quarta-feira, 29 de maio de 2013

Uma brasileira em Schmalkalden


Schmal quem? Sim, Schmalkalden, uma cidadezinha de 15 mil habitantes a duas horas de Weimar, se tivermos sorte com as conexões de trem. Antigamente chamava-se Schmales Kaltes Wasser, algo próximo a estreitas águas frias. Mas com o passar do tempo virou o palavrão aí do título. O vilarejo, considerado assim pelo menos para a perspectiva de uma paulistana, é bastante interessante. Além do castelo medieval e da igreja, estão por lá a fábrica da Vita Cola, a versão da Coca-Cola da antiga Alemanha Oriental, e a produção dos chocolates Viba- Nougat. Não sei bem como se diz Nougat em português, mas tecnicamente não se trata bem de chocolates, segundo minha amiga e anfitriã. Não importa, é uma espécie de bombom feito de avelã torrado e cacau. Aprendi todos os detalhes na visita ao local de produção (foto acima).  

sábado, 20 de abril de 2013

Paisagens alemãs


Potsdam - Babelsberg 
Mainau Insel - Konstanz 


Feengroten - Saalfeld 
Oberhof 
 Bamberg Rathaus 
 Pfaueninsel

 Dresden 
 Elba
 Garmish - Partenkirch
 Potsdam- Babelsberg 
 Rügen Insel 
 Wartburg Einsenach 
 Zugspitze

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O “Sie”, o “Du” e uma tremenda confusão


                   É verdade que a língua alemã tem seus desafios. Mas entre todos os imbróglios gramaticais, nada mais caótico que o uso dos pronomes de tratamento Sie (senhor) e o Du (você ou tu). Sabe-se lá quantos anos um estrangeiro precisa viver a cultura local para se acostumar com esses nuances do diálogo cotidiano. A grosso modo é simples. Usamos o Sie para falar com pessoas desconhecidas ou em situações mais formais como na universidade. Simples nada. Não dá para chamar um punk, em Berlim, de cabelo verde e calça rasgada de senhor. Mas a capital é uma exceção.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Esquisitices dos tempos do Blogspot


Há dois ou três anos, sei lá, comecei a fazer um blog de relatos de viagens e da vida na Alemanha por brincadeira, para poder registrar impressões, diferenças culturais ou até, por que não?, ter um registro pra mim daqui alguns anos. Certa vez escrevi sobre um projeto de lei do PV alemão para considerar sexo com animais como crime. Na verdade era só um parágrafo de um texto inteiro sobre posturas diferentes como, por exemplo, não furar as orelhas das meninas até que elas tenham idade suficiente para decidir se querem ou não usar brincos .

domingo, 7 de abril de 2013

O turismo e as atitudes incompreensíveis


Gosto muito de viajar. Muito mesmo. Também adoro fotografar tudo que me salta aos olhos, comidas diferentes, arquiteturas, paisagens, locais flagrados em seus cotidianos ou seja lá o que for. Ando com a máquina no pescoço para não deixar de registrar nada que ocorra inesperadamente. Mas tem coisas que me intrigam bastante nos turistas por aí, espalhados pelo mundo.
É bem bacana fazer fotos nossas com paisagens paradisíacas ao fundo. Concordo, sem discussão. Só queria entender o porquê pessoas tiram fotos ao lado de sapatos no rio Danúbio, uma espécie de memorial para judeus assassinados e atirados ao rio. Ou ao lado de uma árvore com folhas de metal, também um memorial ao holocausto. Posar ao lado de várias folhinhas com indicação dos nomes das vítimas e respectivos campos de concentração onde perderam suas vidas! Pra que? Qual o sentido? Não sou contra fazer imagens desses memoriais, mas por que raios as pessoas precisam aparecer lá na foto? Pior, pra que a pose? Daqui a pouco terá gente abraçando fornos em Auschwitz.


A Venus de Milo é deslumbrante, mas dá para fotografá-la sem querer aparecer do lado dela! Também há inúmeras variações de imagens da Mona Lisa. Da multidão ao seu entorno, close no sorrisinho irônico, mas do lado do quadro não dá, né! Ainda bem que descolaram um bendito segurança! E aqueles sujeitos que querem sentar no trono do rei, tomam bronca do vigia do museu, só pra se sentir por alguns minutos um pouco aristocrático? É tão estranho quanto tirar fotos ao lado de túmulos. Há uma diferença entre pontos turísticos e Disneylândia.  Nem toda obra é uma instalação que convida o visitante a usá-la como uma sala de estar.


Tá bom. Cada um na sua.  Mas ainda acho muito do esquisito alguém parar do lado de uma escultura, monumento, lançar um sorriso e fazer aquele dois de paz e amor (ou vitória na cultura oriental) e se deixar ser fotografado. Tudo bem se fosse em frente à estátua do Mickey ou do Pateta, mas ao lado da figura do Stalin ou de um líder da revolução húngara de 1956? O cara (Imre Nagy) deve se virar na tumba! Ser enforcado por lutar contra uma ditadura, virar ícone e estátua e passar a eternidade ganhando abraços de turistas de camisa florida! E aqueles que ficam bem na frente do quadro pra fazer a foto? E tampa a bendita pintura! Não, eu não tendendo mesmo!

quarta-feira, 27 de março de 2013

Bibliotecas pelo Mundo



Há quem diga que as bibliotecas se extinguirão e livros em papel deixarão de existir. Será? Ao sair de uma visita da Anna Amalia Bibliothek em Weimar, achei um livrão de fotografia bem bacana, que ainda cairá na rede dos meus desejos consumistas. A obra, de Cândida Höfer (com prefácio do Umberto Eco), mostra a arquitetura das “catedrais do conhecimento” por todo o mundo. E por que não colocar esses templos de sabedoria na lista de pontos turísticos a serem visitados por aí? Muitas podem valer a pena.
A Anna Amalia, em Weimar, por exemplo, foca em obras da literatura alemã desde 1800 e documentos da história da arte do século 9 ao 21. Na verdade, trata-se de diversas construções que ao longo dos séculos foram se juntando. Oficialmente, a biblioteca foi fundada em 1691, quando o duque da Saxônia- Weimar e Eisenach (o Guilherme Ernst) resolveu disponibilizar sua coleção de 1400 livros ao público. Somente 30 anos depois, o acervo já tinha crescido para 11 mil títulos.

De 1761 a 1766, a biblioteca, localizada no castelo verde (das grüne Schloss), teve a decoração adaptada ao estilo do século 18. O salão nobre, em estilo rococó, erguido no primeiro andar, foi o grande destaque da reconstrução. E como não podia deixar de ser aqui em Weimar, Johann Wolfgang Von Goethe logo entrou em cena. O duque Carlos Augusto (filho de Anna Amalia e neto do fundador) convidou o escritor para a supervisão geral da biblioteca, em 1797. As regras de uso estabelecidas pelo autor de Fausto já foram publicadas, por curiosidade, em alguns jornais alemães. Ele era também um dos usuários mais assíduos da biblioteca.
Em setembro de 2004, o espaço pegou fogo, uma tragédia que destruiu 35 obras de arte, 50 mil livros do século 17 e 18, além do acervo de partituras musicais. Outros 62 mil livros danificados estão em processo de restauração. Séculos de produção de conhecimento reduzidos à cinzas em uma noite. Somente em outubro de 2007, a biblioteca foi reaberta para visitação. O salão rococó, desde 1998 patrimônio cultural da Unesco, agora só possui uma galeria (a segunda virou uma sala de leitura). Durante a visitação, vídeos mostram o processo de restauração das obras, livros sendo congelados e cenas do incêndio. http://www.youtube.com/watch?v=Lk60cnQILI0


 Na famosa sala em estilo rococó, encontram-se bustos do Goethe (meio assustador), Schiller e livros antiguíssimos, alguns com indicação de que ainda se encontram em processo de restauração. A oficina está no mesmo prédio, mas não é aberta ao público. Como somente 290 pessoas podem entrar no local ao longo do dia, aconselha-se a reserva dos ingressos, principalmente em alta temporada.
Outra biblioteca digna de visita é a Old Library da Trinity College, em Dublin, a universidade de maior prestígio da Irlanda, que abriga o livro de Kells (Book of Kells). Todos os anos, meio milhão de pessoas encaram a fila para ver o manuscrito, datado de 800 d.c e tido como um dos textos mais antigos do mundo. Produzido por monges celtas do monastério St. Colmcille, na Escócia, a obra contém os quatro evangelhos do novo testamento escritos em latim e ilustrados artisticamente à mão. Com a invasão dos vikings, os monges fugiram para Kells, na Irlanda. Lá, os manuscritos foram roubados, enterrados e redescobertos, após três meses. Mas os vikings viraram o jogo, agora em 1007, e roubaram a preciosidade novamente. No entanto, pegaram só a caixa de ouro que guardava o livro e jogaram fora os textos, sem perceber sua importância. Desde 1654, depois da brincadeira de gato e rato, a relíquia está sob segurança da Universidade. 
Outra atração de peso da biblioteca é o Long Room (a sala comprida), onde os 200 mil livros mais antigos da universidade estão organizados em diversas prateleiras em uma sala de 65 metros de comprimento. Mesmo quem nunca colocou os pés ali terá a sensação de já ter visto o espaço. “O George Lucas bateu uma foto da biblioteca da entrada e a usou em Star Wars”, conta um dos seguranças locais. Privilégio do diretor porque, hoje em dia, fotografias são proibidas. Depois de aparecer nas telas do cinema, o espaço passou a ser classificado como a biblioteca dos jedis. 
“Como os livros estão desatualizados, mal os usamos, mas é importante ter essa história da construção do conhecimento”, disse pra nós um estudante da universidade. Nesta sala, há ainda uma das poucas cópias restantes da Proclamação de Independência da Irlanda, de 1916, lida por Patrick Pearse, no começo do levante, que acabou fortemente reprimido por tropas britânicas. Uma harpa em carvalho de 29 cordas, do século 15, a mais antiga do país, também é digna de nota.
Além da Anna Amalia, em Weimar, e da Old Library, em Dublin, Cândida Höfer clicou muitas outras bibliotecas que devem entrar para a listinha a serem visitadas algum dia! Ainda mais se o tempo estiver ruim...