quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Esquisitices dos tempos do Facebook



            Sempre defendo e gosto das redes sociais. Confesso. Quando ouço alemães questionarem o sigilo de dados pessoais e a posse de algumas informações para uso de mercado, tento mostrar o lado legal da coisa. Meus colegas na universidade organizam tudo via Facebook, em um grupo fechado do mestrado, claro! Seminários, troca de textos, resumos, encontros de trabalho e tantas outras coisas. É comum eu receber mensagens: “Estou na biblioteca, alguém está por aqui e vai almoçar na Mensa?” (restaurante da universidade). Sim, festas também entram na lista de atividades. Assim, se eu não fosse membro da rede, ficaria um pouco à parte da coisa.
Também adoro receber a primeira página da Folha todos os dias, as atualizações dos blogs que sigo, uma ou outra notícia do Süddeutsche Zeitung ou da Deutsche Welle. Muitas vezes leio também compartilhamentos interessantes, textos de jornalistas pelo mundo e uma porção de outras coisas bacanas. Mas antes que alguém pense que eu só uso a rede para motivos nobres, confesso que também bisbilhoto a vida alheia. Adoro ver os filhos das amigas crescerem. Eu os encontrei uma, duas ou até mesmo nenhuma vez. Mas de tempos em tempos, deparo-me com uma foto e penso: “como cresceu”!.
Mas (esse mas tinha que chegar, senão eu não teria pensado em escrever o texto!), algumas coisas me deixam um pouco intrigada. Outro dia li duas matérias independentes uma da outra sobre linhaça e disfunção da tireóide. Agora fica uma série de propagandas e pop ups de dietas na minha barra do facebook. Outra coisa que me deixa um tanto (vamos pensar uma palavra adequada) perplexa, abismada ou, sei lá, em dúvida mesmo, é algumas coisas que acontecem no dia a dia das redes. Eu já vi fotos de gente que não tem Facebook no meu mural. Também já vi fotos minhas postadas por terceiros. Não é chatice, juro. Mas tenho a sensação de que não existe mais esfera privada nesse mundo. Será que a gente nunca mais vai poder ir a uma festa, casamento, reunião com amigos, almoço de família, tirar fotos alegres sem o receio de que alguém as colocará nas redes sociais? O pior é que na hora da animação, “gente vamos tirar uma foto todo mundo junto”, você banca o pentelho se fizer aquela observação: “mas sem Facebook, né”? E quando a pessoa que posta, quiçá na foto está?
Não queria ser radical como sociólogos que não comemoram Natal com seus filhos pequenos só porque são ateus (desculpe pelo estereótipo! Eu acho os caras um barato, foi só uma brincadeira). Mas nunca se passou pela cabeça de ninguém, que se eu quisesse fotos minha nas redes sociais, eu mesmo postaria? Se um dia eu tivesse um filho, escreveria na porta da maternidade: “visita ou entrada sem I Phone ou máquinas fotográficas”. Porque, com certeza, um monte de gente legal, com boas intenções, orgulhosos, corujas ou seja lá o que for vai postar uma bendita foto sem a minha autorização pra mostrar pro mundo a nova alegria. Tudo bem, acho que no caso de crianças alheias, há um bom senso maior, mas ainda assim. 
Coisa peculiar 1. Ver fotos suas que  não são postadas por você! Juro, se alguém me escrever e disser que pediu autorização para a sogra, sogro, mãe, pai e cunhados antes de postar aquela fotona bonita da família, eu retiro minha afirmação! Peculiaridade 2. Vamos usar as mensagens privadas, né, minha gente?! Quem se interessa se seu marido acordou com bafo essa manhã ou se você está com cólicas menstruais e precisa da indicação de algum remédio? Ninguém se sente assim, meio invadido? Estou mesmo ficando ranzinza? Vocês acham mesmo implicância?

Obs: Não seria delicado receber uma mensagem do colega: “posso colocar essa foto nossa na rede”?

Obs. 1: eu nem vou comentar os convites de joguinhos para não perder a linha! 

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