quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Eu nunca....


Não, não se trata de um post confessional. Bom, não exatamente como podem imaginar algumas mentes mais maliciosas. Trata-se de coisas que jurei nunca mais fazer na minha vida, mas de repente, assim plötzlich, como dizem os alemães, lá estava eu na contra corrente das minhas convicções. Calma, não é nada sério. Fiz uma lista mental dessas coisas outro dia, antes de dormir (não, não tenho insônia e, sim, sou aficionada por listas estranhas). A afirmação mais bocó e inocente, que há muito tempo foi para o ralo, devo ter feito mais ou menos aos 4 anos. Como ia ao balé toda terça e quinta, chegava um pouco mais tarde que o normal na sala de aula no jardim da infância. E eis que só havia espaço livre nas mesinhas quadradas onde estavam os meninos. Passava a tarde sem abrir a boca, para não dirigir a palavra aqueles seres que considerava chatos, estranhos e bobos. Sem comentários. As coisas mudaram... Ops, não assim tão rápido. Mas logo passei a estabelecer algum diálogo com o sexo masculino, nem que fosse para xingá-los.
Depois de dois anos escrevendo a chatice da monografia da pós-graduação, analisando pilhas de matérias sobre a reunificação alemã na mídia do planeta, afirmei contundentemente que NUNCA mais na vida pisaria numa universidade. Pra mim já era o suficiente. Iria lavar pratos, virar viajante profissional, voar de vassoura, escrever posts bisonhos, mas nada de palestras, livros e seminários. Santa ilusão, aqui estou eu me aproximando de mais uma tese! Isso porque eu já tinha prometido pra mim mesma que não aprenderia mais língua nenhuma do zero, começando com o “eu me chamo tal” e “como você está?”! Também tem a minha frase “eu não conseguiria morar fora de uma grande metrópole”. Afinal, cidade que é cidade tem que ter pelo menos 10 milhões de habitantes. Pois é, tenho somente 68 mil vizinhos. Quando ameaço torcer o nariz, pelo menos penso que passeio nas ruas por onde um dia perambularam Goethe, Schiller e o Nietzsche já endoidado.
O eu NUNCA vou casar também já ficou conhecido e virou motivo de piada. Não que eu fosse contra relacionamentos, pelo contrário, mas tinha tudo contra a instituição, as normas sociais e a um papel qualquer. Mesmo depois de ter me rendido, ainda mantinha a mesma opinião até encontrar um casal de amigos mexicanos. Deles ouvi a história mais estapafúrdia e tocante até então. O garoto sofreu um acidente e estava entre a vida e morte. Como a família era testemunha de Jeová (ou algo semelhante por lá), a transfusão de sangue virou um dilema. A esposa, que assim era chamada, mas não tinha o bendito papel, pouco pode opinar. Sem lágrimas. O desfecho foi feliz. Um outro membro da família mais sensato (desculpe pelo preconceito e julgamento das crenças alheias) autorizou o procedimento. Assim que o moço se recuperou, assinaram os papéis e viveram felizes para sempre.
Por fim, o cúmulo do cuspir para cima e cair na testa foi a ginástica. Eu nunca pagaria para ficar em um ambiente fechado, cheio de gente preocupada com a beleza, deitada em máquinas, exercitando os bíceps. Musculação pra que se a gente pode movimentar o corpo de modo mais belo e poético ou aderir ao levantamento de copos para relaxar? Fui persuadida por terceiros, mas sou obrigada a admitir que o efeito é ótimo. Começo uma série 1, 2, 3, “professor pentelho”, 4, 5, “como vou entregar isso no prazo”?, 6, 7, “droga de edição”, 8, 9, “cadê o email com as legendas”?, 10, 11, 12.... E no fim da série, eu mal lembro dos motivos das minhas blasfêmias (amenizadas aqui) e xingamentos. Não é um treino para virar cabeça de vento, mas para colocá-la no lugar. Depois de uma hora e meia, durante o alongamento, a vida ganha outra perspectiva. Tudo dará certo, os prazos são contornáveis, o professor exigente só quer meu bem e, se não fosse inverno, eu até abraçaria uma árvore para celebrar a rotina. Santa serotonina! Juro que o efeito ainda é melhor que do chocolate e mais duradouro que do vinho! Rá! Com isso, lembrei de mais um “eu nunca”. Pra mim, ninguém em sã consciência, além dos alemães e escandinavos, sai da sauna e pula numa piscina fria a -20ºC com neve nas bordas. Mudei de ideia, de novo! É ótimo.
Mas só para constar, continuo sem ler Paulo Coelho (Ok, por puro preconceito ou convicção), não virei corintiana, detesto Harry Poter e mantenho a boca fechada quando o assunto é carne vermelha, churrasco ou picanha. Se isso mudar, escrevo outro post para contar! 

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