quinta-feira, 9 de junho de 2016

Nostalgia – qual é a sua?

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Hoje pela manhã passei uns cinco minutos parada em frente à máquina da Nespresso, tempo muito maior que o necessário para apertar um botão e retirar minha xícara da tão estimada bebida matinal. Fiquei lá pensando em quanto tempo não passo um café daqueles de coador, com aspecto de meia suja e chulezenta. Juro que sou a personificação da geração easy-jet, que puxa mala correndo para não se atrasar, carregando o copo descartável de cappuccino, máquina fotográfica a tiracolo e celular em alguma mão livre. Mas hoje senti uma saudade tão grande daquele ritual de esquentar a água numa chaleirazinha (até olhei torto para a garrafa elétrica), colocar filtro no coador e derramar a fervura sobre o pó. Cinco minutinhos de espera em que o aroma dos grãos invadem o apartamento e nos leva aquele nirvana dos aficionados por café.
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E se fosse só isso... Bebida em mãos, olho o IPod sobre o tocador high tech fruta-cor, com uma lista de mais de duas mil músicas. Tudo compacto ali. Fui então tomada pela lembrança repentina dos meus disquinhos coloridos e da forma como ouvia canções na infância. Fazia parte da diversão abrir aquela tampa de plástico, tirar o LP do papelão, colocá-lo para girar e acertar a agulha na primeira faixa. É paranoia minha ou a música fica até mais melódica ao som de uma velha e boa vitrola? Claro que eu cresci e passei a sonhar com um aparelho de som completão – vitrola, fita, gravador e, pasmem, CD! E aquela rotina aos fins de semana de procurar os lançamentos na loja HI FI?  Parece que a Apple Store descomplicou meu acesso às bandas novas, mas tudo se tornou tão rápido. Falta tempo para ouvir todas as novidades que consigo baixar em poucos segundos. 
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Aliás, a saga do Steve Jobs facilitou tanto a vida com o IPhoto que foi capaz de por ordem (mesmo que virtual) no mundaréu de imagens clicadas por aí. Mas, desde então, paramos de revelar os cliques.  E o que será das próximas gerações sem aquelas caixas zoneadas, com retratos fora dos álbuns, cheia de momentos engraçados do tio, da mãe e do papagaio? Quando fui, pela primeira vez, passar um ano longe da família, aos 21 anos, ganhei do meu avô uma máquina fotográfica toda manual e, claro, com filmes. Foi a última vez que entrei em uma fotóptica com esse propósito. O que aconteceu com o aparato, não tenho mais a menor ideia. Devo tê-lo esquecido em um canto qualquer. “A vida segue sempre em frente, o que se há de fazer?”. 

Cortarei logo, pelo menos, esse lapso nostálgico do Toquinho para não sair por aí  cantarolando “e o futuro é uma astronave que tentamos pilotar”... Alguém ainda tem o LP? E pensar que se minha avó fosse viva, ela estaria chorando de rir das minhas reclamações sobre a contemporaneidade, passando seu café calmamente, enquanto falaria do seus tempos sem televisão ou geladeira. Os diários e agendas dela, repletos de poesias parnasianas, estão guardados comigo há anos, esquecidos em um maleiro. Repousam secretamente, enquanto a vida segue correndo a passos desenfreados a quilômetros de distância. Mas, por mais nostálgicos que alguns dias amanhecem, não dá para saltar de um trem em alta velocidade, certo? Então o esquema é conciliar nosso lado saudosista com essas novas invenções. Quer ver?  Vai lá no IPhone e grita: “Siri, toca Raul”. Funciona, juro! 
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Ps.: meninos, vocês não sentem saudades das velhas revistinhas pornôs escondidas embaixo da cama e compartilhadas às escondidas na escola? Bem mais charmoso que essa avalanche de vídeos online, não?



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