domingo, 13 de setembro de 2015

Paraíso das ervas — roteiro de coisas esquisitas para fazer na Alemanha

Não se trata exatamente do que você está pensando. E este post também não tem nada a ver com Amsterdam, embora fale de umas ervinhas naturais. Depois de tais observações, vamos ao que importa. 

Situação um. Imagine alguém dirigindo na marginal às 8h30 da manhã em um dia de trânsito normal em São Paulo. Cotovelos na direção, uma das mãos empenhadas em retirar um fio a mais das sobrancelhas. A outra levantando um dedo do meio no retrovisor para o apressadinho atrás de você. O café descansa no console. A raiva passa, você pega o jornal no banco do passageiro, dá seta, entra e se prepara para mais uma jornada de trabalho. Depois de encontrar uma vaga para estacionar, claro. Esta pessoa sou eu. Em uma metrópole de 17 milhões de habitantes.
Situação dois. Uma cidade do interior da Alemanha, no Estado da Turíngia, 68 mil habitantes (Rá, pode rir!). Para os padrões do país, não se trata de uma vila, mas sim de um município de médio porte. E não dá para negar que Weimar realmente é muito mais robusta em termos de ofertas culturais, em relação ao interior brasileiro. Mas, mesmo morando aqui há uns quatro anos, ainda me surpreendo com as peculiaridades que surgem de tempos em tempos. Uma super amiga minha, de Schmalkaden, uma cidadezinha de 20 mil habitantes (para conhecer mais sobre a família Müller, clique aqui) me convidou para um curso de estudos de ervas! Em pleno sábado, ministrado por uma Kräuterpädagogin. Uma senhora formada em pedagogia das ervas!
Tento ser uma pessoa aberta a novas experiência, qualquer que seja. E vamos concordar que é extremamente mais fácil conhecer o mundo hispter underground de Berlim do que topar de antemão algo que julgaríamos como provinciana. Mas, como eu adoro uma xaropada e coisas novas, — e minha amiga sabe disso — lá fui eu experimentar o tal curso. E para quem ainda está com aquele sorrisinho no canto da boca, não, não era uma estufa de produção biológica. Não havia hippies fazendo saudação ao sol ao lado de uma tiazona à la “o Barato de Grace” .
A aula era mesmo sobre o poder das ervas sobre nossos corpos. Como cultivá-las, colhê-las, preparar chás e bolos, utilizar as medicamentosas para tratar infecções e por aí vai. Agora vem a cena trágica. Imagine um monte de ervas em alemão, sendo apresentada a uma paulistana que não sabe sequer diferenciar um pé de laranja de um de maçã (quando eles estão sem as frutas, óbvio). O jardim da professora era incrível, a MDR, um canal alemão local, já havia gravado lá diversas vezes. A equipe da produção até filmou a preparação de uma torta de pétalas de rosas e outras esquisitices extras. 
E eu não parava de pensar que a tal docente — uma mulher forte, segura, de madeixas rosas — queimaria na fogueira se estivéssemos na idade média. Ela então me apresentou uma muda de melissa e perguntou se eu conhecia. Bom, claro que sim, né? Mas dos saquinhos de chá. Nunca tinha visto uma assim ao vivo e a cores. Rimos. Mas depois de todo o curso, ela me ganhou quando eu mastiguei um pedaço de hortelã- chocolate. Não adianta comprar a planta no supermercado. Não dá para descrever como o sabor era intenso e marcante. Apesar da resistência inicial, acabei indo uns centímetros para o lado negro da força e me deixei convencer por essa onda bio-saudável de país de primeiro mundo sem preocupação. Nem que seja só pelo sabor. 
Aliás, tudo acabou da melhor forma. Saboreando manteigas, sucos, queijos e pães que ela temperou em casa com as ervas do próprio jardim. E como a gente pode pertencer a dois mundos ao mesmo tempo tão diferentes, ainda é uma incógnita. 



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