quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Táticas para procurar WG na Alemanha

Alugar apartamento em Londres não é tarefa simples. Lidar com os preços mais caros do planeta e um monte de corretores engomadinhos exige paciência e ânimo. Muito ânimo. Mas depois de encarar a experiência britânica duas vezes, passei a achar a procura por cafofos na Alemanha bem mais amena. A busca por um quarto em terras germânicas tem me rendido boas risadas nos últimos tempos. Veja, os preços são mais camaradas e dá para driblar essa figura abominável do estate agency. Assim, tudo sempre me pareceu muito descomplicado pelo site wg-gesucht.de, até eu perceber o preconceito com os trintões. E relembrar das entrevistas peculiares para analisar as esquisitices dos futuros coleguinhas de apartamento. 

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Dez Anos

Há exatamente dez anos – em 28.11.2008 – entrei num avião rumo à Leipzig, imaginando que voltaria depois de um ano para procurar um emprego melhor em São Paulo. Tudo muito certinho e definido como jovens adultos (daqueles chatos) costumam fazer. Hoje me parece bastante óbvio que as coisas tomaram outro rumo. Mas este seria o enésimo post falando de como não controlo absolutamente nada do que julgo controlar. Então, deixemos esse problema de lado. Desde então muita coisa mudou, a cor do cabelo (deixaram de ser vermelhos), o peso (toda senhora respeitada ganha uns quilinhos), a forma de ver o mundo, as cidades, o país, meu gosto por Milan Kundera ou a superstição pelo número três ou sete. 

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Tempos estranhos


Acabei de botar um ponto final no Fazit (na conclusão) da minha dissertação. Três anos depois dessa foto aí de cima, em uma outra cidade, 533 páginas depois e muita água corrida embaixo da ponte. Foi o ponto final mais estranho dos últimos meses, cheio de alívio e dúvidas. Ainda terá muita dor de cabeça pela frente, correção gramatical, primeira avaliação, alterações e remodelações de capítulos e mais uma maratona de estudos até a prova oral. Ainda assim, foi um marco importante. Uma das loucuras mais sãs dos últimos anos. Foram tempos conturbados, uma avalanche emocional, fim de tese, a elaboração de um plano de seminário para o verão, as bizarras eleições no Brasil. Ao tentar sair por instantes da bolha acadêmica, para aliviar a pressão da pesquisa, dava de cara com a histeria conservadora tomando conta do mundo. E enfiava a cara nos artigos novamente. 

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Londres, mudanças e um baú de inutilidades sentimentais

É difícil fazer a vida caber em uma mochila. Ainda mais quando se envelhece. Ao sair de casa há dez anos, enchi duas malas e segui viagem. Na verdade, deixei com muito zelo tudo que estimava na casa da minha mãe. Levei coisas que poderiam ser deixadas pelo caminho, sem importância. Com o passar dos anos, era até interessante visitar o Brasil e reencontrar objetos que eu mal lembrava da existência no meu dia a dia. Deixei-os guardado porque um dia foram importantes. CDs dos meus dezesseis anos, agendas da adolescência cheias de sonhos e intrigas, vestidos longos de festas antigas, textos da faculdade, livros, retratos do primeiro mochilão, bichos de pelúcia, presentes antigos.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Londres (sempre) imprevisível

Ao longo dos anos já me mudei algumas (várias) vezes. Morei por mais de dois anos em três países, passei por nove cidades e pelo menos dez casas. Não me considero extremamente apegada às coisas. Não muito pelo menos. A vida é meio imprevisível, já aprendi e parei de tentar controlá-la ao extremo. Tento planejar, programar, só pra ter a graça de tudo sair diferente do projeto inicial e eu poder exclamar: mas que cazzo! 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Brick Lane`s Street Art

Porque por aqui não há resquícios do engomadinho do Dória! East London continua coloridíssima, cheia de street art (nos entornos da Brick Lane), com sua porção de restaurantes indianos, cheiro de curry, boutiques vintages, cafés, lojas de música e livrarias. E, sim, muito grafite!

terça-feira, 31 de julho de 2018

Como terminar uma tese


Já disse que mudar de língua e país pode ser um jeito, não de se curar, mas de mudar de neurose. Suspeito que viajei muito ao longo da vida, não na esperança de me curar, mas para fugir da mesmice de uma neurose só”. 

domingo, 15 de julho de 2018

O que você faria se...

... se recebesse o diário de um desconhecido? Em uma manhã de junho, provavelmente ensolarada, a senhora Fátima recebeu em Londres um pacote enviado da Espanha. Não era para ela, mas para algum dos seus vizinhos. O problema é que quase três semanas depois, ninguém nunca apareceu para buscar o envio. A Fátima está até hoje com aquela geringonça trambolhenta no meio da sua sala. Só pode. Seu nome, o bairro que mora e essa coisa solícita de ajudar o próximo recebendo caixas para os moradores me fazem crer que ela tenha um background islâmico. Difícil só dizer se ela usa burca, somente um véu ou anda com a cabeleira solta. Fato é que sei muito pouco sobre essa mulher. Nem eu, nem o Royal Mail temos a mínima ideia de quem é a Sr. Fátima ou exatamente onde ela mora. Who the f... is Fatima?