quinta-feira, 8 de abril de 2010

A coisa tá Russa !



Chegamos ontem em Moscou e desde então tenho pensando como deve ser difícil não saber ler e escrever. Coisas simples do dia a dia como pegar ônibus, metrô ou comprar um creme para as mãos tornam-se tarefas complexas. Não diria impossível, mas quase uma epopeia. A capital russa é bastante parecida com São Paulo. Tá, com suas devidas proporções. Aqui a arquitetura é meio exótica, mas eu me refiro ao clima cosmopolita, internacional, trânsito, muvuca, grandes avenidas, uma cidade pulsante e com todas as vantagens e desvantagens de uma metrópole gigante. A linha de metrô é excelente, são 177 estações. O problema é a movimentação e esse alfabeto sinistro. As baldeações não tem o mesmo nome. É isso mesmo. Por exemplo, a Paraíso em São Paulo é chamada assim não importa se chegamos pela linha azul ou verde. Aqui a mesma estação pode ter vários nomes, dependendo do número de intersecções. A mais próxima do Kremlin, por exemplo, tem quatro cruzamentos e portanto quatro nomes diferentes. E tudo em russo! Como meu teclado não é adaptado a essas esquisitices não posso dizer quais, mas isso também não faz diferença. O subterrâneo é gigante, são estações monstruosas. Essa mania de grandiosidade já aparece até no estilo das estações. O Rô cronometrou hoje: demoramos 2 minutos e 27 segundos na mesma escada rolante até chegarmos no patamar de cima, que pode ser a saída ou uma outra linha.

Por todas essas razões estamos bem equipados. Andamos com o guia da Lonely Planet, mapa da região aqui do hostel e mais o caderno Moleskine Moscou. Só que não dá para parar embaixo das placas para tentar traçar paralelos entre o nosso alfabeto e o ciríico. Em questões de segundos somos levados pela massa, como acontece com qualquer mortal na praça das Sé em horário de pico. É tudo muito cheio, apesar dos trens passarem a cada três minutos. A dica é encostar na parede mais próxima e só descolar o traseiro de lá quando souber a direção e nome da estação que deseja embarcar. Isso foi o primeiro impacto e hoje já estamos mais adaptados aos meios de locomoção. Mas vivemos uma epopeia para comprar uma simples passagem de trem. Aqui no meio da rua quase N-I-N-G-U-E-M fala inglês. Os que dizem para você "falo só um pouquinho", querem na verdade avisar: "tá bom eu não falo, mas vou tentar te ajudar". Resumo, eles ouvem a pergunta, respondem tudo em russo e gesticulam até você seguir na direção certa. 

A aventura de hoje era conseguir comprar tíquetes de trem de Moscou para São Petersburgo. E o pessoal do hostel (galera bem solícita e profissional) salvou a nossa pele. A ucraniana da recepção escreveu em um papel tudo o que precisávamos. Assim só entregaríamos para a moça do guichê. Isso foi fácil, o problema foi chegar até o balcão certo. Entramos em três filas diferentes. Na verdade existem duas ou três ferroviárias no mesmo local. E só uma delas têm trem que partem rumo à São Petersburgo. Mostramos o papel para trocentas pessoas, que iam apontando para alguma direção. Assim como uma gincana de "ache as pistas" encontramos o lugar certo. Depois falo sobre a hospitalidade russa. Segundo nosso guia, Moscou é uma das cidades mais antipáticas do mundo. Não concordei com isso, não. Acho que é meu espírito paulistano apressado falando mais alto. Muitos tentam nos ajudar sim. Mesmo que em russo! Com sorrisos e muitos gestos. Bom, mas eu ainda tenho 15 dias para mudar de opinião. 

Visitamos hoje o túmulo do Lenin. Mas como estamos com fuso de sete horas e o Rô arrumou um frila de tradutor de site de albergue e precisa do computador vou parar por aqui. Ah, última observação. O clima está aparentemente normal depois do atentado da semana passada. As estações estão lotadas de policiais (com chapéis escavuscas e bem moleques), mas não sei se isso é mesmo o padrão.

3 comentários:

Lícia disse...

Sensacional!! eu quero conhecer Moscou algum dia.... cho que minha estadia em Paris já me fez aprender a conviver com antipatia e uma língua que eu não falo...rsrsrs... aproveitem muito!!! saudade de vocês e de Berlim (de tudo que conheci é o lugar que mais queria voltar, ficar, morar, me aposentar...rsrs).... abração e parabéns pelo seu Bloq, estou adorando!!!

Natalia disse...

Cazza, toma cuidado com os loucos, meu. Fiquei com o coração na mão depois dos atentados. Beijo grande, meus e do Nico

ReginaCazzamatta disse...

Oi Ná, sabe que ao chegar em algumas estações de metrô, a luz dos vagões se apagam! Pânico! rsrsrs Acho que os mais doidos lá era a gente mesmo! rsr
Bjos

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