terça-feira, 23 de março de 2010

Zoll, que saco!


Quando a gente acha que já passou por todas as experiências burocráticas possíveis em um pais estrangeiro, sempre aparece mais alguma coisa.  Depois de marcar médicos, dentista, ligar para atendimento ao cliente do servidor da internet, empresa de celular,  tomar vacina, enfrentar a cara feia dos funcionários públicos que concedem visto, descobri o Zoll! Esse troço fica na região da Bundesplatz, mais ao sul da cidade. É uma espécie de serviço de alfândega que confisca pacotes que chegam de países estrangeiros na Alemanha para averiguação.


Quando sua encomenda para por lá, o correio deixa uma notificação em casa para que a gente dê as caras em até quinze dias.  É sempre a mesma porcaria. Depois de caminhar quase dois quilômetros da estação de metrô até o galpão onde as botas do Judas  também foram confiscadas,  entro na fila da senha.

Apresento a notificação, o passaporte e explico: “minha mãe me mandou um embrulho (geralmente uma caixa gigante de dez quilos) com alguns presentes. O rabugento sempre me pergunta: “você sabe exatamente o que contém a caixa e qual o valor em questão”? Vamos por partes. Como vou saber se é presente? Explicação breve: se o produto enviado ultrapassa 50 euros, precisamos pagar o imposto de importação se quisermos levá-lo para casa. Caso contrário, os bens são destruídos ou enviados de volta ao pais de origem.  Remédios e outras coisas do gênero também são proibidas.

Pego a senha, sento e fico olhando constantemente o painel de  letras garrafais vermelhas chamar  número por número.  Não sei porque nesse momento dá sempre um frio na barriga.  Enquanto espero minha vez, leio os cartazes no mural da sala: “Zoll contra lavagem de dinheiro”, “Combate ao financiamento do terrorismo”.  A minha caixa vem geralmente com feijões, ervilhas, pinga, panetone e café brasileiro. Que raios isso tem a ver com terrorismo? Olha minha cara de ameaçadora! E o cartaz: “você viaja com mais de dez mil euros em dinheiro”? Sabe que nesse quesito eu até queria um probleminha! Já pensou? As pessoas por lá parecem em geral todas inofensivas, outras andam de terno, barba bem feita, cabelo cortado, com um quê de máfia italiana. Tem também os do tipo colares e dentes de ouro, camisa mal abotoada e pelos do peito à mostra.

Eis que chega minha vez. A funcionária já espera com o embrulho. Sem tocar em nada, entrega um canivete em minhas mãos e diz: "abra, por favor".  Uma vez já paguei 17 euros de taxa, em outra fui embora com minhas coisas sem desembolsar nada e sabe que até já fui surpreendida com a generosidade da funcionária pública que talvez por ser mãe, mulher ou seja lá qual for o motivo fez vistas grossas para um pacote de café além da cota ou uma camiseta sem valor declarado.

Sempre vou embora com a mochila carregada de comidas típicas, difícil de encontrar por aqui, e dando risada. Deve ser muito chato para quem trabalha lá abrir uma caixa suspeita e só encontrar encomendas inofensivas enviadas por mães e avós. Sabe-se lá o que eles pretendem de fato achar!

3 comentários:

Bruna disse...

Rê... me diverti mto lendo seu blog! Não conseguia parar de rir e imaginando vc passando por determinadas situações! rsrssrs
Muito bom, estou adorando! Ahhh te espero em julho para nossa pizza ou fondue regado à muuuuuito vinho! rsrsrs
Bjssss
Bruna Vecchi

Lupmacedo disse...

Vc cara de inocente!?!?!

Natalia disse...

hahahahahaha Viva a pinga e café da dona Tânia !

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