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sábado, 4 de maio de 2019

A leveza da idade

Não costumo ter bloqueios para escrever posts. Síndrome da tela vazia do Word só acontece com trabalho. Aliás, posts em geral são a antítese disso. Quando empaco com matérias ou tese, chuto o fantasma A4 pro alto e escrevo qualquer paranoia, comentário ou abobrinha para o blog. É um ótimo laxante de ideias. Mas eis que estou há três semanas evitando abordar minha primeira experiência dando aulas. O problema não é a novidade ou o desafio da experiência em si. Acho que a obstrução tem a ver com o cheiro. Podem seguir com a leitura despreocupados. Não virá nada escatológico. 

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Dez Anos

Há exatamente dez anos – em 28.11.2008 – entrei num avião rumo à Leipzig, imaginando que voltaria depois de um ano para procurar um emprego melhor em São Paulo. Tudo muito certinho e definido como jovens adultos (daqueles chatos) costumam fazer. Hoje me parece bastante óbvio que as coisas tomaram outro rumo. Mas este seria o enésimo post falando de como não controlo absolutamente nada do que julgo controlar. Então, deixemos esse problema de lado. Desde então muita coisa mudou, a cor do cabelo (deixaram de ser vermelhos), o peso (toda senhora respeitada ganha uns quilinhos), a forma de ver o mundo, as cidades, o país, meu gosto por Milan Kundera ou a superstição pelo número três ou sete. 

terça-feira, 17 de abril de 2018

Bath: 10 atrações para curtir a cidade

Bath
Somente a duas horinhas de trem de Londres, Bath é um ótimo refúgio de fim de semana, para escapar do burburinho da capital. Com 85 mil habitantes, essa pequena cidade é um ícone da arquitetura georgiana no Reino Unido. Além de abrigar uma das termas romanas mais bem preservadas do mundo. Adoraria desaparecer por aqui por longas semanas, com uma coleção de livros de Austen, – a moradora mais proeminente por essas bandas–, e um vale spa diário. Mas para quem só tem um curto final de semana, aqui estão as principais atrações. 

terça-feira, 10 de abril de 2018

Jane Austen em Bath

Essa cidadezinha de pouco mais de 80 mil habitantes, a poucas horas de Londres, é um exemplo de arquitetura georgiana na Inglaterra e a única declarada como Patrimônio Cultural da Unesco, desde 1987. E a moradora mais proeminente por essas bandas foi ela mesmo – Jane Austen. A escritora que retratou a vida das mulheres no início do século 19, morreu sem ver nenhuma de suas obras publicadas com seu nome verdadeiro. Havia um certo preconceito à época contra escritoras do sexo feminino. Para colocar o problema de modo educado. 

segunda-feira, 2 de abril de 2018

PUBs: uma instituição cultural britânica


Não há nada mais inglês que os PUBs. Acho que nem a própria rainha. Imagine um local onde você frequenta para ler o jornal, escrever, tomar uma (duas, três, dez) pints, jogar um quizz, encontrar os amigos, bater um rango, assistir esportes na TV, tomar um chá quentinho, ouvir bandas ao vivo ou até mesmo tirar um sarro da rainha. Poderia ser a sala da sua casa, não? Um PUB não é lá muito diferente, ainda mais esses de bairro. Sofás com almofadas, carpetes, prateleira de livros antigos, lareira e todo mundo conversando um com os outros. A coisa é tão séria que várias estações de metrô receberam nomes de Pubs históricos. Sem contar os estabelecimentos descritos nas obras de Dickens.

Melhores Pubs de Londres

Best Pubs in London



quarta-feira, 14 de março de 2018

Cinco razões para amar o metrô de Londres


Juro que não há nenhuma ironia nesse título. O tube londrino pode ser sim intragável. Pergunte para qualquer sujeito que se aventure pela Central Line em horário de pico, especialmente durante o verão. Além de exageradamente movimentado (são 1,37 bilhões de passageiros ao ano), meio milhão de ratos habitam os túneis do Underground – modo como o metrô é conhecido aqui na Inglaterra, pelo menos desde 1908. Uma voz docemente irritante de taquara rachada nos acompanha repetindo freneticamente “Mind the Gap” (cuidado com o vão entre o trem e a plataforma) como um disco riscado. Como se não bastasse, ainda é um antro de poluição. Segundo um estudo de 2002, o ar dos túneis é 73 vezes mais “sujismundo” que o da cidade em si. Um mísero rolezinho de 20 minutos pela Northern Line equivale, por exemplo, a um cigarro. Aliás, fumar no metrô foi uma prática permitida até 1987, quando um incêndio na estação King’s Cross causou a morte de 31 pessoas. O álcool, leia-se a birita subterrânea – foi abolido em 2008! E sim, apesar de sujo, poluído, lotado e irritante é a melhor forma de conhecer Londres. Veja porque:

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Londres: Manual de Adaptação

Pisei em 2018 com a promessa de que deixaria Londres finalmente entrar no meu coraçãozinho. Em alguns meses fará um ano que mudei e ainda continuo numa relação de amor e ódio com essa capital britânica. Dá até para embaralhar os posts bem-me-quer e malmequer. Como é possível gostar e detestar tanto alguma coisa? Sentir atração e repulsa ao mesmo tempo? A maluca aqui não sou eu, mas sim essa cidade exageradamente cheia de opções e preços salgados. Isso inclui aluguéis, transportes, baladas e restaurantes.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Londres e Imprevistos cotidianos

ou como a Europa anda muito da esquisita...

Nunca pensei tanto no Stefan Zweig como esse final de ano. Não por sua frase célebre – “Brasil o país do futuro” – afinal, a otimista observação sempre foi vista com gracejos irônicos sobre esse “Zukunft” imaginário! Tempo é uma questão de perspectiva mesmo. Provavelmente porque somos brasileiros e não desistimos nunca! Rá. Mas, dessa vez, não é o Brasil e sua cara de peroba, mais sem graça e estúpida que as pegadinhas do malandro, que não me tiram o autor austríaco da cachola. Há uns três anos li “O Mundo de Ontem, Recordações de um Europeu” (acho que é esta a tradução) em que ele descreve suas andanças pela Europa “livre, leve e solto”. Como diria Caetano “sem lenço, sem documento”. Perambulações antes da Primeira Guerra Mundial, quando passaportes não eram necessários. Na verdade, o livro mostra essa estrutura toda se rompendo e as consequências das bizarrices políticas do século XX na vida pessoal do autor. Ainda assim, não parece um sonho poder ir e vir sem ter que apresentar documentos, extrato bancário, cor da calcinha, estilo de depilação, estatura e toda sua vida pessoal? Dreamer...

terça-feira, 31 de outubro de 2017

O túmulo do Marx em Londres

... uma história do dia das bruxas 

Preciso de um título “googlável”, mas ao escrevê-lo já sinto uma náusea similar a de um vegetariano preso em um açougue de um zouk marroquino. SEO é uma desgraça, não? Um mal necessário da blogosfera, o balde de água fria em qualquer aspirante a escritor de qualquer bodega. Queria mesmo titular este post como “as incongruências do mundo”, mas isso afastaria o leitor ainda mais do que esse gigante nariz de cera! Portanto, vamos logo ao assunto. Halloween! Gosto tanto da ocasião como  de chuchu, tartarugas, samambaias e aquela lata sem gosto de marrom glacê. Em alto e bom tom, não fede, nem cheira. Tem tanto tempero quanto comida de hospital. Um carnaval com toques de horror onde a garota propaganda é aquela abóbora bochechuda com o mesmo sorriso amarelo desde que o Thomas Jefferson trabalhava na declaração da independência dos EUA. E antes que algum sabichão venha falar das origens celtas da celebração – blá... E o que o Marx tem a ver com isso tudo? Ainda chego lá. Por enquanto, só torturando o desocupado leitor, descontando nele a miséria de ter que abrir a porta e ver crianças histéricas perguntando “doce ou travessura”...

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Londres e coincidências estranhas II

Faz tempo que planejo escrever um post turístico sobre a capital inglesa – tipo a Londres da realeza, os mercados mais descoladinhos, grafites secretos, os canais perto das docas, o que fazer “na faixa” e por aí vai–, mas sempre aparece algum “maluco” (no melhor sentido da palavra) e me desvirtua da ideia inicial. 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Melhor de Londres – a metrópole da coexistência


Depois de uns 40 dias de adaptação, desde que deixei a bolha do bem estar social alemão e cai de paraquedas na capital inglesa, minha convivência com a cidade tem melhorado bastante. Estava disposta a não me deixar seduzir por esse centro financeiro global, ávido, hostil e ligeiramente arrogante, mas alguns desafios nos instigam além do normal. Especulação imobiliária e excessos de serviços financeiros são, sem dúvida, uma faceta local. Abro as janelas de manhã e tomo café com os edifícios do Bank of America, Citibank, Barclays e HSBC me observando. Canary Wharf – o centro financeiro londrino – está logo aqui com todas suas empresas, lojas, restaurantes, bares e todo um setor terciário à disposição, sem contar com a intersecção de transportes. É prático, pena que não provoca ou atrai suficientemente.  

segunda-feira, 20 de março de 2017

Londres e o mercado imobiliário – estranhas coincidências


Não gosto muito de posts de serviços, explicando o bê-á-bá de como resolver um problema em outra cidade. Sim, eles são necessários, mas chatos pra danar de escrever e/ou ler (a não ser que você seja o cara em apuros). Mas talvez eu mude de ideia e faça, algum dia, um guia prático sobre como achar um espaço embaixo da ponte só seu na capital inglesa.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O que fazer em Londres de graça

Londres low – cost 

Por Regina Cazzamatta 
(Texto originalmente publicado na Revista Viaje Mais! Novembro de 2015)

               Mesmo em tempos de real desvalorizado, é possível fazer um roteiro incrível pela capital inglesa, já que a multicultural e fervilhante metrópole é pródiga de atrações gratuitas. E superbacanas, of course. Não é exagero cravar que Londres é a cidade mais internacional do planeta. Por mais de 300 anos, do século 18 ao 20, a cidade foi o coração de um vasto império onde o sol nunca se punha, uma vez que a Inglaterra detinha colônias que, do Extremo Oriente às Américas, pontuavam todos os trechos do mapa-múndi. Assim, num movimento de ação e reação, se a terra da rainha tinha zilhões de súditos ao redor do planeta, ela também era influenciada pelos países por onde os britânicos passavam.

             E isso legou a Londres um irresistível espírito open-minded e novidadeiro, uma torre de Babel que sacode as ruas com 300 idiomas além do inglês e com aromas, sabores, músicas e vestimentas tradicionais que remetem a qualquer canto do mundo. Sem contar as tantas tribos que povoam a metrópole: dos alternativos na excêntrica região de Camden Town ao pessoal mais aristocrático, que toma o chá das 5 na Fortnum + Mason, loja que fornece produtos para a família real inglesa. Live and alive, Londres é uma constante simbiose entre a tradição e o fervilhar de novas tendências, que tem como pano de fundo um esplendor histórico que remonta a dois mil anos. 
              Mas há um “singelo” detalhe a ser considerado pelos brasileiros, especialmente em tempos de real desvalorizado: Londres é um dos lugares mais caros do planeta e, repleta de maravilhas arquitetônicas, artísticas, consumistas e gastronômicas, pode esfolar seu bolso. Mas isso de forma alguma deve ser um impeditivo para essa viagem fascinante, já que a metrópole oferece um sem-fim de interessantíssimas atividades gratuitas. E tudo da mais soberba qualidade, caso de alguns dos museus mais espetaculares do mundo, como British Museum (aquele com tantas múmias e sarcófagos), National Gallery e Tate Modern. Atrações icônicas, como a troca da guarda no Plaácio de Bucingham e o interior do Parlamento, marcado pela torre do Big Ben, também têm acesso free, assim como os formosos parques e praças, mercados e uma porção de monumentos e prédios históricos. Sim, todas essas lindezas são visitadas sem que se gaste uma única libra. 

United Colours of London

Para começar as explorações londrinas, o primeiro passo é adquirir o cartão recarregável Oyster, vendido em qualquer estação de metrô, central de informações turísticas e lojas que tenham o logo do cartão, para poder se aventurar no intricado sistema de metrô e de linhas de ônibus. Com um depósito retornável de £ 5, mais um crédito cuja quantia você decide, o cartão inteligente calcula automaticamente ao fim do dia de uso a melhor tarifa a ser debitada, de acordo com o quanto você saçaricou. Passou muitas vezes pela catraca? Então será descontado, no máximo, o valor de um passe diário (£ 6,40). Pegou um ônibus em seguida de outro em menos de duas horas? Nada será debitado.
Além da praticidade na cobrança e de o sistema permitir que se alcance qualquer parte da metrópole, não há melhor maneira de respirar a atmosfera de salada cultural da cidade do que no transporte público. Um terço da população londrina nasceu fora do Reino Unido, e essa miscelânea de tipos e estilos desfila entre os turistas ali no tube, como os locais chamam o metrô. Business ladies de terninho e corte de cabelo Chanel leem o The Guardian ao lado de rapazes de picumã colorido e grandes fones de ouvido, cena típica completada pela voz que ecoa dos alto-falantes a cada estação dizendo “mind the gap”, que significa que o passageiro deve ter cuidado com o vão entre a plataforma e o trem.

Tradições Reais

Com o Oyster comprado e abastecido, corra para o metrô mais próximo para começar a conhecer os cartões-postais na “faixa” da capital. Na Trafalgar Square, o circo pega fogo. Lá, o pessoal perambula e até toma sol em trajes de banho nas tardes de domingo, artistas fazem as mais diversas apresentações e, dependendo do dia, você pode topar com um protesto, show ou comemoração como Natal e revéillon. Um burburinho vigiado pela estátua do almirante Nelson — oficial que liderou a marinha britânica e derrotou a turma de Napoleão em batalhas como a que dá nome à praça—, a qual se impõem no alto de uma coluna e é circundada por quatro imponentes leões.
A troca da guarda no Palácio de Buckingham, que rola todos os dias, gratuitamente, às 11h30, também rememora as tradições militares do Reino Unido. A cerimônia é um dos pontos altos entre as atrações londrinas em torno da realeza britânica, sem dúvida a que mais desperta fascínio e curiosidade ao redor do globo. Recomenda-se chegar cedo para garantir um bom lugar e ótimas fotos da “coreografia”, em que os guardas desfilam em movimentos milimetricamente ensaiados, acompanhados por uma bandinha militar.
A despeito de a adorada monarquia inglesa vira e mexe ser destaque na mídia mundial — ainda está fresco na memória o frisson causado pelo nascimento e o batizado da princesa Charlotte, filha do casal real Kate e William — quem define mesmo os rumos da nação é o Parlamento, cujo trabalho pode ser acompanhar ao vivo numa visita ao Palácio de Westminster, que, entre os séculos 11 e 16, serviu de residência aos soberanos britânicos. Não associou nome e “pessoa”? O palácio é aquela portentosa e emblemática construção neogótica marcada pela torre do Big Ben, que majestosamente emoldura o Rio Tâmisa. Quando há sessões com os deputados no Parlamento, você pode entrar gratuitamente no edifício e assistir às plenárias, visitando, também, claro, os requintados cômodos. Caso contrário, é necessário entrar num tour  pago (£ 25 para adultos), que rola aos sábados. Um dos cômodos mais impressionantes é o Hall Westminster, uma das partes mais antigas da estrutura, que remonta ao ano 1099. Esse salão foi usado para coroações, julgamentos e velórios de monarcas e primeiros-ministros, a exemplo de Winston Churchill.

A Capital mais verde da Europa

A aura democrática de Londres não é vivida apenas no Parlamento. Andanças pelos parques, que ocupam um quinto do território local, também revelam a verve de todos juntos e misturados que é uma das tônicas da cidade. Nessas áreas verdes, executivos, estudantes, crianças, turistas, aposentados, pais com carrinhos de bebês, neohippies e outra tribos convivem lado a lado.
Entre os destaques está o Parque Hampstead Heath, lar de pelo menos 180 espécies de pássaros e de 23 tipos de borboletas. Um refúgio imenso e imerso entre árvores de carvalho e gramados que parece estar a quilômetros de distancia do agito londrino. Mas é só ir ao topo do Parliament Hill, nas cercanias de Hamstead Heath, para lembrar que o coração pulsante da capital está logo ao lado: do alto de uma colina, descortinam-se os prédios moderníssimos do distrito financeiro, como The Shard, arranha-céu mais alto da cidade, com 72 andares. Dali, avista-se ainda o edifício fálico chamado de “pepinão em conserva” pelos locais, com seus 180 metros e 40 andares.
            Ou seja, para vislumbrar a silhueta de Londres, não é preciso necessariamente desembolsar toda aquela grana para embarcar nas cápsulas de vidro da London Eye, a maior roda-gigante da Europa, com 135 metros de altura. São lugares idílicos e superestruturados —o Hampstead Heath tem quadras de tênis e de outro esportes, piscinas, playground e até lagos em que as pessoas podem nadar.     Mas nenhum deles supera a popularidade do Hyde Park, o primeiro e maior parque real e Londres, em cujos jardins minuciosamente desenhados se sucedem árvores esplendidas. Mas nem tudo é certinho no pedaço: o local também se consagrou por conta do Speaker´s Corner (Canto dos Oradores), ponto onde qualquer pessoa, como já fizeram Karl Marx e Lênin, em qualquer língua, pode subir num púlpito, ou levar seu próprio caixote, caso a concorrência esteja acirrada, para soltar a voz num discurso, protesto, reclamação...
            Agora, se tudo o que você não quer nas férias é ouvir chorumela, concentre-se nos bucólicos arredores de Serpentine, lago que separa o Hyde  Park de Kensington Gardens. Esses jardins ladeiam o Palácio de Kensington, onde vivia a princesa Diana, e, além de exibirem um memorial-fonte em homenagem a ela, mantêm várias atrações com um quê de fábula, que fazem enorme sucesso entre a garotada. 

Paixão por colecionar

Com o corpo e a alma relaxados, é hora de enobrecer o espírito. E você pde fazer isso numa infinidade de museus célebres, muitos deles criados há centenas de anos, no apogeu do tal império onde o sol nunca se punha, e fruto da paixão inglesa por trazer (e muitas vezes surrupiar), colecionar e categorizar peças e objetos de toda e qualquer natureza. 
       O rei entre esses complexos é o British Museum, uma instituição de 260 anos e... com entrada gratuita. Com um impressionante acervo de 13 milhões de objetos, é o endereço de preciosidades milenares que contam a história da humanidade. Não bastassem as múmias e os sarcófagos egípcios e as esculturas e os ornamentos trazidos do Partenon de Atenas (metade do belíssimo friso que revestia o templo está no British, o que há temos é motivo de discórdia entre autoridades gregas e britânicas), o museu é a casa da vistosa máscara asteca de Tezcatlipoca; da Pedra da Roseta, que mistura hieróglifos e as escritas demótica e grega para decretar a adoraçãoo ao rei Ptolomeu V; e o Tesouro de Oxus, formado por cerca de 170 objetos persas de ouro e prata. O toque high-tech é dado pela Great Court, uma majestosa cobertura de vidro assinada pelo badalado arquiteto Norman Foster, que criou ali a maior praça pública coberta da Europa. Para aproveitar melhor a exposição, a boa é fazer uma das 15 visitas guiadas, e gratuitas, que diariamente contemplam galerias especificas do complexo. Se preferir fuçar tamanha coleção por conta própria, o British é camarada também e, em seu site (www.britishmuseum.org), apresenta roteiros para serem feitos em uma ou três horas.
Outro ícone do universo cultural da capital é a National Gallery, casa de cerca de duas mil pinturas das mais marcantes escolas artísticas da Europa Ocidental e um dos melhores acervos mundiais do gênero. Na exposição permanente, estão obras-primas como Vênus e Marte, de Botticelli; Vênus no Espelho, de Velásquez; e Os Girassóis, de Van Gogh. À parte a entrada na “faixa”, o complexo oferece passeios guiados gratuitos também, os quais partem, duas vezes por dia, do balcão de informações, na ala Sainsbury. 
Depois de saracutear pelas salas, é uma ótima ideia comer uma coisinha do National Dining Rooms, resto da National Gallery e tido como um dos melhores instalados dentro de um museu da cidade. Ali você encontrará de queijos típicos a especialidades das ilhas britânicas, sem contar os bolos e as tortas que sempre parecem recém-saídos do forno. Mas, se achar que ainda não é o momento de gastar um pouco mais numa refeição, tenha uns bons petiscos na mochila e aproveite a vizinhança da galeria com a praça Trafalgar Square para ali fazer um piquenique.
Prefere curtir as “viagens” dos artistas contemporâneos? Nessa seara, Londres faz bonito com a Tate Modern, mais um senhor complexo com entrada free. Tão impactante quanto os trabalhos de Henri Matisse, Andy Warhol e Jackson Pollock, apenas algumas das “grifes” que permeiam as cerca de 60 mil obras expostas em sistema rodizio, é o próprio projeto desse peso-pesado da arte moderna: ele nasceu no ano 2000 onde antes funcionava uma central elétrica abandonada, ainda hoje marcada pela chaminé central de 99 metros de altura.
Totalmente remodelada pelos arquitetos suíços Herzog e De Meuron — que ganharam o Prêmio Pritzker, o Oscar da arquitetura, com esse projeto —, a construção ganhou dois andares envidraçados na parte superior, e os espaçosos ambientes de outrora, caso da Turbine Hall, onde ficavam as gigantescas turbinas da central elétrica, ganharam teto e janelões de vidros para propiciar uma sensação de amplitude ainda maior. Não é à toa, esse é um dos pontos que mais congregam gente na Tate, repleto de instalações com as quais os visitantes interagem, a exemplo de uma escultura de Robert Morris que pode ser escalada. É a tal da “arte participativa” tão propalada por esse museu superpop.

Born to be funny

E como uma mulher misteriosa, cheia de nuances, Londres abandona a persona bem comportada que ostenta durante o dia, quando passeia esbanjando seus bons modos pelos parques e museus, por uma faceta festiva e boêmia à noite, revelada nos agitos do Soho, no coração de West End. Pelas ruas da região, tomadas por livrarias da moda, lojas de comic novels, sex shops e cabarés, circulam garotas de salto alto e microssaias, mesmo em madrugadas de temperaturas congelantes. Na realidade, esse é “o” lugar para estar desde o fim de tarde, quando a galera se junta para bebericar na calçada, na frente de bares e cafés.
A diversidade cultural moldada pelos 300 anos em que Londres foi a capital de um poderoso império se reflete também nos ritmos musicais do Soho: por lá, dá para curtir de fusões de melodias asiáticas a noites caribenhas e apresentações de dança africana. Já a casa Ronnie Scott´s, na ativa desde 1959, é considerada um dos melhores endereços e jazz da capital, onde estrelas como Ella Fitzgerald e Miles Davis já deram umas palhinhas. A cada noite, há três shows. Às sextas e aos sábados, há apresentações tardias, com ingresso um pouco mais em conta em relação aos shows principais. Uma bem-vinda solução para garantir uma noitada bacana sem comprometer demais o bolso.
Ainda em West End, na vizinhança de Piccadilly Circus, que marca a entrada na Broadway londrina, turistas se apinham nas filas para os famosos musicais. São cerca de 40 teatros nas redondezas, onde estão em cartaz espetáculos consagrados do naipe de Les Misérables, Cats e Miss Saigon  — e muitas dessas casa vendem ingressos por 50% do preço cheio algumas horas antes da apresentação, caso haja lugares disponíveis. Chegue com antecedência ao horário do musical para circular sem pressa por entre os letreiros luminosos e lojas de suvenires, junto dos quais músicos e artistas de rua tentam ganhar uns trocados, numa atmosfera que se assemelha um pouquinho à da nova-iorquina Time Square.
A fervilhante cena teatral engloba ainda peças mais conceituais e underground, com temática tão diversa quanto imigração, guerra no Iraque e Facebook, sem contar os clássicos do nome maior da dramaturgia inglesa: William Shakespeare. Uma excelente dica para economizar são apresentações, encenadas tal qual o bardo as concebeu, no Shakespeare´s Globe, que custam desde £5 para quem assistir ao espetáculo de pé, na arena central a céu aberto, à maneira dos groundlings, espectadores de baixo poder aquisitivo que frequentavam o teatro original de Shakespeare que ficava ali pertinho.
As peças são longas, cerca de três horas, com intervalo, mas é sensacional curtir a interação que rola entre atores e plateia, o vocabulário antigo e requintado dos textos shakespearianos, e óbvio, o lindíssimo ambiente. Ele é uma réplica do teatro que pertenceu ao dramaturgo, com direito a centenas de pinos de carvalho conectando a estrutura — sim, o guia garante que não existe um único prego ou parafuso na construção —, tijolos Tudor confeccionados especialmente para o espaço, teto de palha e reboco que leva areia, cal e até pelo de cabra, exatamente como nos tempos de Shakespeare.

A gente também quer comida

Um dos quesitos que mis contribuem para a pecha de cidade cara de Londres é a gastronomia. E isso até que tem razão de ser nos restaurantes de primeira linha, comandados por chefs como Heston Blumenthal, Gordon Ramsay e Alain Ducasse. Mas as inovadoras, e baratex, redes locais de restaurantes , com unidades nos principais pontos da urbe, como Covent Garden e Soho, estão ajudando os turistas a comer bem pagando pouco. Nessa toada, confira as lanchonetes Pret a Manger, rede mais conhecida da capital e famosa pelos sandubas e sopas, e Gourmet Burger Kitchen, cujos hambúrgueres vêm acompanhado de molhou suculentos e fritas sequinhas. Confira também as delicatéssens-cafeteria Benugo; as hamburguerias Byron; e os restos Canteen, focados nos pratos básicos da cozinha inglesa.
Mas um sinal que Londres é uma “esquina” onde o mundo se encontra são as redes que se dedicam a sabores internacionais, as quais ultrapassaram os bairros étnicos e caíram no gosto geral. São um aconchego para os olhos e estômago os restaurantes Busaba Eathai — que, em ambientes modernos e informais, serve deliciosa comida tailandesa — e os do grupo Masala Zone, especializado em thali, refeição indiana composta de pequenas porções de vários pratos. Também merecem a sua confiança as iguarias gregas do Real Greek, os pratos turcos do Tas e o frango na brasa com molho picante, tradicional receita portuguesa, do popular Nando´s.
Outra volta ao mundo dos aromas e sabores está garantida no Borough Market, em funcionamento desde o século 13. Trufas e quejo italianos, cervejas e vinhos do mundo inteiro, frutas e legumes exóticos, tortillas e tacos mexicanos, paellas, iguarias orientais, sanduíches com recheio diversos e as inglesíssimas tortas de carne se sucedem, lado a lado, nas bancas, que disputam qual receita dá mais água na boca.
Se o Borough é um mercado gourmet, o que se traduz em preços que não são exatamente uma pechincha, vale ir atrás de outros endereços igualmente autênticos, com boa comida e que, de quebra, garantem uma noite divertida. É exatamente assim o Gordon´s Wine Bar. Muito associado à boemia literária e teatral londrina, ele é um dos estabelecimentos do gênero mais antigos de Londres. Em uma taberna subterrânea, de tijolinhos úmidos, as mesas são iluminadas somente por velas. Recortes de notícias da família real enfeitam as paredes, enquanto clientes bebem diversos tipos de vinhos, de excelente custo-benefício. Como o ambiente está longe de ser chiquetoso, os bons preços estão garantidos: os pratos variam de £ 8 a £ 15, e é preciso pedir no balcão. Depois de escolher, você pode, uma vez, se servir do que quiser entre os acompanhamentos do bufê.

A visita ao Gordon´s quase confirma a frase do poeta inglês Samuel Johnson (1709-1784). “A humanidade não inventou até hoje nada melhor, que produza tanta felicidade, como uma taberna”. Isso porque, em sua época, ainda não existia o conceito das public houses, mais conhecidas em sua forma abreviada, pubs. Esses popularíssimos estabelecimentos são verdadeiras instituições sociais e, dos antiquíssimos e clássicos aos mais moderninhos, têm sempre o mesmo clima: meia-luz, muita pint de cerveja circulando e “conversê” cujo volume sobe na mesma proporção que o nível etílico dos convivas. Pode curtir essa especialidade inglesa sem moderação, seja porque você vai voltar de metrô para o hotel, seja porque você se esmerou para cumprir esse roteiro low cost e agora pode, e deve, celebrar e esbanjar um pouquinho.

Informações Gerais

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O que fazer em Londres

Top Ten experiências na capital britânica 

Como toda metrópole que mereça tal título, a capital inglesa oferece uma avalanche de pontos turísticos, exposições, restaurantes, baladas, bares e botecos. E, claro, que cada um tem sua lista favorita das coisas mais bacanudas para ticar no roteiro. Afinal, gosto não se discute, certo? Mas a lista aqui é mais em relação às experiências do que necessariamente de pontos turísticos. Sabe aquele momento que já riscamos todas as obrigações e então podemos finalmente flanar despreocupadamente pela cidade? O único inconveniente são os preços salgados, em valiosas libras. A capital esfola como uma menina mimada da realeza ou como uma escort tentando tirar suas calças (metaforicamente, claro!).

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Gilberto Gil, Caetano Veloso e o surto expatriado

        Em uma visita à São Paulo, perguntaram-me certa vez o que eu mais sentia falta do Brasil depois de alguns anos fora de casa. Pensei, torci o nariz e respondi: “a música”. Meu interlocutor me olhou extremamente desapontado, como se esperasse uma resposta como a família, os amigos, o calor do nosso povo, as belas praias, a garota de Ipanema ou sei lá qual pataquada do gênero. Não que eu não sinta saudade das pessoas, mas em tempos de internet a comunicação anda bem mais fácil (para não falar até invasiva).  Mas enfim... Fato é que ninguém compartilha comigo aqui, mesmo conhecendo e gostando de música brasileira, a carga cultural, histórica e até mesmo emocional de cantar “alguma coisa acontece no meu coração”.... ou “começou a circular o expresso 2222”....

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Proximidade à distância

Havia pelo menos um ano que não colocávamos o papo em dia com um amigo. As razões são diversas, mas eis que, por força do destino, conseguimos estar no mesmo continente, país e cidade por míseros três dias. Pois é. “Conheço um lugar ótimo que vocês precisam ir”, disse ele. Chegamos ao local para tagarelar um pouco, o Gordon´s Wine Bar. Era uma taberna de 1890 com paredes de tijolos e iluminada por candelabros. O vinho e a comida eram bons, ainda mais misturados com a umidade, gotinhas de água nas costas e cheiro de mofo. Para que não haja mal entendidos – não há ironia no comentário. O lugar era mesmo sensacional e no mesmo nível do rio Tâmisa. Entramos todos meio agachadinhos para não bater a cabeça, mas garantimos uma mesinha bem aconchegante embaixo da goteira. Todo o preâmbulo é para chegar à seguinte conclusão – mesmo há meses sem nos falarmos, esse amigo tinha certeza que a gente acharia a indicação superb, como dizem os ingleses. E acertou em cheio!
Não importa quanto tempo passe, há reencontros que são sempre a mesma coisa. Estou falando do lado bom da moeda. Sem essa de voltar para a casa que nascemos há 30 anos no interior de qualquer “biboca da parafuseta” e nos sentirmos deprimidos porque o azulejo continua trincado exatamente no mesmo ângulo, quando partimos anos antes. Refiro-me ao fato de continuarmos conseguindo conversar por horas a fio apesar das diferentes experiências ou rumos tomados na santa vida. Tudo independentemente do tempo sem se ver. Tenho uma outra amiga, que por sinal faz umas vinte e sete primaveras (ou por aí) hoje e a gente sempre garante boas risadas nos reencontros.
Somos água e vinho. Sempre fomos, mas isso nunca impediu a cumplicidade. Crescemos praticamente juntas, nos víamos quase todos os dias, puxávamos os cabelos durante as brigas e nos chamávamos aos berros pelas janelas de casa. Não moramos mais naquela rua que nascemos e nos conhecemos. Cada uma foi para um canto, seguimos caminhos diferentes. Nos encontramos claro para festas, velórios e jantares esporádicos. No fundo, ela nunca veio nos visitar em terras germânicas porque sempre foi mega consumista e gastava o salário todo que ganhava numa empresa de comércio exterior em roupas, botas e sapatos! E todo ano dava a mesma desculpa! Anda sempre na estica, adora a calculadora, odeia poesias e exposições e não dispensa uma boa balada, daquelas bem barulhentas, de ensurdecer. Ainda assim, aceita convites para conversar sob uma xícara de chá, embora torça o nariz e resmungue: “só você mesmo”. Se nos encontrássemos só daqui trinta anos, com certeza eu ouviria essa exclamação! Até hoje ela não colocou o blog dela no ar para contar o que anda aprontando nas praias do pacífico...
A lista de pessoas assim é restrita, mas dá para citar sim alguns casos, mesmo que contados nos dedos. Companheiros(as) de escola, adolescência, faculdade... O exemplo mais espetacular eu vi na película argentina de Paula Hernández. Trinta anos depois, a personagem Lisa (Elena Roger) aparece na casa do amigo Bruno e grita bem alto: “Zé Buceta”! O enredo trata mesmo de um caso de amor, mas não importa. O interessante é esse tipo de intimidade entre amigos ou pessoas que não se perde. Né, cara de piu piu?