terça-feira, 12 de novembro de 2019

Berlim: 30 anos depois da queda do muro


Esse post parece mais um Déjà-vu. Já escrevi reportagens sobre os vinte anos da queda do muro, posts sobre os 25 e aqui estou eu de novo 30 anos depois. Embora seja um dos maiores acontecimentos do século 20, nem Freud explica essa minha obsessão. Tenho lembranças do ocorrido, numa perspectiva claramente infantil de uma criança de seis anos. Meu jantar que não vinha, minha avó paralisada em frente a TV e a Globo anunciando a musiquinha do plantão. Coisas estranhas da vida. Mal imaginava à época que moraria por quase dez anos em cidades na Alemanha Oriental e completaria grande parte da minha vida acadêmica por lá. Só queria mesmo ser astronauta, pintora ou aeromoça pra poder viajar.  

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Cambridge em um Fim de Semana

A cidade é uma boa opção para um passeio de fim de semana, um aconchego bucólico de outono quando cansamos da caótica e intensa moça londrina. Mas é difícil desassociar o destino no condado de Cambridgeshire com seu clima estudantil e os nomes mais cabeçudos da história inglesa. Tanto que um grande número de colleges compõe a lista dos pontos turísticos mais visitados por aqui. Ao pisar no centro histórico, a capela da King’s College domina o reino do conhecimento (e estampa os panos de pratos mais bregas do interior britânico). Um ícone da arquitetura gótica, com vitrais coloridíssimos e teto de abóbodas brancas, é um must-see dos guias de viagem. Mas, diferente de outros países europeus, a universidade aqui não mantém as portas abertas para a sociedade civil. Well, ao menos que se abra a carteira! Em Berlim, podemos entrar na Humboldt, passear pelos corredores, admirar os dizeres de Marx gravados no mármore sem nenhum problema. Por outro lado, em Cambridge, o hobby dos porteiros é barrar visitantes na entrada como se fossem homens-bombas no Heathrow. Há inclusive histórias constrangedoras de professores questionados à entrada por não se encaixarem no padrão de vestimenta “lorde inglês”. Fato é que o total de 31 colleges, embora nem todos abertos à visitação, pode ser um problema pro bolso.

domingo, 15 de setembro de 2019

A casa do Freud em Londres

Tenho um prazer enorme em bisbilhotar à casa alheia pelas janelas entreabertas. Acho ainda mais interessante se ninguém estiver presente. Assim, posso criar a figura de um personagem, um morador fictício, baseada nos objetos que compõem o cômodo bisbilhotado. A indiscrição é tanta que até já ganhei um livro de fotos de janelas parisienses, exibindo a vida privada da cidade. Por essa mesma lógica, gosto também de visitar museus que outrora foram residências de escritores, artistas ou intelectuais. Já vasculhei os antigos lares de Goethe, Schiller, Nietzsche, Otto Dix, Thomas Mann, Shakespeare, Van Gogh, Picasso... Recentemente, inseri na lista a última morada de Freud, na Maresfield Gardens, número 20, no charmoso bairro de Hampstead, em Londres.

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Costa Alentejana em Portugal: Falésias dramáticas e praias selvagens


A costa do Alentejo é dona de algumas das mais belas praias de Portugal. Esse trecho do litoral lusitano se estende por cerca de 100 km desde a Península de Troia até o litoral do Algarve, no sul do país, e exibe uma sucessão de praias marcadas por falésias rochosas dramáticas, dunas, mar azul e pouco movimento de turistas se comparado a outros litorais europeus mais badalados. Estradas litorâneas contornam à beira-mar pelo alto das falésias, exibindo altos mirantes e facilitando os deslocamentos entre uma cidade e outra.

sábado, 31 de agosto de 2019

Alentejo-Portugal: Orgia Gastronômica

O Alentejo é famoso por sua boa gastronomia. Por um lado, as influências do litoral dão á mesa deliciosos pratos de peixes e mariscos. Por outro, o interior traz os elementos da terra como os enchidos e os pratos de caça. Coentros, oréganos, hortelã, alecrim e manjericão dão um baile de aromas e sabores. Não deixe de experimentar a sopa de cação com coentro, servida no restaurante Fialho ou o bacalhau com espinafre no Café Alentejo, ambos em Évora. 

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Alentejo-Portugal: Monsaraz e Mértola


Monsaraz: E o céu estrelado 

Após subir uma estrada cercada de oliveiras, você chega à Porta da Vila. É a entrada para Monsaraz, uma aldeia no alto de uma montanha onde o tempo parece ter sido aprisionado no interior de suas muralhas. O charmes histórico está em qualquer direção que se olhe. Das torres do castelo, avistam-se as planícies e as águas azuis-turquesas da barragem da Alqueva, um dos maiores lagos artificiais da Europa. Dá para passar horas ali com o olhar fixado. Casinhas brancas, lojinhas de vinhos, suvenires e mantas artesanais se espalham pelas ruas de pedra. Um passeio pela praia fluvial também é uma boa opção para quem não se contentar em ficar só olhando. 

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Portugal-Alentejo: Estremoz e Elvas


Estremoz – Aguce os sentidos

Depois de percorrer os caminhos de Évora é hora de sair rumo aos arredores para conhecer as paisagens e cidades do Alentejo. A melhor opção é alugar um carro para rodar pelas estradas que contornam os campos de oliveiras e levam rapidinho a uma infinidade de aldeias de casas brancas cercadas por muralhas medievais, geralmente erguidas no alto de colinas e com um castelo no cocuruto. Uma delas é Estremoz, também conhecida como Cidade Branca por causa da presença do mármore em sua arquitetura. Entrar em Estremoz só se faz à moda antiga, ou seja, passando pela ponte de madeira que leva para o interior da muralha. Da Torre das Três Coroas, resquícios de um velho castelo, há uma vista fenomenal dos vinhedos nos arredores. A pacata cidade revela-se facilmente em uma caminhada leve e relaxante.

sábado, 10 de agosto de 2019

Alentejo: Portugal como antigamente


Deixe a pressa em casa quando viajar pelas charmosas cidades históricas da maior província de Portugal, pois essa região de paisagens serenas e boa gastronomia é para ser degustada com a maior serenidade possível.

Vinícolas, vilarejos medievais amuralhados, paisagens tranquilas... O Alentejo, à primeira vista, é um oceano de calmaria. Entre os portugueses, é um destino para descansar e curtir a vida bucólica dos campos. Então, deixe a pressa em Lisboa quando cruzar a ponte sobre o Rio Tejo rumo à maior província do país, que tem acesso rápido desde a capital portuguesa, basta uma hora e meia de carro rasgando estradas planas e cenários tão belos a ponto de amolecer a razão. De uma vila a outra, percorre-se caminhos com aromas de alfazema, vinhedos e plantações de oliveiras. Mas, apesar do sossego aparente, há muito o que se descobrir por essas bandas: castelos, vila fortificadas e o melhor de tudo: a mais rica gastronomia portuguesa. Nas palavras do escritor Miguel Torga: “Mais do que fruir a direta emoção de um lúdico passeio, quem percorre o Alentejo tem de meditar. E ir explicando aos olhos a significação profunda do que se vê.