terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Você fala português? (Por Rodrigo P. Macedo)


Às vezes, as pessoas acham que, só porque elas moram num país estrangeiro, cuja língua é uma bizonhice em que os números são lidos de trás para frente, podem fazer comentários em voz alta na sua querida e confortável língua materna. Quando ainda morava em Berlim e zanzava pela cidade para cima e para baixo com os U-Bahns e S-Bahns, me lembro de dois rapazes sentados à minha frente conversando sobre alguma formosa moça que apareceu na vida deles. O sotaque era meio diferente, mas as sentenças eram perfeitamente compreensíveis. “No começo eu não sabia que era assim, mas depois... nossa como ela comia. Cada pratão....”, dizia o primeiro. “Mas também, com um barrigão daqueles...” completava o segundo. Segurando o riso, fiquei na dúvida se seguia com a minha espionagem sobre a vida alheia, ou se estabelecia uma comunicação com meus amigos lusófonos. Optei pela segunda opção e interrompi a comédia da vida privada com um “você fala português? Que legal, eu também. Sou do Brasil e vocês? Ah... Moçambique, por isso o sotaque um pouco diferente.” Entre sorrisos amigáveis e constrangedores, pelo menos o grupo chega a um denominador comum antes da estação de desembarque: “de qualquer forma, o português soa muita mais gostoso do que o povo lá de Portugal”.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Feirinhas de Natal na Alemanha

Fácil assim resumir um típico mês de dezembro: temperaturas gélidas, alguns flocos de neve começam a dar as boas vindas e a escuridão reina a partir das 16h. As mãos já não se separam de suas luvas e os dedões dos pés voltam a se sufocar entre meias e botas de inverno. Nada mais propício para o período de hibernação regado a muitos filmes, livros e vinhos. Mas, apesar do clima de recolhimento, as feirinhas de Natal ainda são uma grande motivação para os ursos saírem da toca!  E o que não seria de dezembro sem os Weihnachtsmärkte e os rituais natalinos!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Alemanha Central — Uma Noite no Wartburg, o castelo do Lutero

Razões não faltam para conhecer o Wartburg, no topo da cidade de Eisenach. Trata-se do segundo ponto turístico mais visitado do Estado da Turíngia, perdendo somente para Weimar, a cidade do classicismo alemão. Aquelas muralhas que desde 1999 são tombadas pela Unesco, imperam na paisagem em meio à floresta (a Thüringer Wald) desde 1157. E elas não testemunharam pouca coisa, não! Ali, acolhido no burgo, Lutero traduziu parte da bíblia para o alemão, fato que dá à edificação uma aura histórica para lá de especial. Além disso, por estar bem no centro da Alemanha, a construção também se tornou um símbolo na reunificação do país. Mais um ponto a favor do passeio é a paisagem cortada pela floresta.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Eurowings: Voos baratos e às cegas


          Você compraria um voo mesmo sem saber o destino? Somente a data de ida e volta poderia ser definida! Por quê? Bom, além de ser surpreendido com a revelação do local da viagem, a maior vantagem dessa opção é o preço: 33 euros por trecho. Surpreendentemente barato! Sabe aquela vontade de ver algo novo, conhecer uma cidade diferente, independentemente do lugar? Esse é o espírito. A ideia do Blind Booking, ou reservas às cegas, é da companhia alemã Germanwings, com base em Colônia.  

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Berlim - Dez melhores bares-cafés

A capital alemã sempre rende uma boa dose de saudosismo, nostalgia e suspiros em qualquer grupo reunido em volta a uma mesa de bar. Seja entre berlinenses, ex-moradores, turistas ou entre aqueles que sonham por lá aterrissar. Uma ilha no mundo alemão! Até arrisco dizer que é a melhor metrópole do mundo pra se viver: pequena (para os padrões brasileiros), com muita natureza nos arredores, gente do mundo inteiro, cheia de história, uma espécie de mulher vivida, cheia de marcas, a mãe de todos os improvisos. Pessoas com as mais diversas personalidades que buscam inspiração, estudam, trocam empregos fixos por projetos, arriscam uma nova etapa ou mudança, encontram um lar em Berlim. Conheci desde acadêmicos dedicadíssimos, até Djs, artistas, aprendizes da língua bisonha e estudantes. Não há outro lugar para se melhor embriagar de vida. E toda vez que contamos alguma história sobre a cidade, é inevitável que um desses bares e cafés estejam na ponta da língua. Então, aí vai, embora nem todos precisem concordar com a escolha.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Caminhada na Alemanha: o tal de Wanderung




"Se você quiser emplacar uma notícia sobre a Alemanha na primeira página do jornal – diz um repórter cinicamente – seria bom que a história tivesse um desses três itens: salsicha, cerveja ou nazismo”. Acabei de ler a frase do correspondente de um renomado jornal americano e vencedor do prêmio Pulitzer (pequeno detalhe) e pensei em como, inevitavelmente, nossos textos são carregados dos mais diversos estereótipos. Como gosto bastante de escrever sobre hábitos germânicos que julgo peculiar (dê uma espiadela na seção Deutsche Sache), pelo menos aos olhos de uma latina- americana, fiquei pensando em como descrever os costumes sem carregar o relato de clichês, embora eles sejam, muitas vezes, até engraçados.


Todo esse preâmbulo pra falar de um costume alemão, que, sim, será narrado por um paulistana sedentária. Uma coisa bastante popular por essas bandas é o chamado Wanderung! Trata-se de uma longa caminhada pela natureza, que pode ser belíssima conforme as estações do ano. Durante o outono é como perambular por um quadro impressionista, com folhas esvoaçantes vermelhas, laranjas e amarelas, destoando sob um céu bastante azulado. Por isso há sempre relatos das longas caminhadas feitas por Goethe em Etersberg ou do Einstein em companhia do coleguinha dinamarquês, o Bohr,  para se deixarem inspirar pelo ar fresco. A citação dos figurões germânicos é só para mostrar que o hábito da caminhada está enraizada há anos na cultura local. Eu nunca entendi bem o conceito até participar de uma efetivamente.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A Festa da Cebola!


Nos tempos em que morava em Berlim, acho que seria capaz de romper em risos caso alguém me convidasse para a Festa da Cebola! É! A vida nos reserva cada surpresa. Foi da boêmia dos bares de Friedrichshain, Kreuzberg e Prenzlauerberg direto para Weimar que venho por meio desta promover nada mais nada menos que o Zwiebelmarkt, com um nome bem menos glamouroso após passar pela tradução: sim, a consagrada Festa da Cebola, sempre no segundo final de semana de outubro!  

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A Cathach Books


Todo mundo tem uma livraria pra chamar de sua. Mesmo para aqueles que não tem planos de adquirir nenhum livro, é um passeio agradável. Caminhar entre as prateleiras, ver os novos lançamentos, destaques, best-sellers na vitrine e até tomar um café folheando uma revista ou outra. Em São Paulo, a Livraria Cultura é uma das favoritas. Sempre que estou na cidade, quero matar a saudade. Além de ter ou conseguir praticamente todos os títulos, os vendedores estão super por dentro das áreas em questão. Lá nunca ocorreria, o que já me aconteceu na Saraiva. Queria comprar "A Interpretação dos Sonhos" para dar de presente e me mandaram em direção à seção de “Esotéricos”. Então tá, né? A da Vila é bem aconchegante, mas meio longinho pra mim.
Em Berlim, achei a Dussmann na Friedrichstraße. É um paraíso cheio de livros, CDs, vídeos, artigos de papelaria, guichês vendendo ingressos para shows e uma multidão de gente, dependendo do horário. A Thalia, em Weimar, é um pouco mais provinciana, mas quebra um galho. Todos esses exemplos são livrarias bacanas, cool, freqüentadas pelos estudantes de cada cidade, mas ainda têm um status normal. Andando pelos arredores da Grafton Street em Dublin, descobri a Cathach Books, uma livraria bem pequena, de fachada bordô, que passa quase desapercebida. Dá pra ficar horas lá, mesmo sabendo que não se comprará nem um mísero livrinho!  O lugar é um antro de clássicos da literatura irlandesa, com foco no século 20.
Mas bacana mesmo é existir a possibilidade de trazer para casa as primeiras edições dos livros ou versões para colecionadores. Um Dubliners (1914), do ano de 1917, custa 65 euros. Ta bom, é até pagável, mas, no fim das contas, o mesmo texto está disponível por 10 euros em versões de livros de bolso ou até de graça na internet! Um pouco mais salgada é a versão do Ulysses (1922), que ganhou ilustrações do artista francês Henri Matisse em 1935. A raridade não sai por menos de 375 euros. O problema de pagar esta quantia é o peso na consciência de desistir de ler. Afinal, tempo e coragem são precisos para encarar aquelas construções textuais de pontuação esquisitíssima. Brincadeiras à parte, só pra colecionador mesmo, já que a dificuldade não estará só na leitura, mas também no ato de carregá-lo. Esta versão parece um livro de fotografia grande e pesado! Poemas do Samule Becket, de 1961, uma edição restrita de cem exemplares, também pode ser adquirida pela bagatela de 1.250 euros. Jà as primeiras edições do Drácula (1897) chegam até 12 mil euros. Devem vir com alhos entre as páginas pra espantar os vampiros da época. 

Para quem não resistir e quiser trazer como souvenir ou livro de cabeceira há uma versão para colecionadores por 75 euros (esta aí em cima). Apesar de impressa em 2012 pela Constable (mil exemplares), o layout é parecido com o primeiro de 1897: capa-dura amarela e título vermelho em relevo. Há também uma cópia do contrato entre Bram Stocker e a editora, assinado por ele. 
Quem quiser pode procurar a raridade preferida no site deles: http://www.rarebooks.ie/search.htm