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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Sicília, Sul da Itália: Palermo, Catânia, Taormina, Cefalù, Caccamo, Lipari e outras ilhas eólicas

Top Ten experiências na terra do Don Corleone 

A Sicília é um Estado de ilimitadas oportunidades e experiências no Sul da Itália. Com ares despreocupados, trágico, louco, pastoral, arcaico e também moderno, a ilha oferece uma viagem de belezas exuberantes e costumes antigos. É como mergulhar em uma película do Fellini. Afinal, onde mais assistimos senhoras jogarem cestas de vime pela varanda e puxá-las de volta com uma cordinha? Leiteiros ou carteiros sequer estranham a prática. É por essas ruas também que se ouve os engraçadinhos latinos gritarem “che bela turista”. Uma região de amores lícitos e ilícitos, onde a bota do continente quase esbarra na silhueta da ilha. Como em um jogo de pernas entre dois amantes embaixo da mesa coberta por uma toalha quadriculada branca e vermelha. Os prazeres da vida nunca cessam por aquelas bandas. Você verá locais comendo pela milésima vez um spaghetti alle vongole como se fosse sempre a primeira vez. E entre tantas experiências, listamos as dez imperdíveis.

1.  Litorais de Cefalú e Taormina. 

Só a praia de águas límpidas (e de areia!) já seria um argumento para fincar os pés em Cefalú, no mar Tirreno. O pôr-do-sol iluminando as casinhas típicas e antigas à beira mar é um espetáculo único. Mas, o vilarejo em si também é cheio daquela beleza provinciana, quase exótica. O charme é tanto que o diretor italiano Giuseppe Tornatore resolveu rodar por lá algumas cenas do Cinema Paradiso. É ali no pequeno porto que a namoradinha de Totó volta de Palermo e o surpreende com beijos embaixo de chuva, durante uma seção de cinema a céu aberto. Já quem procura por algo mais posh, Taormina, um ressort no topo da montanha, com vista de tirar o fôlego, é uma boa opção. As praias são todas de pedras, reservas naturais do mar iônio, facilmente alcançadas por teleférico. Outro espetáculo do requintado vilarejo é o famoso anfiteatro grego, com vista para o mar e o temeroso Etna. 

2. Experiências vulcânicas. 

Etna, Vulcano, Stromboli e diversos mini vulcões embaixo do mar compõem um cenário excelente para aventureiros se jogarem em trilhas ou conhecer um pouco mais sobre geologia. E não só isso. O Stromboli está constantemente em erupção, jorrando lavas como fogos de artifícios que iluminam o céu durante à noite. Lá de cima ou em alto mar a bordo de lanchas, a turistada espera esse fenômeno da natureza entrar em cena. De certo modo, o Etna também está ativo, mas não constantemente. E quando ele resolve explodir, o estrago é dos grandes. Para um post contando em detalhe a visita a cada um desses brutamontes, assim como os destaques e peculiaridades de cada um, clique aqui. 

3. Banhos medicinais de lama 

No litoral de Vulcano há não só praias de pedras-pomes porosas, mas também piscinas naturais de lama. Diz a lenda que estes banhos medicinais são ótimos para reumatismo e outros probleminha de saúde. Mas, na real, o legal mesmo é a diversão que o tal tratamento pode causar. Tá mais para um desafio de reality show. Há uma enorme quantidade de enxofre no solo da ilha e ele custa a sair do seus poros. Depois de deixar o vulcão é preciso se esfregar com muita água e sabão. É tão característico que dá para saber quando alguém acabou de voltar da ilha e ainda não passou pelo chuveiro! Agora imagina se esbaldar diretamente, literalmente chafurdar na piscina natural? Leve um pregador para o nariz e abrace as notas aromáticas de ovo podre! Ah, não use seu biquíni favorito.  

4. Ilhas Eólicas 

Ao norte da Sicília, no mar Tirreno, está o conjunto de sete ilhas conhecidas como eólicas. São elas: Lipari (tipo a capital, onde montamos acampamento); Stromboli (com uma ótima praia de pedrinhas vulcânicas); Vulcano (a fedorenta já citada); Panarea (cara e fashionista); Salina (famosa pelos vinhos Malvasia e alcaparras); Filicudi (a mais antiga com mais de 700 mil anos) e Alicudi (bem isolada). Nem precisa dizer que a Unesco tombou esse arquipélago como patrimônio cultural da humanidade, né? Cruzeiros e inúmeros passeios de barco combinam diversas visitas entre elas e são uma excelente oportunidades para literalmente “se jogar” nos pontos de mergulho mais disputados da região. Mas cuidado com as águas vivas para não ganhar uma tatuagem como lembrança. 

 5. Castelo de Caccamo. 

Não se trata de nenhuma exploração à la Indiana Jones, mas não deixa de ser uma bela excursão tranquilinha de Palermo. E como as conexões de trens e ônibus são desorganizadas e terríveis, você ainda terá de quebra um tempinho para conhecer o vilarejo de Termini Imerese. Sem contar que o castelo de Caccamo é uma das maiores e mais impressionantes fortificações do Sul da Itália. A construção se iniciou em 1093, quando os normandos começaram a construí-la no monte São Calogero. Os cômodos são levemente decorados, mas o que chama mesmo a atenção é a imponência dessa estrutura medieval, aliada à belíssima paisagem natural. Ao fundo das muralhas de pedra, o lago em tons de verdes água, reluzente com a luz do sol, rasga o visual como um quadro impressionista. 

6. O burburinho de Palermo

Uma aventura urbana com mesclas de resquícios arquitetônicos deixados pelos árabes, normandos e bizantinos. Uma das surpresas mais interessantes nesta capital é conseguir presenciar alguma procissão, provavelmente ao longo da Corso Vittorio Emanuele ou da Via Maqueda. Além da típica cantoria e reza, uma explosão de tiros de rojão capaz de ensurdecer quem for pego de surpresa. Tudo isso aliado ao grito de mercadores e ao cheiro de comidas típicas que exala dos mercados de ruas. Mais peculiar que tudo isso, só mesmo a Catacumba dei Cappuccini. Corpos e esqueletos de mais de 8 mil cidadãos que bateram as botas entre o século 17 e 19. Repare que há corredores só para crianças ou só para as virgens (!). Por fim, não deixe de conferir o teatro Massimo, onde foram gravadas a cena final do Poderoso Chefão III, entre tantas outras atrações. 

7. Mercados de Rua 

Aromas e sabores fazem parte das cidades e do cotidiano italiano. Não só tomates vermelhos berrantes e abobrinhas gigantescas, mas também todo o tipo de seres dos mais esquisitos provindos das profundezas marítimas estão expostos nos mercadões sicilianos. Entres os mais famosos está o La Pescheria, em Catânia, ou os “della Vuccira”, “di Ballaró” e “del Capo”, em Palermo. Turistas, locais e donas de casa de salto alto saçaricam pelo chão coberto de água, que escorre das bacias dos pescados e frutos do mar. Aliás, a estrela dessas feiras não são as belas moças, mas sim os gigantesco e gordos peixes-espadas decepados. Bom mesmo são os botequinhos que colocam umas mesas de plástico do lado de fora e servem comida de rua saborosa e baratex. Para refrescar, peça por água com gás, sal e limão. Parece bisonho, mas mata a sede e hidrata.  

8. Culinária Siciliana

Difícil! Quer dizer, difícil descrever em um parágrafo o que seria digno de um post inteiro. Mas bem fácil de ganhar uns bons quilos a mais. Não deixe de experimentar os Arancines. É uma receita árabe, bolotas fritas de arroz, aromatizadas com açafrão e ervas. Em Palermo, a boa é experimentar uma massa con le sarde: espaguete com amendoim moído, uva passa, erva doce selvagem e, claro, sardinha. Já em Catania, a pedida é a pasta à la norma, com molho de tomate, berinjela e ricota. Por toda a região há também os deliciosos involtini di pesce spada. Imagine só a combinação do peixe espada enrolado e recheado com tomate, azeitonas e alcaparras! Já entre os doces, não deixe passar os brioches com sorvete (típico é com o de pistache no meio do pão) e os canollis — canudos crocantes fritos e recheados com ricota, frutas cristalizadas ou creme e chocolate! Ainda tem as granitas, cassatas e outras guloseimas, mas vou terminar por aqui para não engordar só de escrever. 


9. Vinhos e licores típicos da Sicília

Antes que alguém me acuse de sempre destacar algum jeito de bebericar em todas as cidades desse blog, a Sicília tem mesmo suas típicas produções como a da famosa uva Nero d´ ávola. Como já citado acima, a ilha Salina é uma das únicas que contem fontes de águas minerais, aliadas ao solo  vulcânico super fértil. É de lá que veem muitos dos vinhos Malvasia, fermentados doces, servidos como aperitivo ou vinhos de sobremesa. Sem contar aqueles produzidos na região do Etna, com as uvas carricante e mascalese. Na Sicília, os licores também não se restringem ao tradicional Limoncello (de limão) e há sabores, em especial, como o de laranja, canela, melão entre outros. Os melhores são os produzido pela confeitaria Nonna Vincenza. Ou seja, opção para manguaçar tipicamente é o que não falta!  

10. Dançar em Praça Pública 

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Vulcões no Sul da Itália

Umas das experiências imperdíveis na Sicília ou na região da Campânia é visitar, cara a cara, os famosos vulcões. Aqueles que parecem mesmo desenho animado, com uma cratera gigante para gente se dependurar e olhar lá para baixo. Gases sulfurosos, fumacinhas e até mesmo lavas brilhante fazem parte dos passeios, realizados por trilhas ou barcos. É só escolher o brutamontes certo. 

O Etna e suas 300 crateras

O monte Etna é a montanha mais alta da Itália ao sul dos alpes. Com 3.329 metros de altura, impõe uma presença marcante para quem perambula pelas ruas de Catania ou na praça principal de Taormina. Trata-se do maior vulcão em constante atividade da Europa. Erupções ocorrem com frequência, principalmente das quatro crateras principais e das rachaduras ao longo do grandalhão. A mais devastadora foi em 1669, quando um rio de lava destruiu 16 vilas e matou quase 16 mil pessoas. Enquanto turistas saçaricam entre as trilhas de pedras vulcânicas, 120 unidades de controle sísmico monitoram os humores do Deus do Fogo. Uma pequena fresta de onde as lavas fumegantes eclodiram, em 2001, ainda está aberta, embora bem menor que à época do pequeno incidente. Hoje, até umas pequenas flores ousam renascer ali do lado. E quem acha que o moço anda bem comportado, engana-se. Em 2007, uma nuvem de fumaça subiu 40 metros de altura, fechando o aeroporto de Catania. Melhor ter cuidado! Contrate um guia especializado em trilhas que possa explicar cada peculiaridade da montanha e explore as mais de 300 crateras (algumas triplas) espalhadas pela região. Além de chegar em locais mais inóspitos, um guia nos ajuda a fugir de tempestades típicas do verão, caminhando no sentido oposto de inesperadas nuvens carregadas e trovoadas. 

Vulcano e seu perfume de ovo podre


Esta ilha vulcânica pertence ao conjunto das sete ilhas eólicas, no mar Tirreno. Desembarcar por ali já é uma baita experiência só pelo cheiro esquisitão. Rochas amareladas e um aroma primoroso de enxofre, capaz de penetrar em qualquer narina, até mesmo nas mais entupidas. Os romanos achavam que a ilha era a chaminé da oficina do Deus Vulcão. Seja lá como for, o bacana é mesmo escalar até a cratera a 391 metros acima do mar. A caminhada leva cerca de uma hora. Enquanto o sol castiga (não há uma mísera sombrinha), a paisagem para o mar e ilhas deslumbra. Antes de começar a jornada, uma placa avisa sobre o real perigo de envenenamento para aqueles que se aproximam demais das fontes de emissões de gases. Não que seja lá muito possível, a fumaça amarelona fede mais que ovo podre. Leve um pregador de roupas para apreciar a imensidão da cratera sem sentir náuseas.

Stromboli e o cuspe de lavas 

Se você é daqueles que só acredita vendo, pois bem. O Stromboli também faz parte das ilha eólicas (é a mais nova delas) e é um vasto vulcão embaixo da água. A ponta que emerge do mar como uma pirâmide solta fumaças acinzentadas a cada vinte minutos. É um brutamontes permanentemente ativo. A última erupção, de 2007, abriu mais duas crateras no topo. Já as de 2002-2003 aumentaram o tamanho do buracão principal de 35 para 125 metros. Curioso é que apesar de mau- humorado, sua ira nunca destruiu a cidade em si. Desde o período neolítico, as vilas sempre saíram pela tangente. Ao chegar de barco, repare que um lado da montanha tem vegetação bem verdinha, enquanto o outro mais parece uma duna de areias negras. A base é uma praia deliciosa de pedras vulcânicas, tanto que se trata do programa favorito de verão dos estilistas Dolce e Gabbana, os quais adquiriram uma casinha de veraneio por aqui. Apesar do aspecto idílico, a vida por lá não é das mais fáceis. Toda comida só chega por ferry e não há estradas que atravessam a ilha. A Ginostra, vilazinha na costa ocidental com somente 36 casas, recebeu energia elétrica há poucos anos. Para escalar até o topo é obrigatório contratar um guia. Um passeio bastante popular é subir três horas de trilha para ver o por do sol lá de cima. Ao anoitecer espera-se até que a coisa estoure e jorre suas lavas. Outra opção bastante legal é esperar as erupções no mar a bordo de um barco. Enquanto o show não acontece, a galera vai de grapa no deck! E para os que já estão se imaginando jogando Sonic 1, fase 2, calma lá. Dá para ver as lavas explodirem, fiapos desenharem no céu e serem rapidamente encobertos por fumaça. Não é uma tempestade avassaladora. Caso contrário esta que vos fala não estaria postando.

Vesúvio e os sítios arqueológicos de Pompeia e Herculano

Se a ira do Stromboli sempre respeitou o espaço da sua própria cidade, o mesmo não se pode dizer do Vesúvio, na baía de Nápoles. Este aqui jogou mesmo as lavas no ventilador e botou pra quebrar com a erupção de 79, soterrando a cidade de Pompeia e Herculano com uma massa de gases, pedregulhos e fogo. Desde então já entrou em erupção mais de 30 vezes. A última foi em 1944. Nada que possa tirar a tranquilidade de quem o observa tranquilamente de Sorrento, de Nápoles ou voltando de barco de Capri. A grande moral deste cuspidor de fogo avassalador é que toda ira é auto destrutiva! O destempero de 79 não trucidou somente Pompeia, mas a própria cratera vesuviana, que de 3000 metros foi reduzida a 1281.

Peidorreiros subterrâneos