terça-feira, 3 de setembro de 2013

Cracóvia: a fábrica do Schindler em uma imperdível visita


“Minha querida Mama, estou saudável”. Assim, de forma curta e precisa, relata um filho suas condições de vida, em 2 de dezembro de 1939. “Posso receber duas correspondências por mês”, explicava ele sobre as regras do campo de concentração Sachesenhausen, em Berlim. Tudo para apaziguar os ânimos maternais aflitos no país vizinho. Esta carta e uma série de outros documentos estão expostos na Fábrica do Schindler - sim, o mesmo da película do Spielberg! -, em Cracóvia.
Assim como o portão e os trilho de trem marcam a imagem do complexo Auschwitz-Birkenau, é impossível não reconhecer a fábrica pelo filme (a Lista de Schindler). A exibição vai muito além da história do capitalista alemão, interessado em lucrar com a mão de obra judia, mas que no meio do caminho, acaba protegendo e salvando a vida de seus funcionários, a custo de muito suborno da polícia e contatos com oficiais nazistas.
 O espaço conta toda a ocupação alemã em Cracóvia, desde a invasão, a vida nos guetos judaicos, o transporte para o campo Plaszów e, finalmente, a libertação. Dá para passar horas puxando gavetas, ouvindo os áudios e apertando botões espalhados pela mostra mais do que interativa. A criançada (e eu também!) gosta bastante da simulação de um trem, com bancos de madeira e janelas- televisões com imagens da cidade à época. Um dos cartazes logo no início da exibição mostra o cerco começando a se fechar: todas as lojas pertencentes aos judeus deveriam ser identificada até o dia 09 de setembro de 1939, até às 17h (cartaz acima). Entre as especificações, era preciso colocar uma estrela de David na janela! Tudo assustadoramente bem detalhadinho!
Uma sala repleta de suásticas nos pisos e paredes marca, definitivamente, a Cracóvia sob ocupação nazistas e dali para frente a mostra fica mais tensa, com fotos das barbaridades ocorridas e de reconstruções de mini esconderijos insalubres e empoeirados. Na remontagem do gueto e suas muralhas, destacam-se imagens dos moradores, entre ele velhos e crianças, pouco antes do pior acontecera, além de frases de sobreviventes. Entre elas, e de um célebre garoto: “De repente, percebi que seriamos emparedados. Fiquei tão assustado que caí no choro”, relatou Polanski, com apenas oito anos.
 Às segundas, a entrada é de graça, mas é bom garantir os tíquetes bem cedo. Há horário marcado e é bem possível que após a retirada dos bilhetes, a próxima visita esteja marcada para ali a duas horas. Mas, sem problemas. Aproveite para ver os resquícios do muro que circundava o gueto a poucas quadras dali.







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