quarta-feira, 1 de abril de 2015

Termas em Budapeste

Na levada de posts sobre banhos pelo mundo, não teve como deixar de fora os 70 milhões de litros de água que jorram de 118 fontes termais na capital da Hungria. Juro que não é nenhuma provocação com a falta de banho paulistana. Quem leu os últimos posts de viagem do blog perceberá que ando com uma fixação por chuás diferentões (saunas na Alemanha e Hammams marroquinos) Claro que há muito o que visitar em Budapeste, mas perder umas boas quatro horas em uma, duas ou até mesmo quatro termas é parte essencial do passeio para conhecer o espírito da cidade. Sem contar que não há melhor remédio para os pés cansados de tanto saçaricar. 

Não há nada de muito complicado e por aqui, ao contrario da Alemanha em algumas ocasiões, todo mundo usa roupas de banho. Dá para alugar um armário em um vestiário comum ou uma cabine para se trocar com mais privacidade. O visitante recebe uma pulseira de plástico. É só passá-la no sensor de uma máquina na entrada para receber o número da cabine. Só a sua pulseira abrirá aquela porta específica. Há pelo menos doze casas na cidade, cinco delas em ambiente externo. Entre as favoritas: 

Gellért — o Taj Mahal dos banhos.

Aberta ao público desde 1918, a Géllert fica no hotel homônimo e é uma belezura. As colunas de mármore, o teto de vidro e as estátuas em volta da piscina dão a sensação de estarmos nadando no jardim do Éden. Tudo bem que a água da piscina central não é lá tão quente, mas um tibum, só para se sentir parte daquela arquitetura, vale a pena. Gostoso mesmo são as termas menores e quentinhas pra chuchu (de 36 a 38 graus) nas laterais. Lá não é para nadar. A ideia é cozinhar como uma sopa de batata. Fontes meiguinhas, com cupidos e leões cuspindo água dão um toque todo especial ao banho. Pena que fecha às 20h.

Rudas — a mais turca das termas. 
Mulheres são bem vindas às terças-feiras e aos fins de semana. Nos outros dias, o banho é exclusividade do sexo masculino. Mas, a melhor vantagem da Rudas é que de sexta e sábado, a entrada é para ambos os sexos e o horário de funcionamento é excelente: das 22h às 4h da matina. Assim, aqueles que não abrem mão de uns museus ou uma visitinha ao castelo durante o dia, ainda podem aproveitar o turismo das termas. A piscina central e suas quatro termas laterais foram construídas no século 16, durante as invasões do Império Otomano, e têm quase 500 anos. Barras de ferro seguram a estrutura antiquíssima. As termas nas laterais é uma sequencia de banhos, dos 26 aos 42 graus. E a diferença de temperatura dá aquela relaxada semelhante a de uma sauna. Como o ambiente é bastante escuro e úmido, vou ficar devendo a imagem da casa! Desde setembro de 2014, a Rudas ganhou um espaço exclusivo de hidromassagens com um aspecto mais moderno e novinho.

Széchenyi — o maior complexo de banho europeu 
Construída de 1909 a 1918, em estilo renascentista, trata-se da maior terma desse estilo do velho mundo. A grande piscina central de 38 graus é um deleite. Pessoas jogam xadrez, outros conversam e relaxam em meio a estrutura arquitetônica amarelada. É tão bacana que na primeira vez  não saí de lá e perdi a oportunidade de conhecer as inúmeras termas internas. Foi uma ótima desculpa para voltar! Não é para menos. Imagine a água quente em um ambiente externo, fumaça subindo e condensando com o ar geladérrimo do inverno e o céu cheio de estrelas!  Essa piscina principal fica aberta até às 22h. No inverno dá para se banhar a luz do luar a partir das 17h. Obs.: é bom levar um roupão porque uma hora a gente tem que sair de lá. 

Lukács  e seu efeitos medicinais
Essa terma existe desde os tempos das cruzadas e acredita-se que suas águas possuam resultados muito efetivos. Talvez seja por isso que ela esteja acoplada a um hospital, especializado em reumatismo. O ambiente é lindo, clinicamente limpinho, ornado com pisos de mármore branco e espreguiçadeiras com almofadas e colchão. As termas tem iluminação para deixar a água quentinha e colorida. Tem lá seu quê de banheira de motel, mas sem a prevista sacanagem. Fontes jorram água potável para que os visitantes se hidratem durante os banhos. As águas prometem curar reumatismo, dores nas juntas, doenças degenerativas e uma porção de saracuticos. Apesar dessa descrição de hospital, uma vez por mês a casa prepara a balada das águas. Uma festa eletrônica, com drinks, DJs e trajes de banho!   

Um comentário:

neusa A-Cortez disse...

Oi Regina, achei lindíssimo seu Blog! E ainda vou para Budapeste um dia destes, fiquei animada!Queria avisar você que publiquei uma foto sua (logicamente com seu crédito) no meu livro - Fragmentos de Memórias Autorizadas. Ele foi apresentado na última semana. Um lindo domingo ainda!E obrigada por ter me autorizado a publica-la.

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