domingo, 7 de abril de 2013

O turismo e as atitudes incompreensíveis


Gosto muito de viajar. Muito mesmo. Também adoro fotografar tudo que me salta aos olhos, comidas diferentes, arquiteturas, paisagens, locais flagrados em seus cotidianos ou seja lá o que for. Ando com a máquina no pescoço para não deixar de registrar nada que ocorra inesperadamente. Mas tem coisas que me intrigam bastante nos turistas por aí, espalhados pelo mundo.
É bem bacana fazer fotos nossas com paisagens paradisíacas ao fundo. Concordo, sem discussão. Só queria entender o porquê pessoas tiram fotos ao lado de sapatos no rio Danúbio, uma espécie de memorial para judeus assassinados e atirados ao rio. Ou ao lado de uma árvore com folhas de metal, também um memorial ao holocausto. Posar ao lado de várias folhinhas com indicação dos nomes das vítimas e respectivos campos de concentração onde perderam suas vidas! Pra que? Qual o sentido? Não sou contra fazer imagens desses memoriais, mas por que raios as pessoas precisam aparecer lá na foto? Pior, pra que a pose? Daqui a pouco terá gente abraçando fornos em Auschwitz.


A Venus de Milo é deslumbrante, mas dá para fotografá-la sem querer aparecer do lado dela! Também há inúmeras variações de imagens da Mona Lisa. Da multidão ao seu entorno, close no sorrisinho irônico, mas do lado do quadro não dá, né! Ainda bem que descolaram um bendito segurança! E aqueles sujeitos que querem sentar no trono do rei, tomam bronca do vigia do museu, só pra se sentir por alguns minutos um pouco aristocrático? É tão estranho quanto tirar fotos ao lado de túmulos. Há uma diferença entre pontos turísticos e Disneylândia.  Nem toda obra é uma instalação que convida o visitante a usá-la como uma sala de estar.


Tá bom. Cada um na sua.  Mas ainda acho muito do esquisito alguém parar do lado de uma escultura, monumento, lançar um sorriso e fazer aquele dois de paz e amor (ou vitória na cultura oriental) e se deixar ser fotografado. Tudo bem se fosse em frente à estátua do Mickey ou do Pateta, mas ao lado da figura do Stalin ou de um líder da revolução húngara de 1956? O cara (Imre Nagy) deve se virar na tumba! Ser enforcado por lutar contra uma ditadura, virar ícone e estátua e passar a eternidade ganhando abraços de turistas de camisa florida! E aqueles que ficam bem na frente do quadro pra fazer a foto? E tampa a bendita pintura! Não, eu não tendendo mesmo!

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