quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Nuremberg e o mercado de Natal— as principais atrações em um fim de semana

Muitas vezes é difícil escrever sobre viagem sem cair em estereótipos ou dicas à lá “mais do mesmo”. E eis que estou aqui parada na frente do blog com a missão de falar sobre um fim de semana em Nuremberg — a segunda maior cidade da Bavária, na região da Franconia —, mas querendo evitar temas como, dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três. O que lhe vem na cabeça quando falamos da cidade? Sim, o mais famoso mercado de natal da Alemanha (Christkindlesmarkt), o julgamento de Nuremberg (pontos para Hollywood nessa), as reuniões do partido nazista (cruz credo) e as tais salsichas Nürnberger. Mas, o que nos levou em primeiro lugar até lá? Pois é. Admito, não consigo ir a uma cidade pela primeira vez e não checar os principais pontos turísticos. Não seria uma delícia ir a Paris e não ter que ir ao Louvre, Torre Eiffel, Notre Dame, mas só visitar livrarias e cafés escondidos e passear sem compromisso à beira do Sena? Não para os forasteiros de primeira viagem! Então, nesse caso, para quem conhece Nuremberg na palma da mão, é melhor trocar de post! Não será difícil perceber que se trata aqui de uma narrativa de turista.  

Christkindlesmarkt – o Mercado de Natal do garoto de cabelos dourados
Nota-se mesmo que estamos no mercado natalino mais conhecido no país. Em poucos segundos enfrentamos a massa de americanos e japoneses cruzando as barraquinhas e fazendo selfies com os piscas-piscas de fundo. Estávamos lá pelo mesmo motivos que eles, mas ainda temos a desculpa de não termos cruzado um oceano inteiro de distância para conferir a festa! Tudo bem que vale a pena, é lindo, mas não consigo entender o porquê é o mais famoso. Mercados como o de Dresden, Leipzig, alguns em Berlim não ficam tão atrás e alguns ainda têm uma ala medieval para mudar os ares. Mas, enfim, quem está na chuva é para se molhar. O número de enfeites natalinos por lá é fora do comum (os preços também correspondem à fama), desde velas, bolas decoradas para árvores, artesanatos em madeira e por aí vai. Ao visitar a Igreja das Mulheres, pode-se pagar 3,50 euros e subir até a varanda que dá para o mercado. Lá do alto, enxerga-se o formigueiro de pessoas se preparando para o Natal, circulando pelos corredores com sacolas e vinho quente em mãos. É um visual interessante, tudo iluminado. Se sua máquina tiver um bom zoom, dá até para ver as pessoas tirarem meleca do nariz ou a calcinha das entranhas. Desculpe pela dica, é o espírito natalino falando alto. 
Em Nuremberg, o anfitrião da festa é o Christkind, o menino cristão, em alusão a Jesus. É ele que, com ares de anjinho da turma da Mônica, traz os presentes na noite de Natal. Esta figura do garoto de cabelos dourados é mais forte entre as regiões católicas (com exceção de Nuremberg), uma vez que nas áreas protestantes ele foi substituído pelo Santa Claus. Conta-se que durante a reforma protestante, Lutero, que torcia o nariz para a imagem dos santos, acabou colocando a responsabilidade de presentear as crianças no Papai Noel. Whatever. O sacro garotinho aparece entre as parafernálias natalinas aos rodos. E eu que me achava imune à quinquilharias, passei por uma senhora fazendo ursos de pelúcia manualmente. Olhei, achei o trabalho bacana, mas não tinha preço, o que é um mau sinal. Mas muito mal mesmo! Quando estava indo embora, um urso com ares picareta, com as mãos no bolso meio carcamaninho, ficou soprando “leve-me daqui”, “leve-me daqui”. Com o calor humano trazido pelo vinho quente, decidi resgatar o ursinho. Graças ao Christkind a vendedora não aceitava cartão! Quem disse que os mercados não têm lá suas armadilhas?
E para aqueles que sentirem saudades do trânsito de carros na Avenida Paulista para ver a decoração natalina, é só entrar na fila para passar a mão no anel dourado (my precious) da fonte da juventude. Reza a lenda que quem passar seus puros dedinhos pelo arco dourado ganhará a jovialidade eterna. Não sei se é por conta da feira natalina, mas a fila é considerável. Tudo bem que tem a pausa da foto, da selfie... Pura superstição, mas... Já que estamos ali de bobeira, né?

Nuremberg além da feirinha 
Como não dá para fazer uma transição textual elegante do Natal para o nazismo (esse post está exigindo muito de mim), não vou entrar muito em detalhes sobre esse lado obscuro. Entre os pontos turísticos está o espaço onde o partido nacional socialista fazia suas reuniões. Mesmo fortemente bombardeado pelos aliados, ainda dá para ter noção da megalomania dos sujeitos. No centro de documentação, há uma exposição gigante contando a ascensão e queda do nazismo, até o julgamento de Nuremberg. Os vídeos dos campos de concentração, mostrado nos tribunais durante o processo, fazem parte da mostra. Vá preparado porque nem tudo tem o charme reluzente do Natal nesta cidade. Por fim, para dar uma aliviada na barra, nada mais belo do que ver a cidade do castelo, no topo da montanha. Uma infinidade de telhados vermelhos e ruelas de paralelepípedos. Inconfundível. 

2 comentários:

Leonardo Silva disse...

Ótimas as dicas sobre Nuremberg. Vou para a Alemanha em março e passarei por lá. Vi que o seguro viagem é obrigatório e eu ainda ñ contratei. Alguém pode me indicar uma boa empresa? Abç.

Claudia Acassia disse...

Poxa, eu já estive na Alemanha e gostei mto. Mas ñ passei por Nuremberg. Só fui nas principais cidades, como Berlim e Munique! Leonardo, seguro eu indico o da www.touristcard.com.br Tem até um cupom promocional, para desconto. Se eu ñ me engano é esse: tourist15. Tenta lá! bjs

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