quarta-feira, 9 de julho de 2014

Um pontinho amarelo na multidão



Como foi ver a torcida alemã vibrar com a goleada contra o Brasil 
     Quase assistimos a semifinal entre Brasil e Alemanha em casa. Aqui não é feriado, tínhamos acordado cedo, chovia, já estava combinado entre os amigos. Mas, assim, de última hora bateu uma dor na consciência de não sair para queimar sola de sapato e ver os acontecimentos de perto. Bem, não tão perto como estar em casa, no Brasa, mas nas ruas em território alemão. Sabe aquela sensação de daqui cinqüenta anos poder contar para os netos que você viu um bar inteiro silenciar enquanto você colocava os pulmões para fora de tanto gritar? Ahahha! Pode rir, eu permito. 
Na verdade, também pensei que seria uma experiência interessante ver a Alemanha vencer. Aqui, de perto, assim sentindo a emoção do momento. Não estava muito otimista, ouvi diversos alemães comentando durante a partida contra a Colômbia que a seleção germânica era tecnicamente muito superior que a brasileira. Também não tínhamos mais Thiago Silva, Neymar, enfim... Sabia que seria difícil, mas ainda assim deveria sair e viver esse momento. Momento da lavada! Cadê o Barney para dizer "Legen"... Espere, espere, mais um pouquinho... "dary"! 
Sentei no fundo do biergarten. Quatro pontinhos amarelos humilhados no fundo de um mar de bandeiras alemãs. Logo quando chegamos, com aquela ponta de esperança, um senhor ainda brincou: 
         — Não vão chorar, hein!
         — Só se for de alegria, - respondemos.
E antes da bola começar a rolar, ainda comentei com um garota da Eslováquia que se a Alemanha vencesse, seria melhor ir até o fim. Melhor sair agora do que perder para Argentina na finalíssima do Maracanã. Uma alemã do lado riu. A mesma que veio me dar um abraço no intervalo do primeiro tempo antes de ir embora. Indignação, nem os alemães acreditavam no que viam. Riam, batiam palmas, gritavam e desacreditavam. Meu celular não parava de tocar, facebook, mensagens e Whats app. E mal dava tempo de ler uma notícia e a Alemanha já marcava mais um. A seleção sambava e os alemães sapateavam na gente. 
  A garçonete aparece, pergunta se queremos mais alguma coisa. Até tentamos um prêmio de consolação: — freies Bier für die Brasilianer (cerveja de graça para os brasileiros), mas não rolou. Uma breja por gol, dava para sair bem bêbado, né? No final, estava até batendo palmas quando saía mais um gol. Esperávamos uma azucrinação maior das pessoas em volta. Imaginem o contrário! Quatro alemães tomando uma goleada de sete a zero em um bar predominantemente brasileiro! Mas foi bem tranqüilo. 
Fim de jogo. E eles gritam “volare, oh, oh, cantare, finale, oh oh oh”. E nós incrédulos. Não é só a vaga na final que foi para as cucuias. Perdemos o rebolado. Fomos para casa, colocamos o casaco para ser menos sacaneado nas ruas pelos carros que passavam buzinando e exibindo suas bandeirolas alemãs. A festa estava tão grande na avenida principal que a multidão mal percebia que éramos do Brasil. Acenavam, davam tchao e gritavam Fi-Na-Leeee. Só nos restou dar um sorriso amarelo de volta e esperar que eles agora levem o caneco. 
E daqui 50 anos eu vou contar para os netos que vi aqui da Alemanha o time de Joachim Löw trucidar o Brasa em campo numa lavada de 7 a 1. Legendary! 






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