a República da Irlanda (ou Eire, em irlandês) e a Irlanda do Norte (parte do Reino Unido),  o que ocorreu em 1949.
Aproveite a visita e faça também o tour de meia hora guiado pelos estudantes da Trinity, que explicam a função de cada prédio, os rituais universitários e, claro, citam os figurões que lá se graduaram, como os escritores Oscar Wilde, Samuel Beckett e Jonathan Swift.

A Misteriosa Molly Malone

             O maior burburinho da cidade é ali perto, na Grafton Steert, rua exclusiva aos pedestres reconhecida pelo piso avermelhado e pelos prédios de estilo georgiano – como a loja de departamentos Brown Thomas. Quando os dublinenses dizem que vão ao “centro”, se referem a esse bulevar, que combina belas e tentadoras vitrines com apresentações de músicos.
No início da rua, destaca-se uma estátua de ferro dedicada a Molly Malone. Mais uma escultura icônica da cidade, ninguém sabe se a moça realmente existiu. Ainda assim, a personagem faz parte do imaginário irlandês, e não há criança por ali que não saiba cantar os versos : “In Dublin fair city/where the girls are so pretty/I firt set my eyes/on sweet Molly Malone” (Na atrativa Dublin/onde as garotas são tão bonitas/a primeira coisa que vi/ foi a Molly Malone).
                  Conta a lenda que a formosa menina vendia peixes e mexilhões num período em que a fome assolou o país, por causa de uma praga que devastou as plantações de batata, catástrofe que realmente ocorreu – só em 1847, morreram cerca de 1 milhão de pessoas por desnutrição. Nesse cenário, o destino da garota foi trágico: segundo a canção, ela morreu de febre antes que alguém pudesse salvá-la.
Enquanto a estátua de Molly serve de pit stop para os visitantes no início da Grafton Steert, o parque Stephen´s Green oferecer momentos de descanso no fim da rua. Se o tempo ajudar, será possível observar os moradores relaxando ali, aproveitando os aguardados raios de sol. Ao caminhar pelo agradável parque, mal dá para imaginar que, durante a Idade Média, ele servia de palco para as execuções por enforcamento ou fogueira. 
Castelo e Catedral
E já que a época medieval foi evocada, para explorar o que restou desse período as melhores paradas são o castelo que tem o nome da cidade, a Igreja de St. Patrick e a fotogênica e icônica catedral, erguida a partir de 1030. E para degustar uma cerveja num pub que remonta a essa antiguidade toda, passe no Brazen Head, um dos mais antigos de Dublin, datado de 1198 e cujas prateleiras estão cheia de livros – para não desperdiçar tal acervo, a casa promove saraus de leitura de textos clássicos.
Embora seja um pouco afastado do centro, o Brazen Head é próximo ao Rio Lyffey, com acesso pela Lower Bridge. Tanto quanto para beber uma stout, uma boa ideia é tomar ali um típico café da manhã irlandês, à base de salsicha, ovos, bacon, tomate e feijão com molho de tomate adocicado, e então explorar o pedaço. É uma boa oportunidade de conhecer as pontes que cruzam o rio – a Ha´penny Bridge, toda branca com candelabros, é uma das mais bonitas. Outra opção para aproveitar as águas e a brisa do Liffey é um passeio de barco rumo às docas. Por lá, projetos arquitetônicos moderníssimos, dos anos de 1990, fizeram da região um belo espaço à beira-rio, com prédios de vidro e fachadas inovadoras. Um ponto alto é a Samuel Beckett Bridge, do arquiteto catalão Santiago Calatrava, também branca e em forma de harpa, o símbolo nacional.
Para materializar um pouco tudo o que foi visto em Dublin, a Carrolls Irish Gift Store, cuja principal unidade fica ao sul da O´Connell Bridge, será um pit stop e tanto. O espaço oferece todo tipo de lembrança, entre produtos oficiais da Guinness, CDs de musica irlandesa, bijoux com motivos celtas, símbolos da sorte, como trevos verdes e miniatures de leprechauns, guloseimas....
Ao fim da estada, especialmente para quem conseguir vivenciar as festividades em torno do St. Patrick, o dia 17 de março nunca mais será igual – ainda que sua cidade de origem tenha pubs animados e até organize uma festa no St.Patrick´s Day. E se a Guinness terá o mesmo sabor depois da viagem, é difícil dizer. Os ingredientes da cerveja servida no Brasil serão os mesmos, mas o cuidadoso ritual para tirá-la à perfeição, no clima e na tradição como os irlandeses apreciam, só em Dublin mesmo.

Informações Gerais

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Melhores Pubs em Dublin — Top 5


Escolher os melhores entre os mil pubs existentes em Dublin não é tarefa fácil. Provavelmente cada um dos 1,2 milhões de habitantes da capital têm lá seu pub para chamar de seu e eles não devem concordar entre si. Ainda assim, vai a tentativa, mesmo que muitos locais e turistas discordem da lista.

Oliver St. John Gogarty
A casa é irritantemente turística, milimetricamente pensada para ser tradicional e a comida ainda é cara e ruim. E por que raios o estabelecimento está na minha lista? As apresentações de música e dança irlandesa compensam todas as outras pendengas. Os músicos são ótimos, animados e apresentam  canções de qualidade do tradicional e clássico repertório de Pubs como a “Whiskey in the Jar” (vídeo). Apelidado carinhosamente por mim como o Green Pub, o Gogarty fica bem no Temple Bar (Fleet Str. 58-59). Dentro do pub, há uma estátua do poeta que dá nome à casa! Se a fome apertar, tente a degustação de ostra com Guinness!

Stag´s Head
    Na área da Grafton Street (Dame Ct. 1) esse pub é um dos queridinhos dos estudantes da Trinity College. Construído em 1770, reformado em 1895, a grande “sala de estar”, com decoração marcada por bastantes elementos em madeira, não mudou muito desde a sua última repaginação do século 19.  À noite, jovens com jeitão de estudante (barbas por fazer e pouca idade) lêem o The Irish Times sozinhos, acompanhados por uma pint! Por volta da meia noite é anunciada a venda da última rodada. Pena que só há comida até às 18h.

Porterhouse Brewing Company
    Como o nome já diz, o espaço (Parliament Str. 16-18) é também uma fábrica de cerveja, de onde saem diversos tipo de stouts, porter e ale. É possível até levar umas garrafas para casa. Todo em madeira, dá uma certa invejinha da coleção de rótulos e garrafas da decoração. No cardápio, tortas do dia à moda inglesa e lasanha de abobrinha. Inevitável não lotar à noite, o último andar tem uma vista bonita para o Temple Bar. 

Brazen Head
Esse é um dos pubs mais antigos de Dublin, próximo das extintas fortificações da cidade medieval (Lower Bridge St.). Desde 1198, a casa era uma taverna dos normandos. Hoje em dia, o público é bem mais eclético, estudantes de escola de inglês, turistas e locais. Há diversos espaços, alguns com um quê mais de restaurante, além de uma sala de decoração verde, reservada para sarais e leituras dos clássicos da literatura irlandesa. Para dia mais frios, a lareira da primeira sala é uma boa pedida.
Portobello Pub
  Na região dos grandes canais (South Richmond Str.), na área sul da cidade, o PUB alimenta os trabalhadores da região. De manhã, enquanto alguns encaram o café irlandês (ovos, bacon, salsichas, tomates e feijão com molho), outros já assistem com uma pint em mãos o andamento do Hurling, o esporte nacional, semelhante ao hóquei. Há diversos ambientes, todos decorados em madeira, além de fotos e objetos antigos dos tempos da revolução de 1916, uma pré tentativa de independência.



sábado, 6 de outubro de 2012

Uma carona bem peculiar


Ainda na leva sobre posts irlandeses, resolvi narrar uma carona por aquelas bandas. Não sei dizer com exatidão quem bebe mais, se um irlandês ou um alemão. Acho que alguém deveria escrever uma tese sobre culturas comparadas para verificar quem é melhor de copo. Fato é que apesar de beberrões, os irlandeses são pessoas muito hospitaleiras. Encontramos um velho conhecido, num pub no bairro de Raheny (esse aí da foto), que insistiu em nos dar uma carona até o teatro, no centro da cidade. Já estávamos com os ingressos do Dubliners em mãos, quando vimos o Sean, acidentalmente, e acabamos perdendo um pouco a noção do tempo com o bate papo. Assim, muito solícito, ele cismou que nos levaria até o local. 
Resolvi não perguntar que horas ele tinha “aberto o escritório” e começado a entornar as Guinness. A única informação que recebi, após parar no terceiro copo, era que ele conseguia ir até o sétimo! Detalhe sem importância nesse momento. Outro fato que não podemos desconsiderar é que nosso solícito amigo sofreu há anos um acidente de carro e não tem mais um braço. Bom, tecnicamente ele tem, mas não funciona mais. Ficou paralisado como se ele tivesse tido um derrame. Assim, entramos no carro rindo e pedindo para o anjo da guarda dar um reforço, lembrando do ditado popular que Deus olha os bêbados e as crianças. Sim, lá fomos nós de carona com um senhor de óculos, dirigindo com uma mão só, depois de tomar váriaaassss Guinness! O detalhe da direção no lado direito passou até desapercebido nesse instante.  O que a gente não faz pela interação com os locais. Pior foi a observação: “como eu bebi um pouco, vou deixar vocês no ponto de ônibus do centro, mas não na frente do teatro por causa do tumulto”!. God! Se o Sean fosse contemporâneo ao Joyce, ele certamente seria inspiração para uma das histórias!
Como deu pra notar, chegamos vivos e em tempo para a peça!


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Como tirar um pint de Guinness

      Tenho uma confissão a fazer. Mesmo morando quase um ano em Dublin, nunca tinha colocado os pés na fábrica da Guinness, de 1759, um imã de turistas da capital irlandesa. As tarefas do dia a dia acabam nos distraindo e deixamos um pouco o turismo de lado. Assim, ao longo de todos aqueles meses, aprendi a degustar pints em inúmeros pontos da cidade e torcer o nariz para aquelas mal tiradas. Mas nunca havia botado a mão na massa, por assim dizer, tarefa que deixei para minhas goladas mais maduras, alguns anos depois. E essa é a atração mais legal da Guinness Storehouse. Tirar a sua própria stout! Ali são produzidas todos os dias 3 milhões de pints. Ainda em tempo: ao contrário do que muitos pensam, a água da bebida não vem do Liffey, mas sim das montanhas Wicklow, nos arredores de Dublin. Sim, assumo, é coisa de turista, para fazer qualquer irlandês rir, mas a partir de hoje, podemos exibir ao lado da nossa coleção de quase 250 rótulos de cerveja, um certificado de que aprendemos a tirar a bebida perfeitamente! 

     O espaço de visitação é bem legal, mostra todo o processo de produção da marca, a mistura dos ingredientes, a diferença da stout em relação à porter (tecnicamente esta é um pouco mais fraca) e por aí vai. Mas degustar a Guinness tirada por nós mesmos, não tem preço (desculpe pelo chavão). Fizemos a lição de casa e anotamos cuidadosamente todas as recomendações. Aí vai:

1.    A bebida é servida a 6 graus Celsius. Observe se o copo está frio e nunca use um recém saído da máquina de lavar louça. Marcas de batom também são abomináveis.

2.    Incline a pint em um ângulo de 45 graus em relação à bomba, puxe-a para frente e deixe o líquido escorrer. Quando a cerveja chegar na altura da base da harpa marcada no copo (o logo não serve só de propaganda), desincline-o e deixe cair um pouquinho mais de Guinness até o topo da harpa.

3.  Deixe a bebida decantar por alguns segundo. Complete o copo com a cerveja, apertando a bomba para trás (para não sair mais gás). Espere mais um pouco até a Guinness “assentar”.

     
     Todo o processo dura 119.5 segundos. Quase dois minutos! E sim, aqui o ditado popular se aplica: a pressa é inimiga da perfeição! Depois é só degustar os 4,2% de teor alcoólico da Guinness Draught e esquecer das suas 198 calorias (menos que uma pint de suco de laranja, diz a lenda)! Alimenta e não dá ressaca! E para aqueles que não confiam em sua mãos trêmulas, aposte nos Barmans do Gravity Bar, no topo do edifício. É bom de ver e bom de beber! A precisão é tamanha que a espuminha vem até com a harpa demarcada (uma espécie de latte art na cerveja). Deve ser  porque mais perto de Deus, a Guinness tem de ser tirada com muito mais perfeição.






 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Dublin revisitada


Sete anos se passaram desde a primeira vez que vimos o Liffey correr por Dublin. Como estaria a cidade desde que a deixamos? Embora tivéssemos intimidade com aquelas ruas às margens do rio, com aquela chuva fina e brisa gelada, receávamos não encontrar tudo do jeito que deixamos. Afinal, não só as pessoas mudam, as cidades também se transformam. Claro que muita coisa ainda estava lá, do mesmo jeito que James Joyce descreveu no começo do século 20, do mesmo jeito que vimos há longos ou curtos sete anos. A movimentação na Grafton Street, as mesmas lojas e o murmurinho de pessoas na ponte O´Connell, grupos de estudantes em frente à Trinity College e até mesmo os canais. A tradicional hospitalidade irlandesa também não desapareceu. Logo após deixarmos o aeroporto, uma garota de sotaque particular nos deu seu tíquete do transporte público irlândes, válido por três dias. "Estou indo embora, mas ainda tem 24 horas para vocês pegarem os Luas, Darts e ônibus", disse sem tentar vender o passe.
Não fosse a tal garota, talvez não tivéssemos resolvido ir até Howth, um vilarejo portuário ao Norte de Dublin. Costumávamos ir à vila nos finais de semana, passeávamos pelo porto, tomávamos sorvete, olhávamos as gaivotas. Por lá pouca coisa tinha mudado. A sorveteria que trabalhei por dois finais de semana estava pintada de verde e rosa, o mesmo sebo de livros ainda tinha aquele cheiro de pó e o vento continuava cortante ao longo do cais. Na volta, o ônibus 31, sentido Lower Abbey str., passou pelo bairro de Raheny, onde morávamos naqueles tempos. Já tínhamos decidido não ir até lá, pois era uma área distante do centro e não tínhamos muito tempo para sentimentalismos.
 Mas o ônibus circulava devagarzinho por aquelas ruas residenciais, não tão conhecidas pelos guias de viagem. Descemos de supetão. A paisagem estava congelada, as moradias de tijolos avermelhados eram exatamente iguais e não tínhamos mais certeza em qual rua estava a casa que nos abrigou naquele inverno. Um pavimento tortuoso entre as árvores me pareceu familiar. Meus sapatos reconheciam aquele curto trajeto. Caminhei devagar, tentando dar pistas para minha memória enferrujada. Uma placa de jardim marcava o nome da rua: Betty Glen! Era ali! Fomos a passos lentos até pararmos bem em frente a casa. 


Naquele sobrado, há sete anos, uma senhora irlandesa recebia estudantes.  A Dympna levava seu trabalho a sério. O jantar era sempre servido às 18h30, sopa, toastes de alho e manteiga, salada e um prato principal. Até às 20h, ela ficava na cozinha, conversando com os alunos com seu leve sotaque irlandês. Sabia de tudo que se passava no bairro, até mesmo se tínhamos visitado a igreja ou a biblioteca local. Muitas vezes, Sean, seu marido, chegava do pub, abria a porta da cozinha com as bochechas vermelhas de tanta Guinness. "Não sobrou nada para você", dizia ela. Apesar do seu temperamento, nos tornamos amigas. Mostrava fotos da minha família, ela falava mal do seu futuro genro, um sujeito que, segundo ela, só pensava em futebol e era caixa no supermercado Tesco. Quando estava mais eloqüente, até respondia nossas perguntas sobre a independência da Irlanda. Olhava para a porta de entrada da casa, verificava se o marido não estava por perto e arrematava: “o Sean não gosta que eu fale isso, mas, se não fosse o IRA, estaríamos até hoje esmolando por batatas”, dizia. Mesmo adoentada - ela tinha acabado de se tratar de um câncer e ainda usava peruca - a Dympna continuava a lotar o lar de estudantes, apesar da reprovação familiar. 

Olhávamos para a casa e relembrávamos de todos esses momentos. Observamos a janela do quarto onde dormíamos. Dava para ver, apesar do reflexo do vidro, a parte detrás da televisão sobre a mesa. Aparentemente até a disposição dos móveis estava a mesma. Algo me dizia que a Dympna não morava mais lá. Em frente a porta de entrada, folhas amarelas rolavam no chão e denunciavam a chegada do outono. Aquela cena não era comum há sete anos. Uma vizinha abriu a porta, entrou no carro. Cogitamos perguntar sobre os moradores da nossa antiga casa, mas achamos um pouco fora de propósito. Sem especular mais, decidimos tomar uma Guinness no Cedar, um pub bem local, onde íamos durante a semana à noite, para arejar a cabeça depois dos estudos. Lá nós passamos a noite de Réveillon de 2004 para 2005. Dois estrangeiros, há menos de oito horas no país, com um monte de irlandês bêbados, celebrando a chegada de mais um ano!

Ao entrar no Pub, encontramos o Sean, sentado no sofá entre dois amigos, com uma Guinness em mãos (claro!). Ele assistia a final do golfe na TV. Pensamos em ir embora, mas tudo parecia muita coincidência e resolvemos falar com ele. Preparamos bem os ouvidos, afinal o sotaque dele sempre nos deu calafrios (tink, righsch). Ali, no mesmo pub de sempre, ele perguntou estonteado "como vocês se lembram de mim"? Fomos apresentados a todos os locais como os brasileiros que chegaram da Alemanha para revê-lo. Entre uma discussão e outra para ver quem pagaria a próxima rodada, recebemos todas as atualizações do bairro. O barman John foi afastado por problemas de saúde e a Dympna não morava mesmo mais naquela casa!
Eu sabia! Ela nunca permitiria aquelas folhas melancólicas rolando na frente da casa dela. No mesmo mês que voltei para o Brasil, em setembro, ela faleceu. A notícia veio dura e seca. Sem eufemismos como “she passed away”. O marido disse logo, curto e grosso, apesar da voz embargada: “she died”. Embora ela tenha dito que precisasse ir ao hospital naquele período, não esperávamos o pior. Mesmo do seu leito, ela ainda coordenava o jantar, que as filhas tinham de ir deixar para os estudantes na sua ausência. Como contou o Sean, ela foi ao casamento da filha com o fanático por futebol e morreu sete dias depois. Tudo isso em um curto espaço de tempo, durante meu retorno. Jantamos com ele no dia seguinte, em Raheny, onde ele mora já há 60 anos.

Depois da sua morte, a Dympna ganhou mais três netos, Luke, Rebeca e Jessica. Primos dos nossos velhos conhecidos Christine e Steven, agora dois pré-adolescentes. Acho que a Dympna está metida nesse monte de coincidências, talvez lá do céu, organizando o acaso da nossa visita. Dublin estava lá com pequenas mudanças, as eternas ruínas de igrejas medievais, enquanto seus habitantes iam e vinham.