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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Toskana Terma: Luzes, sons e terapia termal

A Alemanha está cheia de cidadezinhas termais conhecidas pelo termo Kurort, como o vilarejo de Bad Sulza, na Turíngia, a 36 minutos de Weimar. Embora essa Dorf (como os alemães chamam um minúsculo município) fique escondidinha e quase imperceptível, ela abriga duas coisas imprescindíveis para um inverno para lá de relaxante — complexos termais e vinícolas. Na real, Bad Sulza está ao norte da região vinicultora de Saale-Unstrut, mas na prática ela pertence também ao pedaço (para conferir mais algumas atrações dessas redondezas clique aqui). Na Thüringer Weingut Bad Sulza, por exemplo, comandada pelo enólogo Andreas Clauß e sua família, é possível se juntar a deliciosas e divertidas degustações. Mas isso será tema do próximo post. O assunto agora é sobre a dona do pedaço, a rainha dos tibuns — Toskana Terma. 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Termas em Budapeste

Na levada de posts sobre banhos pelo mundo, não teve como deixar de fora os 70 milhões de litros de água que jorram de 118 fontes termais na capital da Hungria. Juro que não é nenhuma provocação com a falta de banho paulistana. Quem leu os últimos posts de viagem do blog perceberá que ando com uma fixação por chuás diferentões (saunas na Alemanha e Hammams marroquinos) Claro que há muito o que visitar em Budapeste, mas perder umas boas quatro horas em uma, duas ou até mesmo quatro termas é parte essencial do passeio para conhecer o espírito da cidade. Sem contar que não há melhor remédio para os pés cansados de tanto saçaricar. 

Não há nada de muito complicado e por aqui, ao contrario da Alemanha em algumas ocasiões, todo mundo usa roupas de banho. Dá para alugar um armário em um vestiário comum ou uma cabine para se trocar com mais privacidade. O visitante recebe uma pulseira de plástico. É só passá-la no sensor de uma máquina na entrada para receber o número da cabine. Só a sua pulseira abrirá aquela porta específica. Há pelo menos doze casas na cidade, cinco delas em ambiente externo. Entre as favoritas: 

Gellért — o Taj Mahal dos banhos.

Aberta ao público desde 1918, a Géllert fica no hotel homônimo e é uma belezura. As colunas de mármore, o teto de vidro e as estátuas em volta da piscina dão a sensação de estarmos nadando no jardim do Éden. Tudo bem que a água da piscina central não é lá tão quente, mas um tibum, só para se sentir parte daquela arquitetura, vale a pena. Gostoso mesmo são as termas menores e quentinhas pra chuchu (de 36 a 38 graus) nas laterais. Lá não é para nadar. A ideia é cozinhar como uma sopa de batata. Fontes meiguinhas, com cupidos e leões cuspindo água dão um toque todo especial ao banho. Pena que fecha às 20h.

Rudas — a mais turca das termas. 
Mulheres são bem vindas às terças-feiras e aos fins de semana. Nos outros dias, o banho é exclusividade do sexo masculino. Mas, a melhor vantagem da Rudas é que de sexta e sábado, a entrada é para ambos os sexos e o horário de funcionamento é excelente: das 22h às 4h da matina. Assim, aqueles que não abrem mão de uns museus ou uma visitinha ao castelo durante o dia, ainda podem aproveitar o turismo das termas. A piscina central e suas quatro termas laterais foram construídas no século 16, durante as invasões do Império Otomano, e têm quase 500 anos. Barras de ferro seguram a estrutura antiquíssima. As termas nas laterais é uma sequencia de banhos, dos 26 aos 42 graus. E a diferença de temperatura dá aquela relaxada semelhante a de uma sauna. Como o ambiente é bastante escuro e úmido, vou ficar devendo a imagem da casa! Desde setembro de 2014, a Rudas ganhou um espaço exclusivo de hidromassagens com um aspecto mais moderno e novinho.

Széchenyi — o maior complexo de banho europeu 
Construída de 1909 a 1918, em estilo renascentista, trata-se da maior terma desse estilo do velho mundo. A grande piscina central de 38 graus é um deleite. Pessoas jogam xadrez, outros conversam e relaxam em meio a estrutura arquitetônica amarelada. É tão bacana que na primeira vez  não saí de lá e perdi a oportunidade de conhecer as inúmeras termas internas. Foi uma ótima desculpa para voltar! Não é para menos. Imagine a água quente em um ambiente externo, fumaça subindo e condensando com o ar geladérrimo do inverno e o céu cheio de estrelas!  Essa piscina principal fica aberta até às 22h. No inverno dá para se banhar a luz do luar a partir das 17h. Obs.: é bom levar um roupão porque uma hora a gente tem que sair de lá. 

Lukács  e seu efeitos medicinais
Essa terma existe desde os tempos das cruzadas e acredita-se que suas águas possuam resultados muito efetivos. Talvez seja por isso que ela esteja acoplada a um hospital, especializado em reumatismo. O ambiente é lindo, clinicamente limpinho, ornado com pisos de mármore branco e espreguiçadeiras com almofadas e colchão. As termas tem iluminação para deixar a água quentinha e colorida. Tem lá seu quê de banheira de motel, mas sem a prevista sacanagem. Fontes jorram água potável para que os visitantes se hidratem durante os banhos. As águas prometem curar reumatismo, dores nas juntas, doenças degenerativas e uma porção de saracuticos. Apesar dessa descrição de hospital, uma vez por mês a casa prepara a balada das águas. Uma festa eletrônica, com drinks, DJs e trajes de banho!   

sábado, 22 de junho de 2013

Budapeste: Leste Europeu


Budapeste – Muito Mais do que a Paris do Leste Europeu
(Texto originalmente publicado na revista Viaje Mais! Jun. 2013)

Boa parte da beleza da capital da Hungria, cortada pelo Rio Danúbio, vem das influências parisienses em sua arquitetura. Mas, com séculos de história, moldada por um vaivém de invasores, a cidade exibe muitos outros tesouros.     

  Uma caminhada às margens do mítico Rio Danúbio, em Budapeste, ladeado por construções majestosas, como o Parlamento, e por alguns edifícios quadradões dos tempos comunistas, dá razão à frase que você provavelmente ouvirá na capital da Hungria: “Se você for de Paris a Budapeste, pensará que está em Moscou. Mas, se for de Moscou a Budapeste, pensará que está em Paris”. Tudo bem que há um exagero na comparação com Moscou. Isso porque as constantes renovações estão dando cabo do aspecto sem graça que ainda paira em algumas regiões da cidade, a qual, em 1989, deixou cair a Cortina de Ferro socialista. O que não é difícil de constatar é que, de fato, em muitos pontos da capital, não falta um quê da Cidade Luz, o que justifica a alcunha de “Paris do Leste Europeu” dada a Budapeste.

     Tal qual sua “musa”, Budapeste exibe uma cena cultural agitada, bulevares em constante burburinho e café tradicionais. E, claro, um magnífico patrimônio arquitetônico, bastante influenciado pelos moldes parisienses e erguido tardiamente para os padrões europeus: sobretudo nas três décadas do século 19. É que, nesse período, a cidade era uma das capitais do poderoso Império Austro-Húngaro. E para exibir um visual à altura da outra capital, a deslumbrante, rica, culta e musical Viena, Budapeste recebeu vultosos investimentos para que se modernizasse e desabrochasse em termos de arquitetura. A partir daí, pipocou a construção de edifícios grandiosos e belíssimo: o Parlamento, inspirado no londrino Palácio de Westminster e um dos cartões-postais locais; a Casa de Ópera, ponto de encontro da sociedade para apreciar ópera e musica erudita; o Palácio das Artes; e outras construções de respeito, compondo um dos conjuntos mais bonitos e harmônicos da Europa. 
          Mais do que visuais encantadores, vigiados aqui e ali pelo Rio Danúbio e entremeados por muitos capítulos da história, os bons vivants ainda viverão experiências caprichadas em Budapeste. Entre elas, degustar vinhos de grande qualidade – apesar da produção pequena, a Hungria tem fabricantes respeitados – e comer em restaurantes estrelados sem gastar os tubos; fazer compras na maior rua do comércio local, a Váci Utca; e descansar tantas descobertas nas frequentadíssimas termas. Banhar-se nas água quentes que brotam do solo é um hábito tão corrente, que dizem por lá, tanto quanto um bar e café prediletos, os moradores também têm sua terma favorita. Mas deixe o relax à moda húngara para o fim da viagem. Antes é preciso deixar-se levar pelas ruelas, praças e pontes que conduzem às atrações essenciais, como o Bairro do Castelo (Var Negyed, em húngaro), nas colinas da cidade.

Budapeste do Alto

     O Bairro do Castelo é um dos pontos mais visitados de Budapeste. A 170 metros acima do nível do Danúbio – que está longe de ser azul, como sugere o titulo da mais conhecida valsa do compositor austríaco Johann Strauss -, o platô abriga os mais importantes museus e monumentos medievais da capital. O passeio começa ainda aos pés do monte, na bonita Ponte das Correntes, outro símbolo local. Inaugurada em 1849 e decorada com imponentes leões, a estrutura foi a primeira a ligar as cidades de Buda e de Peste. Isso mesmo. Até 1873, peste, na parte plana e com cara mais “moderna”, e Buda, o lado antigo, com direito a muralhas e parcialmente erguido nas colinas, eram municípios independentes, unidos pouco depois da anexação da Hungria ao IMPÉRIO Austro-Húngaro para “encorpar” uma das sedes da monarquia.
     Dá para chegar a pé ou de ônibus ao topo do morro, mas o jeito mais divertido é a bordo do clássico funicular bordô com detalhes amarelos que deixa os visitantes na entrada do Palácio real. O castelo foi refeito pelo menos seis vezes nos últimos séculos e, na parte detrás, ainda se avistam as ruínas do edifício que remonta ao período medieval. Atualmente, o espaço abriga dois importantes museus, a Galeria Nacional e o Museu de História de Budapeste, e ainda a Biblioteca Nacional. A visita à galeria vale não só pela importantes coleção dedicada às pinturas do gótico tardio, mas pela possibilidade de conhecer artistas húngaros e o retrato de diversas histórias e tradições do país. Alem dos quadros com a recorrente temática da batalha contra os turcos otomanos – um dos muitos povos que ocuparam a Hungria -, há alguns trabalhos que mostram homens virando baldes d´água em camponesas. O que pode parecer uma simples brincadeira é uma tradição ainda hoje posta em prática na Páscoa, a locsolás. A premissa é que as moças são como flores e, como tal, desabrocham na primavera, ficando ainda mais belas quando recebem água. Por isso, as jovens costumavam levar baldes inteiros de água na cabeça ou eram até jogadas no rio. Atualmente, porém, a diversão foi reduzida a alguns pingos d´água para celebrar o fim do inverno.

     Outras atrações nessas bandas são as cavernas subterrâneas, escavadas pelas nascentes termais que abastecem os complexos de banhos quentes da cidade (veja o Box na pág. 115). Para saber tudo sobre as termas de Budapeste, clique aqui.  Ao longo dos 28 Km, há 200 cavernas que se entrelaçam no subsolo, uma parte formada naturalmente e outra aberta pelo homem para servir de abrigo durante as guerras. Algumas, como a que está perto do castelo, podem ser visitadas. De volta às ruas de Buda e com a bem-vinda luz do dia como companhia, siga para o Portão de Viena, ornado com a icônica águia virada para Peste e que marca a entrada da cidade medieval. Um dos pontos é a Praça Trinity, onde está a “diferentona” Igreja de São Mateus. Nela se destaca o lindo telhado de mosaicos coloridos, seguindo o formato de flores e que junta a robusta base que remonta ao século 13; a decoração gótica, do século 15; e alguns detalhes deixados pelos otomanos, que a usaram como mesquita.
      Com esse aspecto único, o templo foi palco de diversas coroações. Uma delas foi a do casal Francisco José I e Elizabeth da Baviera, a bela Sissi, aclamados imperadores da Áustria e reis da Hungria, pacto que selou a dupla monarquia em 1867, formando o Império Austro- Húngaro. Foi então que surgiram dois Estados e dois parlamentos, com sede em Viena e Budapeste. O acordo durou até 1918, quando o término da Primeira Guerra Mundial trouxe o fim do império, que se fragmentou em países como – finalmente – a Hungria. Ao lado da Igreja de São Mateus está o Buda Hill, o primeiro hotel de luxo da Budapeste pós-guerra. O projeto arquitetônico foi bem-sucedido ao combinar uma estrutura moderna com as ruins de um mosteiro dominicano do século 13. Os vitrais de mosaico do templo vizinho refletem nos vidros alaranjados do hotel, formando um magnífico jogo de imagens.


      Um bom lugar para admirar esse contraste é do Bastião dos Pescadores, fortaleza bastante visitada tanto por sua bela estrutura como pela completa vista que descortina de Budapeste. O nome faz alusão aos pescadores que, na Idade Media, também se empenhavam em ali formar uma primeira linha de defesa do castelo. Já as sete grandiosas torres que dominam a construção representam as setes tribos magiares, nome dado ao povo húngaro na língua local, que chegaram à Bacia dos Cárpatos no ano 896. Em frente ao complexo, a escultura de Santo Estevão, primeiro rei da Hungria, que cristianizou o país, completa o cenário histórico.

Símbolos Nacionais

       Ao contemplar a paisagem dali do Bastião dos Pescadores, uma construção com uma imensa cúpula avermelhada, ladeada por torres pontiagudas, se impõe na outra margem do Danúbio, em Peste. Trata-se do Parlamento Húngaro, que dali ou de pertinho, os turistas não se cansam de fotografar. Para os nativos, porém, mais do que a imponência do edifício  e sua importância política, o Parlamento é um lugar de respeito e até adoração. É que a construção guarda, na área do marcante domo central, a coroa do rei Estevão, que subiu ao trono do ano 1000, considerada símbolo nacional. Para vê-la, é preciso juntar—se à visita oficial oferecida pela casa. “A coroa é como uma pessoas, a quem juramos lealdade e respeito”, diz a guia, enquanto os guardiões, a cada cinco minutos, saúdam a peça com movimentos de espada e dizeres em húngaro.
      Durante o tour, a guia também fala sobre a importância da localização da maior edificação do país. “É um contraponto à grandiosa estrutura do castelo, em Buda, e um sinal de mudança política, em que os princípios democráticos se opõem á aristocracia”, explica. Ela conta ainda que o  parlamento, alem de ter 700 cômodos, é uma minicidade. “Aqui há de farmácia a salão de cabeleireiro”, comenta. Na mesma região, na Praça Szent István, encontra-se a Basílica de São Estevão, a mais importante da Hungria. Se no Parlamento vê-se a coroa usada pelo rei Estevão, no templo está a mão direita mumificada do monarca, santificado pela igreja por ter consolidado o cristianismo no país. No entanto, olhando a caixa de vidro onde o membro é conservado, mal dá para perceber que aquilo é uma mão, coisa bem compreensível, já que o rei morreu no ano 1038. Impressionante mesmo são as fotos do processo de mumificação, também exibidas ali.

Traumas Históricos
      Se o passado longínquo da Hungria é motivo de orgulho nacional, o mesmo não se pode dizer da história recente do país. As feridas deixadas pelos nazistas e comunistas são intensamente expostas em locais como a Casa do Terror (Terror Háza), onde há uma bem estruturada e interativa mostra permanente chamada Dupla Ocupação. Autenticidade não falta ao espaço, que abrigou a “casa lealdade”, antiga sede do Partido Nazista húngaro e, mais tarde, da policia secreta comunista, a Ávo. No pátio do prédio, um tanque soviético e fotos de vitimas de perseguição e seus torturadores recepcionam os visitantes. No subsolo estão as antigas celas, algumas tão pequenas que sequer é possível ficar agachado, além de solitárias e quartos com paredes chias de espuma para abafar os gritos de quem estava sendo “interrogado”. A sala destinada a explicar a Revolução de 1956 – iniciada em 23 de outubro daquele ano, quando os 50 mil universitários protestaram contra os desmandos soviéticos e exigiram mudanças no governo – traz vídeos com as passeatas e a brutal repressão russa. Entre os símbolos que marcaram a revolta , destaca-se a bandeira da Hungria com um buraco no meio, assim representada por causa da retirada da foice e do martelo comunistas.
      O passado difícil e sangrento também se faz notar à beira do romântico e esplendoroso Danúbio, onde 60 pares de sapatos antigos, forjados em ferro, relembram os judeus que foram fuzilados e caíram nas águas do rio. As atrocidades do período nazistas também são contadas no Museu Judaico da Sinagoga, na Rua Dohany, onde há uma sala destinada ao Holocausto. Mais leve de visitar é o grande salão do museu que exibe relíquias religiosas e objetos usados durante as festividades judaicas. Em termos arquitetônicos, o templo também dá um show, pois é a maior sinagoga da Europa e a segunda maior no mundo, atrás apenas da Emanuel-El, em Nova York. No lado norte dela, há um Memorial do Holocausto, com o monumento Árvores da Vida, cujas folhas de metal exibem os nomes das vitimas locais do regime nazista e os campos onde elas perderam suas vidas, em 1944 e 1945



      O topo do Monte Gellért, ao lado da colina onde está o Palácio Real – e onde hoje casais e outros turistas passeiam encantados por conta do ponto de vista que oferece de toda a cidade -, é mais um ponto que representa inúmeros conflitos em que a Hungria se envolveu nos últimos séculos. Antes da ditadura comunista em cena, os “bonzinhos” dos soviéticos construíram em 1947, ali no alto, na Szabadság (Praça da Liberdade), estátua de uma mulher segurando um ramo de folhas. Erguido em frente à antiga cidadela, a gigantesca obra celebra a libertação de Budapeste da ocupação alemã. No fim, saiu um dominador ruim e entrou outro pior. Ou vice-versa. Já a fortificação ao redor da qual o monumento foi erguido pelos austríacos, foi feita para prevenir levantes de independência em 1848 e 1849. As muralhas, porém, nunca tiveram serventia, graças à virada política e ao acordo de dupla monarquia entre Áustria e Hungria.

Renascimento Cultural

      Apesar da contrariedade em integrar o Império Austro-Húngaro, foi justamente nesse período que Budapeste desabrochou economicamente, intelectual e culturalmente. Os grandes bulevares, inspirados nos de Paris; a Ópera que reunia a fina flor da sociedade para apreciar a música de compositores como o húngaro Franz Liszt (1811-1866); o Palácio das Artes; e o Parlamento foram erguidos durante o governo que juntou os dois vizinhos. Também é dessa época a confeitaria Gerbeaud, que desde 1870 funciona na agitada praça Vörösmarty, em Peste. O espaço, que ainda mantém o aspecto aristocrático de outrora por conta dos lustres enormes e tapeçarias, é ponto de encontro da elite de Budapeste, que ali se reúne para degustar as mais famosas tortas e doces da cidade. Só de olhar a colorida torre criada com macarons, disposta sobre o balcão, já se fica com água na boca.

      Outro estabelecimento dos antigos e muito bem conceituado é o New York Café, de 1894, que ostenta luxuosos relógios e arcos dourados. A casa funciona junto de um hotel, onde as pessoas fazem fila para poder saborear o deliciosos bufê de café da manha, servido até meio-dia. Já o tradicional restaurante Gundel, o mais famoso da cidade desde 1894, serve clássicos da culinária húngara, como peixes e goulash, caldo à base de carne bovina ou suína e que leva batata, cenoura, cebola e páprica, muito usado nas receitas do país. Entre as iguarias que não devem ser ignoradas estão os kürtöskalácsI, pães em forma de rolo, assados e cobertos com açúcar e canela (a cobertura também pode ser de chocolate, baunilha ou amendoas). Qualquer barraca de comida nas praças ou cafés da agitada rua de compras Váci Utca oferecem o doce, criado na Transilvânia – que pertenceu à Hungria e hoje é parte da Romênia – para aproveitar as sobras de pão do dia anterior. Prove também os vinhos húngaros, especialmente os das marcas Gere e Bock. Para experimentar esses e outros rótulos, uma boa pedida são as degustações da loja Magyar Borok Háza (Casa de Vinhos Húngaros), situada arás do Bastião dos Pescadores.

A Curva do Danúbio

       Se tiver um pouco mais de tempo, inclua um vilarejo de nome quase impronunciável, Szentendre, na programação. Esse lugar, a meros 20 Km de Budapeste, é famoso nas redondezas por conta da curva do Danúbio (Duna Kanyar), ponto em que o rio corre por um estreito vale. De trem, o trajeto dura cerca de 30 minutos, mas o caminho feito pelos barcos de passeio é infinitamente mais bonito. A cidadezinha, embora constantemente tomada de turistas, mantém o charme provinciano, surpreende pela quantidade de igrejas, como a Catedral Belgrado, inusitadamente pintada de vermelho. E elas são ortodoxas, algo diferente em um país predominantemente católico. Isso se explica pelo fato se Szentendre ter sido fundada por sérvios, tradicionalmente cristãos ortodoxos, que fugiam da invasão otomana pelo sul, durante a Idade Média.
            Nessa pitoresca vizinhança, os turistas circulam pelas barracas de artesanato, comidas típicas, suvenires e roupas, que diariamente se espalham próximas às margens do Danúbio. Ma bom mesmo é bater pernas a esmo – topando com praças como a Fo Ter, que claro, abriga mais uma igreja ortodoxa -, para depois sentar-se à beira do rio para descansar e tomar sol. Ao retornar a Budapeste de barco, você terá o privilégio de sentir uma vez mais a brisa do Danúbio e de admirar a deslumbrante arquitetura da cidade, pomposamente espalhadas às margens do rio. Certamente agora, depois de tamanho contato com a complicada, porém vitoriosa história húngara, você concorde que a capital tem mesmo um bocadinho de Moscou e um punhado de inspiração parisienses. Mas há  toda uma singularidade que faz de Budapeste um esplêndido cartão de visita das belezas do Leste Europeu, que sem a pesada Corina de Ferro comunista cada vez mais soa como o destino da hora do Velho Continente. 




Informações Gerais

As melhores termas de Budapeste

Populares ou sofisticados, banhos termais entram no roteiro

(Texto originalmente publicado na revista Viaje Mais! Jun. 2013)

          Por estar localizada na falha geológica que separa a área montanhosa de Buda e a planície Peste, Budapeste tem a dádiva de contar com um solo do qual brotam, diariamente, 70 milhões de litros de água naturalmente aquecidas, que transformam a cidade em um grande spa metropolitano. São 123 termas, que abastecem piscinas e jacuzzis com água na temperatura entre 21ºC a 78ºC, uma experiência realmente escaldante. É por isso que, na capital, diz-se que cada morador não tem somente um bar ou café favorito, mas também sua casa de banho.

          As ruínas da cidade romana (Aquincum) no distrito de Óbuda, ao lado de Buda, mostram que os romanos já usavam as termas há mais de dois mil anos. Ainda assim, a tradição só se incorporou à rotina local com a chegada dos turcos otomanos, em 1541-1686. A mais turca das termas é a Rudas, em funcionamento há 500 anos. Seu interior é um pouco escuro e moldado com estruturas de ferro, que seguram as antigas colunas e também são o ponto onde os visitantes penduram toalhas. No meio, fica uma grande piscina octogonal, circundada por quatro piscinas menores, para que o freguês siga o ritual de alternar banhos na temperatura de 28º, 30º, 36 e 42ºC. Às sextas e sábados, a casa, que recebe homens e mulheres, abre também durante a madrugada. Já que roupas de banho são obrigatórias, não há razão para acanhamento.