quarta-feira, 2 de março de 2011

Berlinale 1 - Porque amo peculiaridades

A Berlinale acabou há duas semanas e até agora ainda estou pasma, ou melhor, intrigada com alguns filmes que vi. Um em especial, o húngaro ganhador do urso de prata, o “A Torinói Ló”, do diretor Bela Tarr. Inicialmente fiquei bem animada. Após o anúncio dos vencedores, vi que tinha o ingresso em mãos para o domingo. Explico. Quando começam as venda, é um deus nos acuda para conseguir tíquetes dos filmes na competição. O melhor mesmo é comprar em duas pessoas. Alguém fica na fila da Potsdamer Arcaden, enquanto colegas, amigos, maridos e namorados brigam com as conexões de compra via internet. Fato é que cada um tem uma tática para passear pelos tapetes vermelhos e assistir as películas favoritas. Enfim, sem mais preâmbulos, a gente compra tudo o que consegue, na data disponível e só depois acompanha o que diz o júri. No ano passado, batemos o recorde de oito filmes. Mas nenhum levou o urso de ouro ou prata! Ta bom, meu faro não é aguçado para entender o que se passa na cabeça dos críticos. Por isso, em 2011, somente com três filmes na agenda fiquei bem feliz quando vi que estava com um premiado em mãos.
Tal felicidade durou pouco. Mais ou menos os primeiro quinze minutos do filme. A narrativa conta a história de um camponês e seu cavalo, baseado em eventos verdadeiros. Em 1889, quando a doença do filósofo alemão Friedrich Nietzsche se tornou aparente, ocorreu um peculiar incidente em Turin.  Ao assistir um condutor bater em seu cavalo, Nietzsche passou os braços em torno do animal, demonstrando solidariedade. Tudo isso é explicado em três frases no começo da narrativa, que dura cerca de 150 minutos. Tá, e o que o cavalo tem a ver com tudo isso? O camponês que bate no seu animal ganha a vida, oferecendo passeios de carruagens até a cidade. Mas o pobre quadrúpede está esgotado, quase no fim de suas forças. É até bonito. O bicho se transforma na metáfora da dor e da morte.  
Eu contei isso tudo em dez linhas, de modo até extensivo, não? Pois é. Agora imagina duas horas e meia de imagens praticamente sem diálogo que se repetem em sete dias. Até o inter-título “terceiro dia” as pessoas no cinema ainda estavam quietas, mas depois começaram as risadas de inquietação. Não é tudo exatamente igual. O camponês e sua filha comem, por exemplo, batatas com as mãos diariamente. Na primeira vez, a câmera fecha só no pai, depois só na filha, no terceiro dia em ambos. Com o decorrer da semana, acaba a água e eles degustam batatas cruas. O desenrolar da trama é sutil, muito sutil. Se eu trabalhasse agora para uma revista até teria de dizer que o filme é bom (e até é), mas entretenimento não é a chave da questão aqui. Resumindo, é chato. E olha que eu adoro filme europeu, muito! Ainda bem que eu já assisti porque se um dia esse troço entrar para a lista dos “Cem Filmes” da Bravo, por exemplo, eu já tirei a pedra do meu sapato. Quando estrear por aí, boa sorte! Uma coisa pelo menos foi boa, além de me livrar do filme: conhecemos o Berlinale Palast.

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