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quinta-feira, 28 de abril de 2016

Sicília: Itália bonita e barata. Um roteiro fundamental pela ilha passando pelas principais cidades como Palermo, Catânia, Cefalù, Taormina e as ilhas eólicas

Sicília — Itália Bonita e Barata

Essa encantadora região no “bico” do país bota é repleta de preciosidades, de ruínas gregas a cidades antiquíssimas debruçadas à beira de um mar azul cristalino. De quebra, rende uma viagem mais barata do que outros destinos clássicos da Itália.
(Texto originalmente publicado pela Revista Viaje Mais! Abril 2016)
Nas encostas de impulsivos vulcões, águas azuis translúcidas brilham no litoral da Sicília e dão as boas-vindas aos visitantes que chegam à enigmática ilha no sul da Itália. Embora muitos associem a região à máfia italiana, eternizada pela trilogia hollywoodiana O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, a Sicília é muito mais do que a terra natal do personagem d. Vito Corleone. É um lugar lindo por natureza. E repleto de história: mesmo estando na Itália, tem um legado arquitetônico grego tão rico quanto o da própria Grécia.
Ruinas do anfiteatro grego em Taormina, construído por volta de 230 a.C
À parte a sucessão de ruínas gregas, há muito o que ver, e cair de amores, na Sicília. A ilha montanhosa, no “bico” da bota que é o território da Itália, é a maior do Mediterrâneo, ostentando tamanho similar ao do Estado do Sergipe. O lado mais moderno, e paradoxalmente arcaico, está na vibrante capital Palermo, a maior urbe da ilha. O doce romantismo de praias lindas fica em Cefalù. Ruínas gregas e romanas dão o tom em Taormina. E uma verve literalmente quente e explosiva vem da lava do poderosos vulcão Etna, na Catânia. 
A natureza foi mesmo generosa com a Sicília. Desenhou ali um litoral entrecortado por falésias, que funcionam como terraços para contemplar o mar azul de um ponto de vista privilegiado, do alto. E ainda cravejou sua costa com sete pequenas ilhas de sinhô, conhecidas como Ilhas Eólias. 
É compreensível, portanto, que um lugar tão atraente assim, localizado num ponto estratégico — a só 3 Km da ponta do continente europeu, do qual a Sicília está separada pelo Estreito de Messina—, tenha sido tão cobiçada através dos tempos. Os fenícios foram os primeiros a chegar, cerca de 30 séculos atrás. Depois desembarcaram gregos, romanos, árabes e normandos. Cada conquistador deixou suas marcas na arquitetura da ilha, que por quase 700 anos foi reino independente. Os gregos tiveram especial apreço por aquele litoral de paredões escarpados, Ocuparam a Sicília por meio milênio e lá ergueram uma infinidade de suntuosos templos em louvor aos deuses do Olimpo.
Esse mosaico formado ao longo dos séculos está imerso num típico cenário do sul da Itália, cheio de ladeiras estreitas e varais de roupas nas sacadas de predinhos. Nelas circulam enormes famílias, compostas de muitos filhos, tios e primos, cujas mammas são craques no preparo de massa caseira e outras delícias da culinária regional.
Não é a toa que o escritor siciliano Gesulado Bufalino (1920-1996) falava em muitas Sicílias e descrevia suas paisagens de sua exuberante terra natal em múltiplos e quase surreais tons: o esverdeado das alfarrobas (árvores selvagens do Mediterrâneo); o branco das salinas; o amarelo do enxofre; o loiro do mel; e o púrpuro das lavas. 
Além da beleza e variedade de canários, a região ainda é relativamente mais barata se comparada a outros destinos da Itália. Em tempos de euro nas alturas, é possível se jogar nessa viagem sem atirar dinheiro às cinzas. O custo para curtir o mar, apreciar altos visuais e relaxar na praia é menor do que se imagina. Afinal, não se paga nada para vislumbrar a natureza primorosa e a arquitetura das cidades. E, como a Sicília é a rainha dos mercados e das comidas de ruas, as refeições ficam bem em conta, mas ainda assim inventivas e cheias de experimentações. Vai aí um brioche com sorvete de pistache?
Uma invenção típica siciliana: brioches recheados com sorvete

Palermo e Cefalù

Na escadaria do teatro Massimo em Palermo foram gravadas as última cenas do Poderoso Chefão 3
Quase toda viagem à Sicília começa pela capital Palermo. É a quinta maior cidade da Itália e ficou conhecida por ser o berço da outrora poderosa máfia. Mas pode esquecer aqueles gângsteres de terno escuro, cara de poucos amigos e cabelos engomados. Eles não vivem na Sicília faz muito tempo, o que, aliás, fez um bem danado à autoestima do povo siciliano que é dos mais alegres e caricatos do país. 
Típicas procissões na Sicília
 Palermo é uma cidade para ser devorada com os olhos. A arquitetura é uma fusão maluca de estilos deixados pelos conquistadores que a ocuparam ao longo dos séculos, desde sua fundação pelos fenícios há 2.700 anos. Um bom exemplo dessa miscelânea é a catedral, construída no século 12 por árabes e posteriormente alterada e ampliada pelos normandos. Os muros altos e robustos, com suas torres proeminentes, dão ao templo um caráter de igreja fortificada. E é lá de cima, no tour que leva ao telhado da igreja (realizado de segunda à sábado, das 10h às 17h), que está a melhor parte: o vislumbre panorâmico de Palermo e do mar azul ao fundo.
A miscelânia aqruitetônica da catedral de Palermo
Ninguém perde também uma visita ao Palácio real, antigo forte do século nove transformado em residência do rei Rogério II em 1130. O monarca mandou erigir uma igreja dentro do palácio, a Capela Palatina, cujas paredes são cobertas de mosaicos bizantinos folheados a ouro, enquanto no teto de madeira foram esculpidos desenhos árabes. 
Na capela Palatina, tudo que reluz é ouro
Como Palermo é mesmo eclética, no coração da cidade a estrela é um conjunto de prédios que mesclam o estilo barroco e renascentista, o Quattro Canti, cujas fachadas idênticas se voltam a uma mesma esquina, no cruzamento da Vitorio Emanuele com a Via Maqueda. Iluminada de modo diferente à medida que o dia avança, a esquina também é conhecida como Teatro do Sol.
Uma vez no centro vale um pit stop na lanchonete Arancine d´autore (www.kepalle.it) para abocanhar os famosos arancines, um bolinho de arroz com açafrão e recheios variados. É uma das muitas delícias sicilianas. Para saborear outras, siga aos mercados de rua, cujas barracas vendem sardinhas na brasa, doces fresquinhos e a grande estrela da ilha, o peixe-espada, com o qual se prepara os involtini di pesce spada, enroladinho do peixe recheado com pão ralado, alcaparras, tomate e azeitona. Sem contar as italianices que rolam em qualquer mercado, como os galanteios dos vendedores que exclamam ma che bella donna (que mulher bonita) e as nonas gorduchas que fazem compras pela janela de casa, descendo baldes marrados por corda aos feirantes.
O arancine é um típico bolinho de arroz com recheios diversos: vale provar o feito pela Arancine d`autore
Para mergulhar ainda mais nos segredos da cidade, a Catacumba dei Cappuccini é um dos passeios mais peculiares. No local, esqueletos e corpos mumificados de mais de 800 palermitanos, mortos entre os séculos17 e 19, descansam. Há corredores para homens, mulheres... e virgens!
A peculiar e curiosa Catacumba dei Cappuccini
Depois dessa visita interessante, mas um pouco macabra, está mais do que na hora de respirar a brisa do mar nas melhores praias sicilianas. Uma opção rápida e barata para um banho de mar próximo a Palermo é a praia Mondello. Se não estiver de carro, use o ônibus 806, que passa em frente ao Teatro Politeama. Já aqueles que planejam um giro pela Sicília e sonham com um inesquecível panorama à beira-mar, Cefalù é para indispensável. Fica a 70 Km de Palermo, perto o bastante até para um bate e volta. Dá para ir de trem até lá, em cerca de uma hora de viagem. 
Em Cefalù, a 70 Km de Palermo, foram gravadas cena do filme Cinema Paradiso
A praia de Cafálu tem mar calmo e areia dourada, mas o charme está no casario antiquíssimo que emoldura sua orla. De tão charmosa, a cidade caiu no gosto do diretor Giuseppe Tornatore, que escolheu Cefalù para gravar cenas de Cinema Paradiso, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1989. Ali, o ponto de encontro é a Piazza Duomo, onde está a catedral local, tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade, e diversos barzinhos com mesas ao ar livre.

De todos os cantos da cidade se avista um imenso rochedo, chamado La Rocca. Tem 270 metros de altura, e no topo, ao final de uma caminhada de uma hora desde o centro histórico, está uma das vistas mais belas da Sicília. É como abraçar tudo que a cidade tem pode oferecer de uma só vez. O mar, a orla, os telhados da urbe, e, de quebra, as duas torres da catedral. 
Vista da La Rocca para o mar e catedral de Cefalú
Ao entardecer, após um relaxante dia de sol  e mar, não há nada melhor em Cefalù do que circular, do jeitinho que você saiu da praia, pelas ruelas medievais da cidade e, ao pôr do sol, estar diante do pequeno porto, se possível sentando num banco e tomando sorvete.

As Ilhas Eólicas

Pequeno e charmoso porto da ilha Lipari
 Uma semana é tempo suficiente para conhecer a região de Palermo e Catânia e já voltar para casa deslumbrado com a Sicília. Mas, quem tiver mais tempo pode incluir também uma visita a um exótico arquipélago no Mar Tirreno, as Ilhas Eólicas. O nome foi dado pelos gregos, que acreditavam que as ilhas eram a casa de Éolo, deus dos ventos. Trata-se de um colar de sete pequenas ilhas vulcânicas, das quais Lipari é a maior e mais acessível, o que a torna o ponto de partida para explorar as outras ilhas. Há barcos diários para lá saindo de Milazzo, a 200 Km de Palermo. São apenas 45 minutos de travessia. 
Lipari teve um passado tormentoso. Durante séculos foi ameaçada por invasores e ataques piratas, o que explica a existência de sua linda cidadela. Com cerca de 12 mil habitantes, é a única ilha com jeitão de cidade, onde circulam carros, scooters e ônibus turísticos por suas ruelas medievais. No fim do dia, quando os turistas retornam das excursões — pesca esportiva, mergulhos e caminhadas —, o clima ferve nos restaurantes e barzinhos à beira-mar. Lipari ainda guarda um segredinho a 3 Km do centro antigo: um mirante natural conhecido como Quattrocchi, de onde se tem um belo panorama ada vizinhança. 
Crateras do Vulcano
E é de Lipari que partem barcos rumo às outras ilhas. Vulcano é a mais visitada delas. Nela, a grande atração é a caminhada rumo ao topo de um de seus cinco vulcões, a Gran Cratere, que fica ao final de uma trilha de uma hora, a 391 metros de altura. A cratera emite gases sulforosos amarelados, o que confere um tremendo cheiro de enxofre. Já na praia, há quem encare banhos terapêuticos de lama de origem vulcânica, que dizem ter efeitos medicinais. 
A ilha de Stromboli também rende um baita passeios. O pedaço é dominado por um grande vulcão homônimo, o Stromboli, que tem um formato perfeito de pirâmide e parece emergir do mar. Nuvens acinzentadas parecem pregadas ao seu cume, já que o vulcão é superativo e expele constantemente fumarolas. Aventureiros partem em uma jornada de quatro horas rumo à cratera, em tours organizados por agências de turismo locais. Mas o melhor é estar na ilha à noite, quando é possível ver as erupções em forma de fogos de artifício e o rio de lava que escorre pela encosta do Stromboli. Os mais preguiçosos podem ver o cuspe de fogo a bordo de barcos que atracam ao redor da Sciara del Fuoco, a encosta negra da ilha. A intensidade da vivencia dependerá, claro, dos humores strombolianos. Nem sempre há uma chuva de lavas. Por vezes, só aparece algum fiapinho vermelho no céu. Ainda assim, vale cada segundo. 

Catânia e Taormina


 Do outro lado da Sicília, na costa leste da ilha, está a Catânia, a segunda maior cidade da região, com 300 mil habitantes e atrás apenas da capital Palermo. Está aí uma excelente base para explorar atrações desse trecho do litoral siciliano, voltado para o não menos deslumbrante Mar Jônico (o outro mar que banha essas maravilhosas paragens, vale lembrar, é o Tirreno). 
Para quem sai de Palermo, a melhor forma de chegar à Catânia é com um carro alugado. As estradas da Sicília são excelentes e modernas, com grandes viadutos sobre os vales. Ora a rodovia atravessa campos de trigo e oliva, ora corre sobre o alto das encostas das montanhas, lambendo o mar. A paisagem é sempre belíssima, e qualquer deslocamento vira um ponto alto da viagem. É quase impossível dirigir na Sicília sem parar várias vezes para admirar os visuais que surgem a todo momento.
O caminho de 210 Km entre Palermo e Catânia é um dos mais interessantes. À medida que você se aproxima de Catânia, uma enorme montanha de forma cônica se agiganta cada vez mais no horizonte: é o Etna, o maior vulcão da Europa, a 3.330 metros de altitude, que pode ser avistado, em dias de céu claro, de uma distância de cerca de 150 km.
O Etna é o vulcão mais ativo e temperamental do mundo, e vive em constante erupção há cerca de meio milhão de anos. Quem gosta de brincar com fogo não deve dispensar um trekking pela incandescente montanha. A partir de Catânia, há caminhadas guiadas por esse encosta negra, de puro magma petrificado, que levam a inúmeras crateras secundárias nos arredores da montanha.
Os caminhos tortuosos pelas crateras do Etna 
São impressionantes as marcas deixadas na Catânia, ao longo dos séculos, pela ação do gigante. Tanto que o lema por lá é “ainda melhor ressurgir das cinzas”. Uma devastadora erupção ocorrida em 1669 gerou um rio de lava que destruiu boa parte da cidade. Para remediar o estrago, no século 18,, o arquiteto Giovanni Battista Vaccarini liderou uma reconstrução usando as pedras escuras que existem aos montes nos arredores do vulcão, o basalto. Por isso, Catânia também é conhecida como “a filha negra do Etna”. 
Catedral de Catânia erguida com lavas vulcânicas
A catedral barroca local também foi erguida com pedras vulcânicas e hoje brilha na lista de Patrimônios da Humanidade da Unesco. Assim como a Via Crociferi, rua com uma mega concentração de igrejas e palácios barrocos do século 18, cujas paredes são enegrecidas por conta da fuligem do Etna. 
O show barroco da Via Crociferi
A despeito dos humores do velho vulcão, Catânia se exibe com ares joviais. Há muitos estudantes em virtude da Universidade de Catânia, a mais antiga da Sicília, fundada em 1434. O clima universitário garante a ocupação de uma sucessão de barzinhos descolados para tomar umas e outras. 
Mercado de peixes de Catânia
Já no mercado de peixes La Pescheria também impera uma atmosfera de descontração e informalidade. É o ponto onde moradores e turistas se encontram, todos disputando as mesas de barracas que vendem e preparam todo tipo de frutos do mar. No verão, muitos não perdem a chance de bebericar um seltz, bebida típica refrescante com água gasosa, limão fresco e xarope de laranja.
De Catânia, são apenas 50 Km até Taormina, a cidade mais turística da Sicília, onde estão as praias mais fotogênicas de toda a ilha italiana, espalhadas por uma sequência de pequenas enseadas bem recortadas e mar estupendamente azul. As simpáticas casas de pedra, que já passaram dos 400 anos, e diversas igrejas medievais ficam encarapitadas nas encostas do Monte Tauro.
Belas prais de pedrinhas em Taormina
Na principal rua, a Corso Umberto I, que diversas vezes se abre em graciosas piazzetas (pracinhas), há muitos restaurantes gourmet e lojas de grife. É onde Taormina exibe seu lado chique. A Praça Nove de Abril, que abriga a torre do relógio e a Igreja de São Giuseppe, é a mais animada. Ali circulam músicos, vendedores de balões e cartunistas que fazem caricaturas dos turistas. À noite, sanfoneiros colocam as pessoas para dançar ali na rua mesmo, enquanto belas garotas encomendam pinturas de seus rostos. 
No alto do Monte Tauro (dá para subir de bondinho), os gregos construíram, há cerca de 2300 anos, um anfiteatro, que dois séculos depois foi reformado pelos romanos. A construção está preservada e continua sendo usada como casa de espetáculos ao ar livre. Quem imaginaria que uma ilha na Itália treia ruínas gregas tão impressionantes quanto a própria Grécia? Mas a Sicília é assim mesmo, repleta de histórias e cidades que são verdadeiras relíquias. O escritor alemão Goethe, fascinado durante sua visita à ilha em 1787, já convencia muito bem os turistas a seguirem seus passos. Sentenciou: “A Itália sem a Sicília não forma em nossa alma um quadro completo: somente aqui se tem a chave para o todo”. Ele tinha razão.  

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Vulcões no Sul da Itália

Umas das experiências imperdíveis na Sicília ou na região da Campânia é visitar, cara a cara, os famosos vulcões. Aqueles que parecem mesmo desenho animado, com uma cratera gigante para gente se dependurar e olhar lá para baixo. Gases sulfurosos, fumacinhas e até mesmo lavas brilhante fazem parte dos passeios, realizados por trilhas ou barcos. É só escolher o brutamontes certo. 

O Etna e suas 300 crateras

O monte Etna é a montanha mais alta da Itália ao sul dos alpes. Com 3.329 metros de altura, impõe uma presença marcante para quem perambula pelas ruas de Catania ou na praça principal de Taormina. Trata-se do maior vulcão em constante atividade da Europa. Erupções ocorrem com frequência, principalmente das quatro crateras principais e das rachaduras ao longo do grandalhão. A mais devastadora foi em 1669, quando um rio de lava destruiu 16 vilas e matou quase 16 mil pessoas. Enquanto turistas saçaricam entre as trilhas de pedras vulcânicas, 120 unidades de controle sísmico monitoram os humores do Deus do Fogo. Uma pequena fresta de onde as lavas fumegantes eclodiram, em 2001, ainda está aberta, embora bem menor que à época do pequeno incidente. Hoje, até umas pequenas flores ousam renascer ali do lado. E quem acha que o moço anda bem comportado, engana-se. Em 2007, uma nuvem de fumaça subiu 40 metros de altura, fechando o aeroporto de Catania. Melhor ter cuidado! Contrate um guia especializado em trilhas que possa explicar cada peculiaridade da montanha e explore as mais de 300 crateras (algumas triplas) espalhadas pela região. Além de chegar em locais mais inóspitos, um guia nos ajuda a fugir de tempestades típicas do verão, caminhando no sentido oposto de inesperadas nuvens carregadas e trovoadas. 

Vulcano e seu perfume de ovo podre


Esta ilha vulcânica pertence ao conjunto das sete ilhas eólicas, no mar Tirreno. Desembarcar por ali já é uma baita experiência só pelo cheiro esquisitão. Rochas amareladas e um aroma primoroso de enxofre, capaz de penetrar em qualquer narina, até mesmo nas mais entupidas. Os romanos achavam que a ilha era a chaminé da oficina do Deus Vulcão. Seja lá como for, o bacana é mesmo escalar até a cratera a 391 metros acima do mar. A caminhada leva cerca de uma hora. Enquanto o sol castiga (não há uma mísera sombrinha), a paisagem para o mar e ilhas deslumbra. Antes de começar a jornada, uma placa avisa sobre o real perigo de envenenamento para aqueles que se aproximam demais das fontes de emissões de gases. Não que seja lá muito possível, a fumaça amarelona fede mais que ovo podre. Leve um pregador de roupas para apreciar a imensidão da cratera sem sentir náuseas.

Stromboli e o cuspe de lavas 

Se você é daqueles que só acredita vendo, pois bem. O Stromboli também faz parte das ilha eólicas (é a mais nova delas) e é um vasto vulcão embaixo da água. A ponta que emerge do mar como uma pirâmide solta fumaças acinzentadas a cada vinte minutos. É um brutamontes permanentemente ativo. A última erupção, de 2007, abriu mais duas crateras no topo. Já as de 2002-2003 aumentaram o tamanho do buracão principal de 35 para 125 metros. Curioso é que apesar de mau- humorado, sua ira nunca destruiu a cidade em si. Desde o período neolítico, as vilas sempre saíram pela tangente. Ao chegar de barco, repare que um lado da montanha tem vegetação bem verdinha, enquanto o outro mais parece uma duna de areias negras. A base é uma praia deliciosa de pedras vulcânicas, tanto que se trata do programa favorito de verão dos estilistas Dolce e Gabbana, os quais adquiriram uma casinha de veraneio por aqui. Apesar do aspecto idílico, a vida por lá não é das mais fáceis. Toda comida só chega por ferry e não há estradas que atravessam a ilha. A Ginostra, vilazinha na costa ocidental com somente 36 casas, recebeu energia elétrica há poucos anos. Para escalar até o topo é obrigatório contratar um guia. Um passeio bastante popular é subir três horas de trilha para ver o por do sol lá de cima. Ao anoitecer espera-se até que a coisa estoure e jorre suas lavas. Outra opção bastante legal é esperar as erupções no mar a bordo de um barco. Enquanto o show não acontece, a galera vai de grapa no deck! E para os que já estão se imaginando jogando Sonic 1, fase 2, calma lá. Dá para ver as lavas explodirem, fiapos desenharem no céu e serem rapidamente encobertos por fumaça. Não é uma tempestade avassaladora. Caso contrário esta que vos fala não estaria postando.

Vesúvio e os sítios arqueológicos de Pompeia e Herculano

Se a ira do Stromboli sempre respeitou o espaço da sua própria cidade, o mesmo não se pode dizer do Vesúvio, na baía de Nápoles. Este aqui jogou mesmo as lavas no ventilador e botou pra quebrar com a erupção de 79, soterrando a cidade de Pompeia e Herculano com uma massa de gases, pedregulhos e fogo. Desde então já entrou em erupção mais de 30 vezes. A última foi em 1944. Nada que possa tirar a tranquilidade de quem o observa tranquilamente de Sorrento, de Nápoles ou voltando de barco de Capri. A grande moral deste cuspidor de fogo avassalador é que toda ira é auto destrutiva! O destempero de 79 não trucidou somente Pompeia, mas a própria cratera vesuviana, que de 3000 metros foi reduzida a 1281.

Peidorreiros subterrâneos