Há coisas nessa vida que costumo chamar de “experiência antropológica”. Dar uma espiadela em coisas “estranhas” para ver se gostamos. E, sim, vale para todas as esferas da nossa existência (por que não?). Ano passado decidi que passaria a madrugada do solstício de verão no Stonehenge. Além de ser de graça (quem mora em Londres entenderá a mão de vaquice), é a única oportunidade de chegar bem pertinho e encostar as mãos, pés, nariz e bunda na estrutura. Cada um com seu fetiche, tenho dito sempre. A única coisa é que dividimos o espaço com toda sorte de malucos (no bom sentido, tá?) que seguem para contemplar as lendas e mistérios da construção desse círculo concêntrico de rochas. Durante um tour oficial, o monumento é protegido e só podemos vê-lo a uma certa distância. Por isso, há vários motivos para se juntar a celebração.
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quarta-feira, 19 de junho de 2019
domingo, 9 de junho de 2019
Spotify e o robô enxerido
Já faz umas semanas que ando com uma baita implicância com os algoritmos do Spotify. Mas, estranhamente, quando xingo suas escolhas inapropriadas para meus ouvidos, me sinto tão maluca como meu avô insultando secretárias eletrônicas ao soar do bip. Não me entendam mal. Inicialmente, me senti realmente seduzida pelas listas sugeridas por esse xereta invisível. As mais ouvidas em 2018, os daily mix ou as sugestões gerais. Meu problema tá com a falta de contexto. Explico. Associamos músicas com situações, lugares, pessoas, fases da vida.
sábado, 4 de maio de 2019
A leveza da idade
Não costumo ter bloqueios para escrever posts. Síndrome da tela vazia do Word só acontece com trabalho. Aliás, posts em geral são a antítese disso. Quando empaco com matérias ou tese, chuto o fantasma A4 pro alto e escrevo qualquer paranoia, comentário ou abobrinha para o blog. É um ótimo laxante de ideias. Mas eis que estou há três semanas evitando abordar minha primeira experiência dando aulas. O problema não é a novidade ou o desafio da experiência em si. Acho que a obstrução tem a ver com o cheiro. Podem seguir com a leitura despreocupados. Não virá nada escatológico.
sexta-feira, 19 de abril de 2019
As chamas da Notre Dame
Estava em uma reunião com alguns amigos segunda-feira à noite aqui em casa (filme, massa, bate papo), climão pacato dos tediosos dias de semana. Um pouco antes de dormir chequei minha timeline do Facebook. Posts do incêndio da Notre Dame jorravam numa velocidade maior que a do próprio fogo – BBC, Guardian, Folha, Estado, El País, SZ, FAZ e mais uma imensa lista de veículos compartilhando a tragédia. Aquilo mexeu comigo sem aparente explicação e para reprimir o que não queria trazer à tona, passei a analisar os fatores noticiosos. Surpresa, imprevisto, dano extremo, proximidade cultural, alto fator emocional, acidente em uma “nação de elite”. São as regras do jogo midiático. Ponto. Walter Lippmann diz amém.
quarta-feira, 10 de abril de 2019
Nova Zelândia: Em busca dos Kiwis na Ilha Sul
Uma overdose de natureza, trilhas, geleiras e esportes radicais no pedaço mais selvagem do país do kiwi
Não é muito fácil ver um kiwi. Não a fruta, mas o pássaro kiwi, que é o símbolo nacional da Nova Zelândia. O bicho tem aspecto engraçado, parece uma bolota peluda com um bico fino e alongado. Ele não voa, é muito arisco e só gosta de sair à noite. Apesar da timidez, o kiwi não tem nada de bobo, pelo menos, sabe escolher muito bem um lugar para morar. Habita os parques nacionais da Ilha Sul da Nova Zelândia, a região mais bela e selvagem do país, onde a natureza foi criativa ao desenhar picos nevados, praias, geleiras gigantes e fiordes (estes últimos só para dar um toque norueguês à paisagem neozelandesa). Para mim, o kiwi é, sobretudo, um privilegiado.
sexta-feira, 29 de março de 2019
Bollocks to Brexit
Mais irritante que o „Mind the Gap” em Londres só esse slogan “Keep Calm and Carry On”. Enquanto os franceses queimam carros em protesto contra o planeta, os ingleses são aconselhados a manterem a calma e seguirem em frente. Sério? É muita contenção. O mundo caindo, o Titanic afundando, a casa pegando fogo, o demônio da Tasmânia varrendo a cidade, mas a bela cabeça fria (educadíssima) sempre permanece no devido lugar – “I beg your pardon”, “would you excuse me”? WTF? A vontade é de atirar a xícara de chá fervendo contra a parede, pisar nos scones e sair gritando “ma che porca miséria”! Sério, nem o Buda conseguiria não revirar os olhos assistindo uma discussão no parlamento britânico. Morro de curiosidade para saber se esses políticos têm o mesmo sangue frio quando se trata da vida pessoal deles. Com exceção da May que não deve ter uma.
sexta-feira, 15 de março de 2019
"Um Dia do Nosso Para Sempre"
“Tiraste-me a virgindade da alma. E aos poucos vai retirando a inocência do meu corpo”. Essa frase é de uma escritora portuguesa extremamente jovem, que conheci por acaso em um curso de jornalismo na universidade de Derby, no Reino Unido. Foi a coordenadora do programa que me mostrou seu livro – “Um Dia do Nosso Para Sempre” – editado pela Cultura e já com 30 mil exemplares vendidos. Maria Cunha e Silva passou a publicar textos, poesias e muito do que escrevia no Instagram, aos 16 anos. Logo angariou mais de 30 mil seguidores e com a admiração desse público jovem e fiel bateu nas portas da editora para realizar seu sonho!
domingo, 10 de março de 2019
É pau? É pedra? É o fim do Caminho? Fuck Paintings!
Depois de ler um livro publicado por uma aluna esta semana (que pretendo comentar num próximo post), fiquei com o tema “primeiras-vezes” ressoando na cabeça. No caso do livro, um inocente primeiro-amor. Coragem, exposição, arte, desejo feminino. Toda essa temática veio a calhar muito bem quando pela “primeira vez” cruzei Londres inteira só para ver genitálias. Quer dizer, pinturas de genitálias. Explico.
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